Como chuva de verao
A nossa poesia permanece inacabada
Como um sonho interrompido
Abruptamente,
E ainda sonolenta,
Repete palavras como um eco
Que o vento dissipa vagarosamente.
A nossa poesia,
Lembro...
Cheirava a terra molhada
Pela chuva intensa e passageira de verao
E era feita de maos, olhares e sorrisos
Que a sombra da noite ocultou
A nossa poesia permanece inacabada
Desenhando, no silencio da madrugada fria,
letras
Que me fogem ao raiar do dia.
O nosso sonho � uma poesia inacabada.
Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente.
Traduzir uma parte na outra parte - que é uma questão de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
29 junho 2005
28 junho 2005
E o "Arrai�" continua...
A Festa dos Tres Santos
A Festa dos Tres Santos

� no m�nimo curioso que a Igreja cat�lica re�na, na mesma festa, um doutor, um profeta e um ap�stolo. O ciclo junino, que tem come�o a 13 de junho e que vai at� 29 de junho, � o mais genu�no dos grupos festivos, englobando cren�as antigas, tradi�oes e costumes t�picos do nordeste brasileiro, associando o culto agr�rio da colheita do milho, ao conjunto de manifesta�oes art�sticas e culturais mais representativas do povo, destacando-se a culin�ria.
O ciclo junino faz a transi�ao entre a vida rural, celebrada em certas �pocas, como no plantio e colheita do milho, quando as casas e arruados se transformam em arraiais, nos quais nao faltam as comidas de milho e coco, e a vida urbana, essencialmente consumidora, como um mercado de usu�rios que guardam os velhos h�bitos como forma de construir a identidade social.
As festas come�am, na verdade, no dia 1(primeiro) de junho � com o trezen�rio de Santo Antonio � correm pelos dias dedicados a Sao Joao, e terminam com a louva�ao a Sao Pedro, dando a cada um os tra�os caracter�sticos com os quais sao reconhecidos pelo povo brasileiro. Santo Antonio � um casamenteiro, mas tamb�m um santo de milagres, atento a atender as demandas dos seus fi�is, atribuindo-se a ele a defesa do Brasil, por exemplo, o que teria levado as autoridades portuguesas e brasileiras a consider�-lo um protetor , dando-lhe patentes e soldos � no Imp�rio e da Rep�blica -, e, como ainda hoje, em Igarassu, Pernambuco, onde Santo Antonio � vereador. Sao Joao, que batizou Jesus, � um porto seguro de f�, vinculado a fam�lia do Salvador, mas tamb�m em torno do seu nome existem muitas cren�as, adivinha�oes e sortes vinculadas ao casamento. � em torno de Sao Joao que a festa ganha seus contornos mais populares, com a capela, a fogueira, os h�bitos de compadrio, a mesa farta.
Sao Pedro, fundador da Igreja, disc�pulo direto e dileto de Jesus, santificado em seu mart�rio, ampara os injusti�ados, estimula os pescadores de almas, complementando o ciclo de junho. Ele � o guardiao das portas do c�u � tamb�m considerado o protetor das vi�vas e dos pescadores. Sao Pedro foi um dos doze ap�stolos e o dia 29 de junho foi dedicado a ele. Como o dia 29 tamb�m marca o encerramento das comemora�oes juninas, � nesse dia que h� o roubo do mastro de Sao Joao, que s� ser� devolvido no final de semana mais pr�ximo. A fogueira de Sao Pedro tem forma triangular.
O povo ve Sao Pedro como o "porteiro do c�u", o manda-chuva e o padroeiro dos pescadores. A presen�a dele na tradi�ao oral portuguesa e brasileira � constante. Quando come�a a trovejar, as crian�as sempre ouvem dizer que "� a barriga de Sao Pedro que est� roncando" ou que "Sao Pedro est� mudando os m�veis do c�u de lugar". E, quando chove mesmo, "� Sao Pedro que est� lavando o chao do c�u".
fonte: Cultura
27 junho 2005
Ora�ao Subordinada
Nao nasci uma ora�ao coordenada. Fiz-me subordinada
Subordinei meus olhos ao verde das �rvores, ao infinito da visao.
Subordinei meus ouvidos as melodias entoadas ao vento, ao barulho das folhas...
Ao som do mar.
