21 novembro 2004

� 2004 - Miguel Almeida

O NOSSO RIO

As suas �guas l�mpidas, luminosas, trazem-me a suavidade da tua voz, o brilho meigo dos teus olhos. Na suave ondula�ao a ternura das tuas maos. Nos contornos sinuosos das suas margens, projecto o teu perfil, ao mesmo tempo delicado e arrebatador.

Mas detenho-me nos insond�veis segredos das suas margens, que tornam o rio prisioneiro dos seus limites, num abra�o intermin�vel, sem que possa saber-se se � o rio que deseja ser abra�ado se as margens que o querem abra�ar. Talvez haja uma vontade c�mplice que os torna prisioneiros um do outro... e assim permanecem numa vol�pia constante entre car�cias e murm�rios, num desejo constante de se tocarem, machucando-se, torturando-se, como as l�nguas se torturam num beijo quase enlouquecido. Amam-se. Intensamente, sem palavras, sem limites, sem que tenham de se atormentar com um beijo de despedida. Ali estarao sempre, sempre, amando-se, naquele abra�o intermin�vel... at� a eternidade!

Como queria ser esse rio! Como se o destino da minha �gua fosse nao ficar em mim! Submeto-me feliz, alegre, como quem se cansa de estar triste. Mas � isso que quero, ser a �gua que te percorre o corpo, que te inunda os sentidos, ser prisioneiro do teu imenso e doce abra�o!

albino santos
(Obrigada Albino por me deixar partilhar este bel�ssimo poema aqui no Traduzir-se... beijos)

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