28 fevereiro 2005

Devagar...

Notte Stellata
Autor: Vincent Van Gogh

Devagar, ele sentia que a imagem do rosto dela era como a linha que, devagar, desenha os montes de encontro ao c�u na hora em que a �ltima luz � o contorno das montanhas. Ela, devagar, sentia que a imagem do rosto dele era como uma montanha, o corpo gigante e seguro de uma montanha, desenhado de encontro ao c�u pela �ltima luz. Durante um momento de terra, de sol e de julho, ele e ela sentiram que eram tocados por qualquer coisa grandiosa. E cada um levou esse instante dentro de si.

Jos� Lu�s Peixoto, in Ant�doto

26 fevereiro 2005

Agora e antes

Preciso dizer que te amo
Antes que minha voz fique muda
Antes que a lua se v�
E as estrelas nao mais brilhem no alto

Preciso dizer que te amo
Antes que nossa m�sica acabe
E teus bra�os desenlace minha cintura
Preciso dizer-te agora, que teu cora�ao bate no ritmo do meu

Agora que sinto teu cheiro, tua boca na minha pele
Agora e antes que a nossa m�sica acabe

Preciso dizer que te amo
Antes que o dia amanhe�a
Que a tarde me envelhe�a

Preciso dizer que te amo antes que meu amor cres�a
E para fora de mim... salte!
E de mim se esconda no universo

Preciso dizer que te amo
Agora e antes de dizer-te outra vez.

lualil

25 fevereiro 2005

Cronicas - parte II
Lixo
Luis Fernando Ver�ssimo

Encontram-se na �rea de servi�o. Cada um com seu pacote de lixo. � a primeira vez que se falam
� Bom dia...
� Bom dia.
� A senhora � do 610.
� E o senhor do 612.
� �.
� Eu ainda nao lhe conhecia pessoalmente...
� Pois �...
� Desculpe a minha indiscri�ao, mas tenho visto o seu lixo...
� O meu que?
� O seu lixo.
� Ah...
� Reparei que nunca � muito. Sua fam�lia deve ser pequena...
� Na verdade sou s� eu.
� Mmmm. Notei tamb�m que o senhor usa muita comida em lata.
� � que eu tenho que fazer minha pr�pria comida. E como nao sei cozinhar...
� Entendo.
� A senhora tamb�m...
� Me chame de voce.
� Voce tamb�m perdoe a minha indiscri�ao, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
� � que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas como moro sozinha, as vezes sobra...
� A senhora... Voce nao tem fam�lia?
� Tenho, mas nao aqui.
� No Esp�rito Santo.
� Como � que voce sabe?
� Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Esp�rito Santo.
� �. Mamae escreve todas as semanas.
� Ela � professora?
� Isso � incr�vel! Como foi que voce adivinhou?
� Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
� O senhor nao recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
� Pois �...
� No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
� �.
� M�s not�cias?
� Meu pai. Morreu.
� Sinto muito.
� Ele j� estava bem velhinho. L� no Sul. H� tempos nao nos v�amos.
� Foi por isso que voce recome�ou a fumar?
� Como � que voce sabe?
� De um dia para o outro come�aram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
� � verdade. Mas consegui parar outra vez.
� Eu, gra�as a Deus, nunca fumei.
� Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...
� Tranq�ilizantes. Foi uma fase. J� passou.
� Voce brigou com o namorado, certo?
� Isso voce tamb�m descobriu no lixo?
� Primeiro o buque de flores, com o cartaozinho, jogado fora. Depois, muito len�o de papel.
� E, chorei bastante. Mas j� passou.
� Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
� � que eu estou com um pouco de coriza.
� Ah.
� Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
� �. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Nao saio muito. Sabe como �.
� Namorada?
� Nao.
� Mas h� uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. At� bonitinha.
� Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
� Voce nao rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, voce quer que ela volte.
� Voce j� est� analisando o meu lixo!
� Nao posso negar que o seu lixo me interessou.
� Engra�ado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhece-la. Acho que foi a poesia.
� Nao! Voce viu meus poemas?
� Vi e gostei muito.
� Mas sao muito ruins!
� Se voce achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles s� estavam dobrados.
� Se eu soubesse que voce ia ler...
� S� nao fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, nao sei: o lixo da pessoa ainda � propriedade dela?
� Acho que nao. Lixo � dom�nio p�blico.
� Voce tem razao. Atrav�s do lixo, o particular se torna p�blico. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo � comunit�rio. � a nossa parte mais social. Ser� isso?
� Bom, a� voce j� est� indo fundo demais no lixo. Acho que...
� Ontem, no seu lixo..
� O que?
� Me enganei, ou eram cascas de camarao?
� Acertou. Comprei uns camaroes gra�dos e descasquei.
� Eu adoro camarao.
� Descasquei, mas ainda nao comi. Quem sabe a gente pode...
� Jantar juntos?
� �.
� Nao quero dar trabalho.
� Trabalho nenhum.
� Vai sujar a sua cozinha.
� Nada. Num instante se limpa tudo e poe os restos fora.
� No seu lixo ou no meu?