Subordinei minhas maos a tua pele e fiz minha pele subordinada as tuas maos.
Meu andar subordinou-se ao tempo
O tempo subordinou a minha razao
Meu respeito aos teus sentidos
Minha boca e palavra ao meu cora�ao, subordinei.
Assim me vi coordenando palavras, gestos e emo�oes
Numa ora�ao subordinada coordenadamente a mim...
Nao nasci uma ora�ao coordenada. Fiz-me subordinada
Subordinei meus olhos ao verde das �rvores, ao infinito da visao.
Subordinei meus ouvidos as melodias entoadas ao vento, ao barulho das folhas...
Ao som do mar.
Subordinei minhas maos a tua pele e fiz minha pele subordinada as tuas maos.
Meu andar subordinou-se ao tempo
O tempo subordinou a minha razao
Meu respeito aos teus sentidos
Minha boca e palavra ao meu cora�ao, subordinei.
Assim me vi coordenando palavras, gestos e emo�oes
Numa ora�ao subordinada coordenadamente a mim...
25 junho 2005
Cada um � cada um!
Somos muitos e muitos no mundo.. e somos tao diferentes!
Somos diferentes at� mesmo os que vivem no mesmo pa�s, na mesma cidade, na mesma comunidade, na mesma fam�lia... e devemos ser vistos assim.. diferentes!
Custa-me ouvir as pessoas nivelarem a todos e pior.. nivelarem por baixo!
J� ando querendo perder as estribeiras com isso!
E mais nao digo!
Somos muitos e muitos no mundo.. e somos tao diferentes!
Somos diferentes at� mesmo os que vivem no mesmo pa�s, na mesma cidade, na mesma comunidade, na mesma fam�lia... e devemos ser vistos assim.. diferentes!
Custa-me ouvir as pessoas nivelarem a todos e pior.. nivelarem por baixo!
J� ando querendo perder as estribeiras com isso!
E mais nao digo!
24 junho 2005
Corrente do cinema
O vicktor do Oficina das id�ias me repassou.. aqui estao minhas respostas..
P1: Qual o �ltimo filme que viste no cinema?
R1: Na sessao de arte �Sylvia, amor al�m da Paixao�. O filme conta a hist�ria da complicada rela�ao entre dois dos maiores poetas do s�culo 20 - Sylvia Plath e Ted Hughes.
P2: Qual a tua sessao preferida?
R2: A �ltima sessao.
P3: Qual o primeiro filme que te fascinou?
R3: ��Dio come ti amo� nem lembro ao certo a idade que eu tinha.. mas lembro que era um romance lindo.. deve ter sido a� que comecei a ser a romantica incorrig�vel que sou! Ainda escuto a melodia do filme...
P4: Para que filme gostarias de ser transportado?
R4: Nunca pensei a s�rio nisso.. mas, penso sempre quando estou assistindo um bom filme. Portanto, o ultimo filme que vi e que senti uma enorme vontade de ser transportada foi o filme �Um sol sobre a toscana�
P5: E, j� agora, qual a personagem de filme terias gostado de conhecer um dia?
R5: Ah.. pode ser um personagem real?! Em �O carteiro e o poeta� Neruda deixou em mim ainda mais forte esse desejo.
P6: Que actor(actriz)/produtor(a)/realizador(a)/argumentista gostarias de convidar para jantar?
R6: Ator, seria o Nicolas Cage... atriz, Whoopi Goodberg e o realizador tenho quase a certeza que queria estar com o Pedro Almod�var!
P7: A quem vais passar o testemunho?
R7: Passo este testemunho ao OldMirror que penso amar o cinema...
O vicktor do Oficina das id�ias me repassou.. aqui estao minhas respostas..
P1: Qual o �ltimo filme que viste no cinema?
R1: Na sessao de arte �Sylvia, amor al�m da Paixao�. O filme conta a hist�ria da complicada rela�ao entre dois dos maiores poetas do s�culo 20 - Sylvia Plath e Ted Hughes.
P2: Qual a tua sessao preferida?
R2: A �ltima sessao.
P3: Qual o primeiro filme que te fascinou?
R3: ��Dio come ti amo� nem lembro ao certo a idade que eu tinha.. mas lembro que era um romance lindo.. deve ter sido a� que comecei a ser a romantica incorrig�vel que sou! Ainda escuto a melodia do filme...
