31 maio 2004

FUMO


Joao Coutinho


Longe de ti sao ermos os caminhos,
Longe de ti nao h� luar nem rosas,
Longe de ti h� noites silenciosas,
H� dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos sao dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham maos cariciosas,
Tuas maos doces, plenas de carinhos!

Os dias sao Outonos: choram... choram...
H� cris�ntemos roxos que descoram...
H� murm�rios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os bra�os!
E ele �, � meu Amor, pelos espa�os,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...


Florbela Espanca

30 maio 2004

Uma prenda...

Assim o quis a Natureza

Toda a noite chovera forte como, ali�s, as previsoes meteorol�gicas previra. Fortes b�tegas de �gua cujos pingos enormes tamborilavam nos beirais dos telhados transformaram-se em caudais volumosos que corriam rua abaixo na direc�ao dos sumidouros.

As not�cias que a televisao transmitira a noite sobre as tempestades e at� um tremor de terra que haviam assolado a zona do Caribe nao deixavam as gentes tranquilas. Sono agitado, o aflorar de um olhar a janela para ver �como estava o tempo�, o retomar o sono para pouco depois o ciclo se repetir.

Quando os primeiros raios da aurora iluminaram os pontos mais altos da cidade o �mau tempo� aparentava ter passado. As aves ensaiavam os primeiros voos do dia, ouvia-se no ar um chilrear de sons variados, a Natureza quisera iluminar e festejar o nascer deste dia com uma especial afectividade.

Os preparos matinais realizados e o Fot�grafo saiu a rua festejar, ele tamb�m, com a Natureza esta transforma�ao climat�rica tao profunda. E ao mesmo tempo que mentalmente se interrogava dos des�gnios da Natureza, sorria pela resposta de pronto encontrada.

Daqui a mais um pouco encontrar-se-ia, como habitualmente, com a Escritora com quem encetaria a sua di�ria caminhada cal�ada acima ao encontro deste Povo que vive. Que labuta pelo melhor viver no dia-a-dia que sorri a esperan�a que cada vez mais ilumina o seu rosto.

Caminhou na direc�ao do jardim, m�quina fotogr�fica a tiracolo, olhar atento as pessoas que caminhavam para os seus afazeres di�rios, olhando os seus semelhantes com ternura, olhando o Mundo com um misto de preocupa�ao e esperan�a.

O bra�o colocado atr�s das costas, escondendo a mao, ou o que ela continha, era a postura do caminhas do Fot�grafo, algo diversa do habitual. L� mais abaixo, caminhando na sua direc�ao, ao seu encontro, vinha a Escritora com ar prazenteiro de dia bem come�ado.

_ Muitas Felicidades Querida Amiga! _Aqui tem para si...

Na mao que se mantivera escondida atr�s das costas, algo que s� os dois conseguiam vislumbrar: Uma rosa �nica, em tonalidades de rosa e laranja, bela rosa como belo era aquele dia. Assim o quis a Natureza.

Vicktor - O fot�grafo e a escritora


uma flor para... a lualil

Muitas Felicidades Querida Amiga


Este presente de anivers�rio deu-me muita alegria... porque celebra a aten�ao, o carinho e delicadeza com que as amizades verdadeiras devem ser conduzidas.. tenho que agradecer a Deus amizades assim como a do Vicktor, que me fazem acreditar que ainda resta sempre esperan�a! Como agradecer-te meu querido amigo?!
beijo

27 maio 2004

Espelho

Diante do espelho,
dif�cil ver a m�scara que nos oculta.
Diante do espelho,
temos nossos rostos em carne viva,
expondo nossa alma...

maio/2004

24 maio 2004

Cores

Fernando Vilela

sem t�tulo 1996
xilogravura sobre papel
14 x 23 cm
Como primeiro post acho que nao poderia senao brind�-los com o poema que inspirou o nome deste novo espa�o! Sejam todos muito bem-vindos!

Traduzir-se

Uma parte de mim
� todo mundo:
outra parte � ningu�m:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
� multidao:
outra parte estranheza
e solidao.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almo�a e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
� permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
� s� vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
- que � uma questao
de vida ou morte -
ser� arte?
Ferreira Gullar