24 fevereiro 2005

Cronicas - parte I
Amor
Luis Fernando ver�ssimo

Ela: Voce me ama mais do que tudo?
Ele: Amo.
Ela: Paixao, paixao?
Ele: Paixao, paixao mesmo.
Ela: Mais do que tudo no mundo todo?
Ele: No mundo todo e fora dele.
Ela: Nao acredito.
Ele: Faz um teste.
Ela: Eu ou fios de ovos.
Ele: Voce, f�cil.
Ela: Daqueles com calda grossa, que a gente chupa o fio e a calda escorre pelo queixo.
Ele: Prefiro voce.
Ela: Futebol.
Ele: Nao tem compara�ao.
Ela: Voce esta caminhando, vem uma bola quicando, a garotada grita "Devolve tio!" e voce domina, faz dezessete embaixadas e chuta com perfei�ao.
Ele: Prefiro voce.
Ela: Internacional e Milan em T�quio pelo campeonato do mundo, passagem e entrada de gra�a.
Ele: Voce vai junto?
Ela: Nao.
Ele: Pela televisao se ve melhor.
Ela: Faz muito calor. A� chove, a� abre o sol, a� vem uma brisa fresca com aquele cheiro de terra molhada, a� toca uma musica no r�dio e � uma nova do Paulinho. � Sexta-feira e a televisao anunciou um Hitchcock sem dublagem para aquela noite... e o Itamar est� dando certo.
Ele: Voce.
Ela: Voltar a infancia s� pra poder pisar na lama com o p� descal�o e sentir a lama fazer squish entre os dedos.
Ele: Voce, longe.
Ela: A Sharon Stone telefona e diz que � ela ou eu.
Ele: Que d�vida. Voce.
Ela: Cheiro de livro novo. Solo de sax alto. Crian�a distra�da. Canetinha japonesa. Bateria de escola de samba. Len�ol rec�m-lavado. Hora no dentista cancelada. Filme com escadaria curva. Letra do Aldir Blanc. Pastel de rodovi�ria.
Ele: Voce, voce, voce, voce, voce, voce, voce, voce, voce e voce, respectivamente.
Ela: A Sharon Stone telefona novamente e diz que se voce se livrar de mim ela j� vem sem calcinha.
Ele: Desligo o telefone.
Ela: Fama e fortuna. A explica�ao do universo e do mercado de commodities, com exclusividade. A vida eterna e um cartao de credito que nunca expira.
Ele: Prefiro voce.
Ela: Uma cerveja geladinha. A garrafa chega estalando. No copo, fica com um quarto de espuma firme. O resto � ela, s� ela, dizendo "Vem".
Ele: Hummm...
Ela: Como, hummm? Ela ou eu?

.... Silencio de 5 segundos ...

Ele: Qual � a marca?
Ela: Seu cretino!

Luis Fernando Verissimo nasceu no dia 26 de setembro de 1936 em Porto Alegre, filho do escritor EricoVerissimo e de Mafalda Volpe Verissimo.

23 fevereiro 2005

Teoria do Caos - Efeito Borboleta


Pode um simples bater de asas de uma borboleta aqui causar um tufao do outro lado do mundo?

21 fevereiro 2005

Ouvindo m�sica...

Romanticos
Vander Lee

Romanticos sao poucos,
Romanticos sao loucos, desvairados
Que querem ser o outro,
Que pensam que o outro,
� o para�so.

Romanticos sao lindos,
Romanticos sao limpos e pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha e sem ju�zo
Sao tipos populares, que vivem pelos bares
E mesmo certos vao pedir perdao

E passam a noite em claro
conhecem o gosto raro
De amar sem medo de outra desilusao
Romantico � uma esp�cie em extin�ao.
Romanticos sao poucos,

Como eu,

19 fevereiro 2005

Esta terra ainda vai cumprir seu ideal...

Ainda vai torna-se um imenso Portugal!!!