P4: Para que filme gostarias de ser transportado?
R4: Nunca pensei a s�rio nisso.. mas, penso sempre quando estou assistindo um bom filme. Portanto, o ultimo filme que vi e que senti uma enorme vontade de ser transportada foi o filme �Um sol sobre a toscana�
P5: E, j� agora, qual a personagem de filme terias gostado de conhecer um dia?
R5: Ah.. pode ser um personagem real?! Em �O carteiro e o poeta� Neruda deixou em mim ainda mais forte esse desejo.
P6: Que actor(actriz)/produtor(a)/realizador(a)/argumentista gostarias de convidar para jantar?
R6: Ator, seria o Nicolas Cage... atriz, Whoopi Goodberg e o realizador tenho quase a certeza que queria estar com o Pedro Almod�var!
P7: A quem vais passar o testemunho?
R7: Passo este testemunho ao OldMirror que penso amar o cinema...
22 junho 2005
Sao Joao - 24 de junho

Esse santo � o respons�vel pelo t�tulo de "santo festeiro", por isso, no dia 24 de junho, dia do seu nascimento, as festas sao recheadas de muita dan�a, em especial o forr�.
No Nordeste do Pa�s, existem muitas festas em homenagem a Sao Joao, que tamb�m � conhecido como protetor dos casados e enfermos, principalmente no que se refere a dores de cabe�a e de garganta.
No Nordeste do Pa�s, existem muitas festas em homenagem a Sao Joao, que tamb�m � conhecido como protetor dos casados e enfermos, principalmente no que se refere a dores de cabe�a e de garganta.
Alguns s�mbolos sao conhecidos por remeterem ao nascimento de Sao Joao, como a fogueira, o mastro, os fogos, a capelinha, a palha e o manjericao.
Existe uma lenda que diz que os fogos de artif�cio soltados no dia 24 sao "para acordar Sao Joao". A tradi�ao acrescenta que ele adormece no seu dia, pois, se ficasse acordado vendo as fogueiras que sao acesas em sua homenagem, nao resistiria e desceria a terra.
As fogueiras dedicadas a esse santo tem forma de uma pir�mide com a base arredondada.
O levantamento do mastro de Sao Joao se d� no anoitecer da v�spera do dia 24. O mastro, composto por uma madeira resistente, roli�a, uniforme e lisa, carrega uma bandeira que pode ter dois formatos, em triangulo com a imagem dos tres santos, Sao Joao, Santo Antonio e Sao Pedro; ou em forma de caixa, com apenas a figura de Sao Joao do carneirinho. A bandeira � colocada no topo do mastro.
O respons�vel pelo mastro, que � chamado de "capitao" deve, juntamente com o "alferes da bandeira", respons�vel pela mesma, sair da v�spera do dia em dire�?o ao local onde ser� levantado o mastro.
Conta a tradi�ao que a bandeira deve ser colocada por uma crian�a que lembre as fei�oes do santo.
O levantamento � acompanhado pelos devotos e por um padre que realiza as ora�oes e benze o mastro.
Uma outra tradi�ao muito comum � a lavagem do santo, que � feita por seu padrinho, pessoa que est� pagando por alguma gra�a alcan�ada.
A lavagem geralmente � feita a meia-noite da v�spera do dia 24 em um rio, riacho, lagoa ou c�rrego. O padrinho recebe da madrinha a imagem do santo e lava-o com uma cuia, caneca ou concha. Depois da lavagem , o padrinho entrega a imagem a madrinha que a seca com uma toalha de linho.
Durante a lavagem � comum lavar os p�s, rosto e maos dos santos com o intuito de prote�ao, por�m, diz a tradi�ao que se alguma pessoa olhar a imagem de Sao Joao refletida na �gua iluminada pelas velas da procissao, nao estar� vivo para a procissao do ano seguinte.
A origem da Festa Junina no Brasil e suas influncias

Junho � o mes de Sao Joao, Santo Antonio e Sao Pedro. Por isso, as festas que acontecem em todo o mes de junho sao chamadas de "Festa Joanina", especialmente em homenagem a Sao Joao.
