O fot�grafo e a escritora percorrem a cal�ada, vivem o Povo. Ele, escreve ideias e sentimentos com cada clique da sua m�quina fotogr�fica. Ela, obt�m as mais belas imagens com um simples pestanejar dos c�lios e a leveza da pena na escrita.

Por est� �poca do ano, tal como acontece em muitas outras cidades brasileiras, come�a a grande transforma�ao. O Povo j� naturalmente alegre e optimista, parece entrar numa transe de boa disposi�ao que contagia os forasteiros que ficam logo com �o samba no p�. Tamb�m o Fot�grafo tem esse sentimento quando cal�ada recifense acima se encontra com a Escritora.
Contudo, o Recife � diferente. A multiculturalidade das suas gentes, o encontro permanente de povos e de ra�as, de saberes e de culturas, d�-lhe um �toque� �nico que se reflecte no �ferver� das gentes. O autentico Frevo que vai invadir a zona antiga da cidade e dela se expandir para as restantes zonas, para o Mundo.
O Fot�grafo, que hoje veste a rigor, qual Pr�ncipe de um reino de sonho, mal entra na cal�ada, depois de um caf�zinho retemperador tomado no boteco da esquina, propoe a Escritora um jogo no m�nimo estranho:
_Querida Amiga, agora que o Carnaval est� a�, vou tirar a minha m�scara de todo o ano. Continua a tua caminhada, que j� nos encontramos.
Dito isto some-se no primeiro cruzamento.
A Escritora continua a sua caminhada, agora s�, mas cheia de curiosidade. Logo na esquina seguinte surge-lhe um jovem, algo ing�nuo, com ar de novato nestas andan�as do Carnaval que se dirige a Escritora apresentando-lhe um papel escrito que ela le:
_ ...me encantei com a docilidade que escreves a cerca de todos os temas, infelizmente nao h� muitos assim, e particularmente pela forma carinhosa que se refere ao Brasil, p�tria minha.
_Quem �s tu?
_Um simples oper�rio, com vontade de sonhar...
Tal como subitamente tinha aparecido assim se esfumou na multidao que j� a essa hora se dirigia aos seus trabalhos.
Pouco depois a Escritora foi abordada por um homem, cabelo farto, mais para o lado do branco, algo desgrenhado. Poeta, artista... que sei eu!
_Sinto que faz parte dos meus sonhos recorrente. Sonho voar, leveza total, na direc�ao das terras do longe. Penso que sempre o seu rosto e sua silhueta me acompanham...
_Nesse estranho enlevo eu me encontro quando escrevo �Entre o Sono e o Sonho�, far�amos uma parceria frutuosa...
Aquele idoso, algo louco, que abordou a Escritora perdeu-se na multidao que j� entoava cantares de Carnaval. A Escritora ficou pensativa. Seriam m�s caras que a abordavam ou gente real? Por onde andaria o Fot�grafo, que hoje mais parecia um Pr�ncipe?
Dos verdejantes canteiros de flores que tao bem ficavam na decora�ao da cal�ada, saltou um sapo que se postou a seus p�s. Estupefacta a Escritora procurou apanh�-lo. Com algum esfor�o conseguiu o seu intento. Como lera nos contos da sua meninice aproximou seus l�bios e beijou-o.
Do Pr�ncipe, melhor do Fot�grafo, nem sinal. O ar ficou perfumado com o odor dos jasmineiros.
Vicktor


