06 maio 2005

O sorriso dos Afogados

Os p�ssaros voavam no c�u, como se voassem num mundo mais justo. Corriam nesse mundo s� de claridade, nesse c�u. Voavam felizes. As nuvens ainda mais acima, mais longe de tudo, mais perfeitas, eram pequenas manchas brancas a mostrar que a lonjura do c�u � tao infinita. C� em baixo, dezenas de pessoas talvez falassem. C� em baixo, a terra, este mundo e dezenas de pessoas talvez preocupadas, a mexerem-se sem sa�rem do lugar. Passava uma aragem pelos campos, pelas pedras, pelas moitas, pelas ervas mi�das, deslizava pela superf�cie da barragem. L� muito ao fundo, o sol quase tocava no cabe�o do outro lado da barragem. A luz estendia-se pelas �guas, pela terra, e batia naquela multidao inquieta, e estendia-lhes as sombras sobre a terra. Estendia-lhes o desassossego.

Jos� Lu�s Peixoto
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