O nome joanina teve origem, segundo alguns historiadores, nos pa�ses europeus cat�licos no s�culo IV. Quando chegou ao Brasil foi modificado para junina. Trazida pelos portugueses, logo foi incorporada aos costumes dos povos ind�genas e negros.
A influencia brasileira na tradi�ao da festa pode ser percebida na alimenta�ao, quando foram introduzidos o aipim (mandioca), milho, jenipapo, o leite de coco e tamb�m nos costumes, como o forr�, o boi-bumb�, a quadrilha e o tambor-de-crioula. Mas nao foi somente a influencia brasileira que permaneceu nas comemora�oes juninas. Os franceses, por exemplo, acrescentaram a quadrilha, passos e marca�oes inspirados na dan�a da nobreza europ�ia. J� os fogos de artif�cio, que tanto embelezam a festa, foram trazidos pelos chineses.
A dan�a-de-fitas, bastante comum no sul do Brasil, � origin�ria de Portugal e da Espanha.
Para os cat�licos, a fogueira, que � maior s�mbolo das comemora�oes juninas, tem suas ra�zes em um trato feito pelas primas Isabel e Maria. Para avisar Maria sobre o nascimento de Sao Joao Batista e assim ter seu aux�lio ap�s o parto, Isabel acendeu uma fogueira sobre o monte.
No Nordeste do pa�s, existe uma tradi�ao que manda que os festeiros visitem em grupos todas as casas onde sejam bem-vindos levando alegria. Os donos das casas, em contrapartida, mantem uma mesa farta de bebidas e comidas t�picas para servir os grupos. Os festeiros acreditam que o costume � uma maneira de integrar as pessoas da cidade. Essa tradi�ao tem sido substitu�da por uma grande festa que re�ne toda a comunidade em volta dos palcos onde prevalecem os estilos tradicionais e mecanicos do forr�.
Fonte: Arte-educa�ao
Fonte: Arte-educa�ao
19 junho 2005
Suspensao da cotidianidade
Com meus p�s andei os mesmos passos
Como os passos de ontem e os de antes de ontem
E andei mais um peda�o do meu caminho
Passei pelas mesmas ruas
Vi as mesmas pra�as
As mesmas �rvores
E assim... tamb�m l� estavam
As mesmas estrelas no c�u
E certamente brilhavam como ontem,
Como antes de ontem
Como brilham todos os dias
A iluminar todos os caminhos
Por�m, meu olhos
Os mesmos de ontem e de antes de ontem
Viam todas as coisas hoje
Como se as adivinhassem amanha
Diferentes de ontem e de antes de ontem
Hoje as ruas me pareciam
Falar de outros passos, de outros p�s
As pra�as me sussurravam
As mem�rias de toda uma gente
As �rvores, estas uma a uma
Mostravam-me o seu tom
E eu... diminuindo meus passos
Percebi...
Que meus olhos estavam diferentes
Dos de ontem e dos de antes de ontem.
Com meus p�s andei os mesmos passos
Como os passos de ontem e os de antes de ontem
E andei mais um peda�o do meu caminho
Passei pelas mesmas ruas
Vi as mesmas pra�as
As mesmas �rvores
E assim... tamb�m l� estavam
As mesmas estrelas no c�u
E certamente brilhavam como ontem,
Como antes de ontem
Como brilham todos os dias
A iluminar todos os caminhos
Por�m, meu olhos
Os mesmos de ontem e de antes de ontem
Viam todas as coisas hoje
Como se as adivinhassem amanha
Diferentes de ontem e de antes de ontem
Hoje as ruas me pareciam
Falar de outros passos, de outros p�s
As pra�as me sussurravam
As mem�rias de toda uma gente
As �rvores, estas uma a uma
Mostravam-me o seu tom
E eu... diminuindo meus passos
Percebi...
Que meus olhos estavam diferentes
Dos de ontem e dos de antes de ontem.
16 junho 2005
Revisitar sua hist�ria, seu passado e cheiros.. sua emo�ao.
Foi assim que nasceu este texto fantasticamente po�tico da minha grande amiga Rosana Delane.
Como foi bom ler isso... minha alma, tamb�m vestida de flores, sentiu-se livre!
Candonga
A sombra da mangueira, a rede no terreiro;
O meu reino de chao batido.
O cheiro, a fuma�a da castanha assando no quintal
O banco de tronco, os risos nas conversas
na visita de Maria de Urubano.