Andavam os dois pela Rua do Bom Jesus, repleta de hist�ria da cidade do Recife, o Fot�grafo registrava todos os momentos que apesar de revelar a Escritora um espet�culo conhecido, seus olhos brilhavam como nunca, parecia o cora�ao bater mais forte. Abra�ada ao Fot�grafo. Mostrava-lhe tudo tal crian�a em parque de diversao.
Passavam por eles blocos, maracatus evoluindo com seu rei e sua rainha, caboclinhos em passos marcados pelo arco e flecha, as mais variadas fantasias, rostos cobertos por m�scaras e rostos e olhos abertos para todos... Corpos suados e muita m�sica e alegria no ar.
Sentiu vontade de seguir o povo na rua como gostava de fazer e gritou ao Fotografo que fotografasse. No meio da multidao via os olhos dele a acompanharem com seu sorriso. Ele resolveu segui-la e aos poucos se ia aproximando dela. At� gritar-lhe:
_ Olha-me e sorri!!
Ela virou. Olhava em sua dire�ao. Quando o avistou, sentiu uma tontura e ainda com um sorriso no rosto caiu no ch?o. Fez-se no momento um silencio apavorante. O Fot�grafo tomou-lhe nos bra�os e a tirou do meio da multidao...A festa continuou... A m�sica voltou a tocar e o bloco seguiu seu caminho.
Vestida de colombina, dan�ava alegremente. Ao que se lhe aproximou o primeiro Pierr�.
_ J� nao nos conhecemos? Disse ele.
_Foi no carnaval que passou? Riu. Lembrando a m�sica.
_No carnaval passado era apenas eu um simples oper�rio e buscava incansavelmente realizar meus sonhos...
_J� os realizaste entao?
_Alguns deles... Beijou-a no rosto, abra�ou-lhe como se matasse a saudade e sumiu.
Passava j� agora pela rua animada, os caboclos de lan�a. Eles fascinavam os olhos da colombina que se pos a dan�ar com eles. Rodava e rodava at� cair misteriosamente nos bra�os de um segundo Pierr�. Olharam-se como se enfim tivessem se encontrado. Ela nao o conhecia, mas, sentia como se isso nao fosse verdade.
_J� nao nos conhecemos? Disse ela.
_sim... Acompanhas-me h� muito! Est�s em meus sonhos, nos meus voos. Sorriu e a beijou. A Colombina imaginou coisas de amor. E antes que voltasse a suspirar, seu Pierr� j� se tinha ido. Sentiu-se triste e s�.
Seguiu cal�ada acima, sabia que o Fotografo devia est� em algum lugar... Procurou por ele. Sentia sua falta.
Mas, de repente um grupo de ciganas a puxou para sua roda! Elas dan�avam, rodavam e riam gargalhadas fortes, expressivas. A Colombina, que antes parecia assustada, aos poucos, estava a sorrir e dan�ar junto as ciganas na roda. Por tr�s da cigana de len�o vermelho, olhos castanhos claros, viu aparecer um Pierr�. Ele a olhou e foi em sua direao. Ela parou de dan�ar. Estava im�vel. Ele a puxou para fora da roda, para mais distante da agita�ao. Disse-lhe:
_ Entao j� agora estamos juntos outra vez... Temos nos encontrado em v�rios momentos, em v�rios locais e tempos. E tu, �s sempre a mesma em qualquer fantasia que usares, pois teus olhos, estes eu os reconheceria em qualquer parte do mundo.
Ela sentiu uma vontade enorme de abra�ar-lhe. Beijar-lhe o rosto, sentir o seu cheiro. Mas estava tonta... Tonta.
_Querida... Querida! O Fotografo tocava-lhe suavemente o rosto.
A Escritora abriu os olhos e com um sorriso imenso nos olhos. Abra�ou-o fortemente.
lualil

5 comentários:
Doce Lualil. Perdeu-se o meu coment�rio de ontem. H� escritos que se n?o conseguem repetir, pela sua singelez e sentimento. Irei tentar esxcrever um novo coment�rio.Um beijo.
Victor,
N?o te preocupes.. a minha inten�?o � mesmo voltar ao servidor de coment�rios antigo.. tentei isso por horas ontem ao mudar o template.. mas j� estava t?o tarde e fiquei t?o cansada.. que parei. Hoje, logo mais � noite tentarei outra vez recuperar meus coment�rios sempre t?o queridos como os teus.
Beijos grandes,
Doce Lualil. No teu �caminhar pela cal�ada recifense�, levas-nos ao cora�?o do frevo, ? agita�?o de um Carnaval que na rua se vive intensamente. Colombina e Pierr� s?o cl�ssicos da anima�?o carnavalesca. Mas tu das-nos aqui uma dimens?o tamanha de querer e de sentir como antes nunca vi ser escrito.
Depois � aquela fronteira t�nue entre o sonho e a realidade que nos faz meditar qual desses aspectos traduz a verdadeira viv?ncia. Magn�fico escrito este que connosco tiveste a bondade de partilhar.
Um beijo.
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