O fot�grafo e a escritora percorrem a cal�ada, vivem o Povo. Ele, escreve ideias e sentimentos com cada clique da sua m�quina fotogr�fica. Ela, obt�m as mais belas imagens com um simples pestanejar dos c�lios e a leveza da pena na escrita.
Depois que tudo acabou...
J� h� dois ou tres dias nao passava mais nenhum Bloco na Rua do Bom Jesus...
E o silencio habitual parecia se confundir com o eco dos sons das grandes orquestras carnavalescas. E ela continua l�.. andava lentamente de um lado para o outro a procura de algo ou de algu�m. Ainda fantasiada. Ainda Colombina.
Vi, algumas vezes, parar, falar com algumas pessoas que passavam, com outras que l� tinha seu comercio e ainda com aqueles que desmontavam as flores enormes que enchiam de cor e beleza a rua especialmente para aqueles dias. E sempre mantinha um certo pesar.. uma certa tristeza.
Do outro lado da rua, vestido a rigor, arrumado apesar da folia recente, se aproximava sem que ela percebesse... Tinha cabelos grisalhos, era alto, pisava decidido e firme... parou ao meio da rua e gritou-lhe!
Antes que ela virasse, reconheceu a voz.. percebia-se isso. Ficou alguns segundo im�vel.
Daqui de onde vi tudo acontecer fui-me envolvendo.... de certa forma estava a desvendar as cenas.. os sentimentos. J� nao eram estranhos o que meus olhos viam. E senti-me um deles.
Ela virou, tinha os olhos assustados e logo correu em dire�ao a ele.
Abra�aram-se longamente. Ele disse-lhe algumas palavras, que ela parecia aompreender. Ele voltou a falar-lhe... tinha gestos tranq�ilos.
Daqui vi quando olharam firmemente e definitivamente. Abra�aram-se outra vez. Ele virou-se.. continuou a caminhar at� que os olhos dela j� nao mais o alcan�ou.
Pensei que deveria descer, correr at� ela e perguntar-lhe se precisava de algo. Mas nao fiz. Tamb�m olhei at� que meus olhos nao mais podiam ve-la.
Acabei de fazer-lhe um poema.
Um dia talvez eu a entregue. Talvez nao!
Mas, jamais esquecerei do que (vi)vi!
fevereiro - 2005
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