Os gritos dos meninos, dos velhos
Os dias de santo e de feira,
Os cuidados com as roupas no varal.
Eu sempre fui livre. E tudo era milagre.
Tudo vinha com o tempo,
O mesmo vento que trazia com a chuva,
raios e trovoes.
Eu sempre tive tudo...
O cheiro de terra molhada, o banho de chuva
Com o meu vestido de florzinha � como aquelas
Que eu colhia na estrada,
quando ia l� na casa de titipedro (O tio do meu av�)
O gosto de manga escorrendo com a chuva
pelos bra�os...
Tinha tudo o que eu queria,
tudo o que eu colhia, subindo em �rvores...
O cheiro e o calor do caf� na cozinha,
A melodia da voz da minha av�,
As batidas de talheres e pratos...
Uma cantiga do tempo de menina!
A noite, perto do candeeiro, eu brincava
com os espectros das sombras nas paredes,
pressentindo as almas...
E como uma velha Xama, velava
olhando l� fora,
O escuro da mata...
� a noite que as �rvores sso encantadas!
Nesse tempo(e espa�o) o amanhecer tinha cheiro,
E as coisas o sabor do lugar.
E � �por ser de l� que a noite
Fico encantada com as �rvores
� �por ser de l� que, quando chove,
espero raios, ou�o trovoes...
E minha alma, vestida de flores,
corre l� fora...
Rosana Delane
29.05.2005
Foi assim que nasceu este texto fantasticamente po�tico da minha grande amiga Rosana Delane.
Como foi bom ler isso... minha alma, tamb�m vestida de flores, sentiu-se livre!
Candonga
A sombra da mangueira, a rede no terreiro;
O meu reino de chao batido.
O cheiro, a fuma�a da castanha assando no quintal
O banco de tronco, os risos nas conversas
na visita de Maria de Urubano.
Os gritos dos meninos, dos velhos
Os dias de santo e de feira,
Os cuidados com as roupas no varal.
Eu sempre fui livre. E tudo era milagre.
Tudo vinha com o tempo,
O mesmo vento que trazia com a chuva,
raios e trovoes.
Eu sempre tive tudo...
O cheiro de terra molhada, o banho de chuva
Com o meu vestido de florzinha � como aquelas
Que eu colhia na estrada,
quando ia l� na casa de titipedro (O tio do meu av�)
O gosto de manga escorrendo com a chuva
pelos bra�os...
Tinha tudo o que eu queria,
tudo o que eu colhia, subindo em �rvores...
O cheiro e o calor do caf� na cozinha,
A melodia da voz da minha av�,
As batidas de talheres e pratos...
Uma cantiga do tempo de menina!
A noite, perto do candeeiro, eu brincava
com os espectros das sombras nas paredes,
pressentindo as almas...
E como uma velha Xama, velava
olhando l� fora,
O escuro da mata...
� a noite que as �rvores sso encantadas!
Nesse tempo(e espa�o) o amanhecer tinha cheiro,
E as coisas o sabor do lugar.
E � �por ser de l� que a noite
Fico encantada com as �rvores
� �por ser de l� que, quando chove,
espero raios, ou�o trovoes...
E minha alma, vestida de flores,
corre l� fora...
Rosana Delane
29.05.2005
15 junho 2005
13 junho 2005
Eternamente...
Eugenio de Andrade!

Quando a ternura
parece j� do seu of�cio fatigada,
OUSADIA
(repostagem)
Eugenio e eu...
A boca,
Onde o fogo
De uma verao
Muito antigo
Cintila,
(que pode uma boca
Esperar
Senao outra boca?)
Espera o ardor
Do vento
Para ser ave,
E cantar.
Eugenio de Andrade
Os olhos,
Curiosos
Que buscam Esta�oes
De todos os mundos
Os olhos esperam,
(que pode meus olhos
Desejar
Senao os teus olhos no meu olhar?)
Esperam em imenso horizonte
Desvendar os mist�rios
Das tuas palavras,
E me encontrar.
liliana miranda
Eugenio de Andrade!

O Silencio
Quando a ternura
parece j� do seu of�cio fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,
inda demora,
quando azuis irrompem
os teus olhos
os teus olhos
e procuram
nos meus navega�ao segura,
nos meus navega�ao segura,
� que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
desamparadas e desertas,
pelo silencio fascinadas
Eugenio de Andrade
OUSADIA
(repostagem)
Eugenio e eu...