Um abra�o forte aos meus amigos que tem no cora�ao vermelho o amor pela p�tria e nos olhos a verde esperan�a de ver seus ideais realidade!

Oh, musa do meu fado
Oh, minha mae gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril
Mas nao se tao ingrata
Nao esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

�Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos n�s herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo
Mesmo quando as minhas maos estao ocupadas em torturar, esganar,
trucidar
Meu cora�ao fecha aos olhos e sinceramente chora...''

Com avencas na caatinga
Alecrins no canavial
Licores na moringa
Um vinho tropical
E a linda mulata
Com rendas do Alentejo
De quem numa bravata
Arrebato um beijo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

�Meu cora�ao tem um sereno jeito
E as minhas maos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto

Se trago as maos distantes do meu peito
� que h� distancia entre intencao e gesto
E se o meu cora�ao nas maos estreito
Me assombra a s�bita impressao de incesto

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadura a proa
Mas o meu peito se desabotoa

E se a senten�a se anuncia bruta
Mais que depressa a mao cega executa
Pois que senao o cora�ao perdoa''

Guitarras e sanfonas
Jasmins, coqueiros, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre Tr�s-os-Montes
E numa pororoca
Des�gua no Tejo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

Chico Buarque - Ruy Guerra
1972-1973

18 fevereiro 2005

Apetece-me deitar a olhar o c�u...



... e deixar o vento tocar meu corpo em car�cias plenas.

fundo musical: A Thousand Years - Sting
Palavras soltas

Tenho meu cora�ao apertado.
D�i-me ao bater em mim,
O ar parece-me raro
E as palavras que definem o tempo
Se vao ao vento...
Corro em busca delas, soltas
Na tentativa de formar frases,
Obter respostas.

Meu cora�ao est� apertado
Ou meu peito est� pequeno?!
Ainda nao consegui juntar palavras, frases...
Nao tenho respostas.
Mas o vento toca minha pele,
Com ele, algum som conhecido
Alguma resposta se esbo�a...
Tenho que ficar calada, preciso ouvir o som
O som que me fala o silencio.

lualil 2004

17 fevereiro 2005

Sintonia Perfeita

N�s,
Sentidos
Letras, palavras
Pernas poemas
Beijos, boca, beijos
E gosto de vinho na boca
Vinho nos olhos,
Maos, toques
Nuca... nunca?
Sempre!
Seios, sexo, suor
E a voz, distante...
Silencio de palavras, ouvido.
Nada faz sentido,
Sentimo-nos.

lualil 2005

16 fevereiro 2005

Acordo mundial do clima
est� em vigor

Protocolo de Kyoto come�ou a valer esta madrugada. Nele, 141 pa�ses se comprometem a tentar evitar o aumento da temperatura no planeta causado pela polui�ao.

leia mais...

14 fevereiro 2005

Minha Menina Princesa

H� uma princesa de olhos mel
De sorriso aberto
Decidida
Quer ser bailarina, atriz

H� uma princesa de olhos de c�u
Com maos cheias de estrelas
Vencedora
Que sempre vence por um triz

H� uma menina princesa
Minha menina
de cora�ao imenso

H� uma mulher que te olha
E te admira
E que muito.. muito te ama!

Filha,
Sempre te disse que todas as meninas sao princesas. Mas tu, meu amor � a minha princesinha e eu te amo mais que tudo na vida e te desejo toda a felicidade que possa existir nesse mundo. feliz anivers�rio!

13 fevereiro 2005


sentir o povo que vive

O fot�grafo e a escritora percorrem a cal�ada, vivem o Povo. Ele, escreve ideias e sentimentos com cada clique da sua m�quina fotogr�fica. Ela, obt�m as mais belas imagens com um simples pestanejar dos c�lios e a leveza da pena na escrita.

Depois que tudo acabou...

J� h� dois ou tres dias nao passava mais nenhum Bloco na Rua do Bom Jesus...
E o silencio habitual parecia se confundir com o eco dos sons das grandes orquestras carnavalescas. E ela continua l�.. andava lentamente de um lado para o outro a procura de algo ou de algu�m. Ainda fantasiada. Ainda Colombina.

Vi, algumas vezes, parar, falar com algumas pessoas que passavam, com outras que l� tinha seu comercio e ainda com aqueles que desmontavam as flores enormes que enchiam de cor e beleza a rua especialmente para aqueles dias. E sempre mantinha um certo pesar.. uma certa tristeza.

