
� 2004 - Natacha Fernandes Ferreira
Silencio
Era tarde da noite, podia-se muito bem naquele momento ouvir tudo o que nos diz o silencio. Sentia-me cansada, meu corpo queria repouso mas minha alma parecia disposta a um belo passeio. Ainda me levantei, fui procurar algo para ler, talvez assim me distra�sse e o sono enfim chegasse. Mas havia algo diferente, eu sabia que sim, mesmo que nao me deixasse entregar. Pensei que nao adiantava muito travar uma batalha comigo mesma, resolvi relaxar. Em pouco tempo me sentia completamente descansada, leve. Meu corpo enfim se harmonizava com minha alma e assim pude sair livre em busca de algo que me chamava.
Tudo me parecia calmo, havia muitas �rvores neste lugar, continuei andando, mais adiante vi o que seria talvez uma fazenda. Pude ver casas, pessoas, animais, movimentos. Uma das casas deste lugar era muito bonita, me parecia aconchegante. Fui me aproximando at� chegar bem perto. Uma casa simples, ampla, arejada, muitas plantas e um alpendre convidativo. Nao havia barulho, ouvi uma m�sica ao fundo, vinha de dentro da casa, uma m�sica muito suave, sentia uma certa paz ao ouvi-la. Minha curiosidade me fez chegar ainda mais perto e pude ver uma pessoa, um homem, l� dentro. Estava sentado em uma cadeira bem confort�vel e me parecia sonhar acordado, tinha um brilho impressionante no olhar apesar dos seus, aparente, longos anos de vida. Ele me parecia tao familiar, tinha vontade de entrar e falar com ele, talvez comentasse sobre a m�sica, ou sobre a paisagem, mas nao conseguia me mover. Ele se levantou, pegou um livro e saiu da casa, eu o acompanhava e parecia que ele nao me via, aquilo era estranho. Estava no alpendre, se deitou em uma rede e come�ou a ler o livro. Era um livro de poemas, eu sabia que era porque eu, estranhamente, sabia dos poemas que tinha nele, e sabia o que ele lia, sentia o que sentia, suas rea�oes... fui me assustando com o que se passava e senti vontade de ir embora mas, alguma coisa me prendia aquele lugar. De repente, ouvi uma outra voz vindo de dentro da casa. Uma senhora se aproximou dele, lhe fez um carinho, ele sorriu um sorriso lindo e apaixonado, pegou um copo que ela o entregou e logo em seguida, ela saiu. Fiquei olhando ela voltar para dentro da casa. Voltei os olhos para ele, que agora tinha os olhos fechados e eu... sabia o que ele pensava. Lembrava dele mesmo, de quando era mais jovem, de momentos bons que tinha passado, senti a paz dele. Estava confusa, n?o sabia quem eram aquelas pessoas, mesmo assim sentia o que eles sentiam. Virei e comecei a voltar apressadamente, tinha l�grimas nos olhos. Quando enfim parei, sabia qual o nome do livro que ele lia porque, me dei conta, eu havia escrito aquele livro. Por isso sabia dos poemas. Mas eu nao tinha livro escrito, resolvi voltar at� aquela casa. Quando me aproximei, a rede ainda estava l�, mas n?o havia ningu�m nela, fiquei andando ao redor da casa procurando ver o movimento e n?o via mais ningu�m. Senti-me triste. Eu poderia n?o ter fugido. Mas talvez fosse tarde demais. Fui embora. Quando estava andando, ouvi vozes, olhei pra tr�s e vi um casal jovem. Revi-me no olhar daquela jovem...
Estavam alegres, felizes e sorridentes. Eles tinham uma imensa paz. Nao quis permanecer ali nem ver mais nada, eu sabia que eram felizes, sentia a paz deles... O que mais queria saber? Afastei-me entre assustada e feliz...
Um dia talvez eu os encontre outra vez. Silencio.
Era tarde da noite, podia-se muito bem naquele momento ouvir tudo o que nos diz o silencio. Sentia-me cansada, meu corpo queria repouso mas minha alma parecia disposta a um belo passeio. Ainda me levantei, fui procurar algo para ler, talvez assim me distra�sse e o sono enfim chegasse. Mas havia algo diferente, eu sabia que sim, mesmo que nao me deixasse entregar. Pensei que nao adiantava muito travar uma batalha comigo mesma, resolvi relaxar. Em pouco tempo me sentia completamente descansada, leve. Meu corpo enfim se harmonizava com minha alma e assim pude sair livre em busca de algo que me chamava.
Tudo me parecia calmo, havia muitas �rvores neste lugar, continuei andando, mais adiante vi o que seria talvez uma fazenda. Pude ver casas, pessoas, animais, movimentos. Uma das casas deste lugar era muito bonita, me parecia aconchegante. Fui me aproximando at� chegar bem perto. Uma casa simples, ampla, arejada, muitas plantas e um alpendre convidativo. Nao havia barulho, ouvi uma m�sica ao fundo, vinha de dentro da casa, uma m�sica muito suave, sentia uma certa paz ao ouvi-la. Minha curiosidade me fez chegar ainda mais perto e pude ver uma pessoa, um homem, l� dentro. Estava sentado em uma cadeira bem confort�vel e me parecia sonhar acordado, tinha um brilho impressionante no olhar apesar dos seus, aparente, longos anos de vida. Ele me parecia tao familiar, tinha vontade de entrar e falar com ele, talvez comentasse sobre a m�sica, ou sobre a paisagem, mas nao conseguia me mover. Ele se levantou, pegou um livro e saiu da casa, eu o acompanhava e parecia que ele nao me via, aquilo era estranho. Estava no alpendre, se deitou em uma rede e come�ou a ler o livro. Era um livro de poemas, eu sabia que era porque eu, estranhamente, sabia dos poemas que tinha nele, e sabia o que ele lia, sentia o que sentia, suas rea�oes... fui me assustando com o que se passava e senti vontade de ir embora mas, alguma coisa me prendia aquele lugar. De repente, ouvi uma outra voz vindo de dentro da casa. Uma senhora se aproximou dele, lhe fez um carinho, ele sorriu um sorriso lindo e apaixonado, pegou um copo que ela o entregou e logo em seguida, ela saiu. Fiquei olhando ela voltar para dentro da casa. Voltei os olhos para ele, que agora tinha os olhos fechados e eu... sabia o que ele pensava. Lembrava dele mesmo, de quando era mais jovem, de momentos bons que tinha passado, senti a paz dele. Estava confusa, n?o sabia quem eram aquelas pessoas, mesmo assim sentia o que eles sentiam. Virei e comecei a voltar apressadamente, tinha l�grimas nos olhos. Quando enfim parei, sabia qual o nome do livro que ele lia porque, me dei conta, eu havia escrito aquele livro. Por isso sabia dos poemas. Mas eu nao tinha livro escrito, resolvi voltar at� aquela casa. Quando me aproximei, a rede ainda estava l�, mas n?o havia ningu�m nela, fiquei andando ao redor da casa procurando ver o movimento e n?o via mais ningu�m. Senti-me triste. Eu poderia n?o ter fugido. Mas talvez fosse tarde demais. Fui embora. Quando estava andando, ouvi vozes, olhei pra tr�s e vi um casal jovem. Revi-me no olhar daquela jovem...
Estavam alegres, felizes e sorridentes. Eles tinham uma imensa paz. Nao quis permanecer ali nem ver mais nada, eu sabia que eram felizes, sentia a paz deles... O que mais queria saber? Afastei-me entre assustada e feliz...
Um dia talvez eu os encontre outra vez. Silencio.
lualil 2001
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