A boca,
Onde o fogo
De uma verao
Muito antigo
Cintila,
(que pode uma boca
Esperar
Senao outra boca?)
Espera o ardor
Do vento
Para ser ave,
E cantar.
Eugenio de Andrade
Os olhos,
Curiosos
Que buscam Esta�oes
De todos os mundos
Os olhos esperam,
(que pode meus olhos
Desejar
Senao os teus olhos no meu olhar?)
Esperam em imenso horizonte
Desvendar os mist�rios
Das tuas palavras,
E me encontrar.
liliana miranda
12 junho 2005
H� coment�rios que sao poesias.
Em resposta ao meu �sorriso�, o meu muito querido amigo Vicktor, me sorriu assim...
Entao...
Sempre que sorris meus olhos brilham
Nao importa o que dizes
Pois o teu sentir
Vai muito al�m das palavras
Das frases, do romance
Teu sorriso � o sonho
� a magia
Que no cruzar da vida
Do querer
Dois sorrisos num s� sao o caminho
Sorriso
Em resposta ao meu �sorriso�, o meu muito querido amigo Vicktor, me sorriu assim...
Entao...
Sempre que sorris meus olhos brilham
Nao importa o que dizes
Pois o teu sentir
Vai muito al�m das palavras
Das frases, do romance
Teu sorriso � o sonho
� a magia
Que no cruzar da vida
Do querer
Dois sorrisos num s� sao o caminho
Sorriso
10 junho 2005
Meu pr�ncipe Felipe!
Nem te chamas Felipe mas, sempre brincamos assim.. eu a te chamar de meu pr�ncipe Felipe. Deve ter sido alguma hist�ria que acompanhamos juntos.. mas lembro que fechava os olhos, como a bela adormecida, e tu vinhas me beijar para me despertar ...
e ao abrir os olhos eras tu todo sorriso!
Ainda hoje, chamo-te meu pr�ncipe Felipe... ainda hoje, tu me fazes ver em teus olhos e no teu sorriso um mundo m�gico como o mundo dos contos de fadas.
Sou, me fazes, uma rainha desde quando vieste para mim.
Trouxeste-me uma felicidade plena. Inexplic�vel.
Meu pr�ncipe, 16 anos � uma idade linda! Aproveita este teu brilho no olhar e acredite sempre na magia do nosso reino encantado!
Deixa-me ser sempre a tua rainha... meu eterno pr�ncipe Felipe!
Meu pr�ncipe, 16 anos � uma idade linda! Aproveita este teu brilho no olhar e acredite sempre na magia do nosso reino encantado!
Deixa-me ser sempre a tua rainha... meu eterno pr�ncipe Felipe!
... e j� agora ao som do baterista nota 10!
Amo-te imensamente! Feliz anivers�rio!
Amo-te imensamente! Feliz anivers�rio!
08 junho 2005
07 junho 2005
03 junho 2005
� preciso estar distante
Enquanto a chuva cai...
Meus dedos retomam o caminho que me levam at� a ti
E desenham no teu corpo, palavras
as que um dia, nossas bocas sussurraram
Enquanto a m�sica toca...
Meus ouvidos te ouvem em melodia
E minha pele colada a tua,
Dan�a
Enquanto a noite existe...
Meu amor persiste em mim
E te relembro os gestos,
Os risos
Enquanto a chuva cai...
E os pingos escorrem na janela,
meu corpo arde tremendo de frio
Porque existes em mim,
Enquanto permaneces assim... distante!
Enquanto a chuva cai...
Meus dedos retomam o caminho que me levam at� a ti
E desenham no teu corpo, palavras
as que um dia, nossas bocas sussurraram
Enquanto a m�sica toca...
Meus ouvidos te ouvem em melodia
E minha pele colada a tua,
Dan�a
Enquanto a noite existe...
Meu amor persiste em mim
E te relembro os gestos,
Os risos
Enquanto a chuva cai...
E os pingos escorrem na janela,
meu corpo arde tremendo de frio
Porque existes em mim,
Enquanto permaneces assim... distante!