Do outro lado da rua, vestido a rigor, arrumado apesar da folia recente, se aproximava sem que ela percebesse... Tinha cabelos grisalhos, era alto, pisava decidido e firme... parou ao meio da rua e gritou-lhe!

Antes que ela virasse, reconheceu a voz.. percebia-se isso. Ficou alguns segundo im�vel.
Daqui de onde vi tudo acontecer fui-me envolvendo.... de certa forma estava a desvendar as cenas.. os sentimentos. J� nao eram estranhos o que meus olhos viam. E senti-me um deles.

Ela virou, tinha os olhos assustados e logo correu em dire�ao a ele.
Abra�aram-se longamente. Ele disse-lhe algumas palavras, que ela parecia aompreender. Ele voltou a falar-lhe... tinha gestos tranq�ilos.
Daqui vi quando olharam firmemente e definitivamente. Abra�aram-se outra vez. Ele virou-se.. continuou a caminhar at� que os olhos dela j� nao mais o alcan�ou.

Pensei que deveria descer, correr at� ela e perguntar-lhe se precisava de algo. Mas nao fiz. Tamb�m olhei at� que meus olhos nao mais podiam ve-la.

Acabei de fazer-lhe um poema.
Um dia talvez eu a entregue. Talvez nao!
Mas, jamais esquecerei do que (vi)vi!

fevereiro - 2005

11 fevereiro 2005

Nossas Palavras


Hoje todas as tuas palavras
Serao minhas palavras...
Nossas.

Estamos juntos e eu sinto a ti
Somos,
Olhares, car�cias
Beijos,
Desejos.

Palavras (nossas) sussurradas ao ouvido
Tuas maos espalham sobre meu corpo
Cores,
Suaves e fortes
E pintam em minha alma
Desenhos de n�s dois
Contornos da nossa paixao
Em luzes, tons
Matizes.

lualil 2005

10 fevereiro 2005

"H� em olhos humanos,
ainda que impressos numa tela, uma coisa terr�vel:
O grito clandestino de haver alma!...


O que prende meu olhar � uma tela
Nao sei quem a pintou. � um retracto
Vendido numa rua ao desbarato
Com moldura negra e bem singela

Nesse quadro simples mas tao belo
Onde mora um corpo de mulher
Sobressai um lindo malmequer
Numa longa madeixa de cabelo

Atr�s dela, o c�u em tom cinzento
No seu rosto a boca bem pequena
E uns olhos que me fitam com tal pena
Que tamb�m estristeci nesse momento

Segurando ansiosa um ramo de flores
Como primavera apertada contra o peito
Algumas delas com o caule j� desfeito
Sofrendo com ela as mesmas dores

A blusa aberta de peito decotado
Um la�o que lhe cai meio escondido
Entre as flores e o peito dividido
Repousa no seu seio envergonhado

Ela segura a primavera que lhe deram
Mas seu olhar aspira outro horizonte
E nem que o sol detr�s de si desponte
A libertar� da tela onde a prenderam

Esta mulher tao expressiva que nos fala
Pela desconhecida ma deste pintor
Tao triste, sem esperan�a, sem amor,
Requer que meditemos ao olh�-la

E nesta tela onde existe tanta dor
Nao posso entender quem nao entende
Que a liberdade nao se compra, nao se vende
Nunca se recusa seja a quem for!...


Albino Santos

09 fevereiro 2005

" de fazer chorar
quando o dia amanhece
eu vejo o FREvO acabar....
Oh quarta-feira ingrata..
chega tao depressa
s� pra contrariar!"

04 fevereiro 2005

"Acorda Recife acorda...
O carnaval j� come�ou,
no bairro de Sao jos�!..."


O Galo da Madrugada em Recife, Pernambuco, Brasil.

O Carnaval do Recife come�a (oficialmente)
sempre com o Galo da Madrugada,
no s�bado de Z� Pereira.

O Galo da Madrugada � considerado o Maior Bloco Carnavalesco do Planeta, conforme o GUINESS BOOK, o livro dos recordes, de 1995

01 fevereiro 2005

Seus Olhos



Seus olhos se eu sei pintar
O que os meus olhos cegou
Nao tinham luz de brilhar.
Era chama de queimar;
E o fogo que a ateou
Vivaz, eterno, divino,
Como facho do Destino.

Divino, eterno! e suave
Ao mesmo tempo: mas grave
E de tao fatal poder,
Que, num s� momento que a vi,
Queimar toda alma senti...
Nem ficou mais de meu ser,
Senao a cinza em que ardi.


Almeida Garrett