02 junho 2005
01 junho 2005
A Arte do Amor
Poemas de Amaru
na voz da atriz Fernando Montenegro
Uma sobrancelha arcada abrigava pura ira,
o singelo silencio, uma cadeia.
Um sorriso se traduzia em s�plica,
Um olhar era entrega e vassalagem.
Esse foi, ontem, o nosso amor.
Contempla hoje as ru�nas em que jaz.
Tu continuas a meus p�s, buscando perdao,
e eu nao me desenredo de minha indigna�ao. "
Irsyamana
Orgulho ferido por infidelidade ou inconstancia II
na voz da atriz Fernando Montenegro
O amor al�m de n�s passou...
Romperam-se os la�os de nossa afei�ao.
Esgotou-se a aten�ao com que nos nutrimos,
e como perfeitos estranhos, nos saudamos.
E aindaque eu recorde os dias passados,
nao sei por que razao
meu cora�ao nao se parte
em centenas de peda�os.
Poemas de Amaru

A bailarina indiana Madhavi Mudgal dan�ando n�mero baseado em poema de Amaru
�NDIA, C. S�C. 7
Acredita-se que o autor tenha vivido em cortes indianas requintadas na passagem do sexto para o s�timo s�culo. Alguns lhe atribuem filia�ao shiva�ta, por�m nos poemas os deuses sao raramente citados e quando o autor o faz � em compara�ao negativa, para enaltecer a rela�ao amorosa e a for�a dos sentidos.
�NDIA, C. S�C. 7
Acredita-se que o autor tenha vivido em cortes indianas requintadas na passagem do sexto para o s�timo s�culo. Alguns lhe atribuem filia�ao shiva�ta, por�m nos poemas os deuses sao raramente citados e quando o autor o faz � em compara�ao negativa, para enaltecer a rela�ao amorosa e a for�a dos sentidos.
A tradi�ao liter�ria separou esses poemas escritos em s�nscrito em dois blocos: "Amor em Uniao" (Sambogha) e "Amor em Separa�ao" (Vipralambha). Com enorme poder de s�ntese, e ao mesmo tempo com detalhes preciosos, descrevem encontros amorosos e cenas de ci�mes, bem como a dor da separa�ao do ser amado.
O extase e o ex�lio amorosos sao, por outro lado, evidentes met�foras da uniao m�stica com o Divino.
Pranayamana - Querelas entre amantes
na voz da atriz Fernando Montenegro
"Deixa-me ver o que ela faz", (pensei)
e quieto espreitei, sem esbo�ar movimento.
"Por que nao diz nada, esse manhoso?",
pensou ela, e um azedume ensaiou.
Furtivamente nos olhamos, fingindo distra�ao,
e entao, nesse instante de distanciamento,
ri inesperadamente, por uma razao qualquer.
Ela desesperou-se, e seu pranto toda a razao apagou.
Irsyamana
Orgulho ferido por infidelidade ou inconstancia IPranayamana - Querelas entre amantes
na voz da atriz Fernando Montenegro
"Deixa-me ver o que ela faz", (pensei)
e quieto espreitei, sem esbo�ar movimento.
"Por que nao diz nada, esse manhoso?",
pensou ela, e um azedume ensaiou.
Furtivamente nos olhamos, fingindo distra�ao,
e entao, nesse instante de distanciamento,
ri inesperadamente, por uma razao qualquer.
Ela desesperou-se, e seu pranto toda a razao apagou.
Irsyamana
na voz da atriz Fernando Montenegro
Uma sobrancelha arcada abrigava pura ira,
o singelo silencio, uma cadeia.
Um sorriso se traduzia em s�plica,
Um olhar era entrega e vassalagem.
Esse foi, ontem, o nosso amor.
Contempla hoje as ru�nas em que jaz.
Tu continuas a meus p�s, buscando perdao,
e eu nao me desenredo de minha indigna�ao. "
Irsyamana
Orgulho ferido por infidelidade ou inconstancia II
na voz da atriz Fernando Montenegro
O amor al�m de n�s passou...
Romperam-se os la�os de nossa afei�ao.
Esgotou-se a aten�ao com que nos nutrimos,
e como perfeitos estranhos, nos saudamos.
E aindaque eu recorde os dias passados,
nao sei por que razao
meu cora�ao nao se parte
em centenas de peda�os.
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