30 março 2006

Fuja das tentações, mas devagar, para que elas possam te alcançar...
anônimo

29 março 2006

amor meu

Contigo descobri que o amor pode ter novas dimensões. Que, na penumbra, a tua face adormecida é capaz de iluminar-me a alma, fazendo-me feliz por saber que me tens no teu coração todo o tempo.
E deixamos que as crianças em nós brinquem e sorriam de felicidade, enquanto descobrimos cada recanto dos nossos corpos, com admiração pela forma como se ajustam.
Em ti recordei que sempre quisera amar sem restrições, perdidamente, enleado na tua meiguice e no fogo da tua paixão.
Cruzamos espadas com o mesmo vigor que nos amamos, sentindo o sexo em cada dia, como se dele dependesse o nosso respirar.
Para mim este amor nasceu dum olhar perdido que procurava um horizonte para repousar. E, enquanto eu fui o sol que te iluminou o céu, tu foste o mar que me devolveu à vida.
Quero para sempre embalar-te nas minhas asas e ouvir o teu canto, para que novas estrelas possam brilhar...

Daniel Aladiah

25 março 2006

Agora sei

óleo - Alexandra


Talvez eu não soubesse ao certo
O que me fazias sentir

Deixei-te partir
E das coisas que deixaste em mim
Fugiu com o tempo o teu rosto, as tuas expressões
Teus olhos vivos, claros
Teu sorriso livre, aberto

E em algumas noites quando a ausência de ti doe-me a alma
Revisito nossos momentos,
Refaço nossos caminhos
E a tua voz baixinha balbucia ao meu ouvido
O meu nome, o teu desejo de mim
Meu corpo estremece e outra vez encontra o teu
E minhas mãos desenham o contorno de ti

Mesmo sem teus olhos, vivos, claros,
Sem tua boca doce, sei que estás aqui

Talvez eu não soubesse ao certo
O que me fazias sentir
Agora sei.

ah.. o amor!!
Algumas pessoas conseguem deixar que o amor as transforme... a estas a minha admiração, às outras, quiçá como eu, que não desistam de tentar!




* Joaquin... tenho que te agradecer!

21 março 2006

um grande POETA

Hoje, em especial, debruço-me sobre as tuas palavras e deixo-me levar pelos teus vocábulos repletos de sorrisos, de lágrimas, de luta, de sonhos, de emoções... de vida!


Vocábulos amados... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho...São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas... E então as revolvo, agito-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as... Deixo-as como estalactites em meu poema como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda... Tudo está na palavra... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que lhe obedeceu... Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que se lhes foi agregado de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes... São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada... (Confesso que vivi, p.57-8 Pablo Neruda)

19 março 2006

sentir o povo que vive

O fotógrafo e a escritora reencontram-se na calçada que percorrem tranquilamente. Ele escreve sentires com cada clique de sua câmera fotográfica. Ela, cria as mais belas imagens com um singelo movimento dos cílios

Um livro especial

O Fotógrafo seguia calçada acima com passos determinados de quem sabe bem o destino que terá a sua caminhada. Na mão um pequeno livro de capa em variadas tonalidades de cinza onde sobressai um pequeno circulo vermelho, um selo talvez, autocolante dizendo somente “2ª edição”.

Tem a certeza que ao chegar lá mais acima ao largo empedrado onde brinca a criançada na liberdade daquele espaço comunitário vai encontrar a Escritora que com a sua costumada pontualidade já o esperará. Tem o Fotógrafo a certeza que a irá surpreender com a oferta daquele livro que transporta na sua mão.

_Minha querida Escritora, sabia que te iria aqui encontrar...
_Em que outro local se poderia dar este “ocasional” encontro? É aqui que os jasmineiros mais odor emanam...
_É verdade! O curioso é que nesta altura do ano em Portugal os jasmineiros cobrem-se de brancas flores... e o seu odor continua aqui na calçada.

O Fotógrafo estendeu a mão à escritora e entregou-lhe o pequeno livro: “Poemas de Fernando Pessoa”. Os olhos da Escritora brilharam de contentamento, procurou ansiosamente a dedicatória que acompanharia, por certo, a oferta...

“Doce (Escritora). Nos encontros e desencontros das palavras de Pessoa sempre encontramos a esperança que ele muitas vezes procurou ocultar. “Entre o Sono e o Sonho” foi o início duma profunda amizade. Um beijo.”

E um soneto de Pessoa na sua fase do Simbolismo e Pós-Simbolismo:

“Ó tocadora de harpa, se eu beijasse
Teu gesto, sem beijar tuas mãos!,
E, beijando-o, descesse plos desvãos
Do sonho, até que enfim eu o encontrasse

Tornado Puro Gesto, gesto-face
Da medalha sinistra – reis cristãos
Ajoelhando, inimigos e irmãos,
Quando processional o andor passasse!...

Teu gesto que arrepanha e se extasia...
O teu gesto completo, lua fria
Subindo, e embaixo, negros, os juncais...

Caverna em estalactites, o teu gesto...
Não poder prendê-lo, fazer mais
Que vê-lo e que perdê-lo!... E o sonho é o resto...”

* momentos de encatamento escrito pelo meu querido amigo Vicktor do OFICINA DAS IDÉIAS . Agradeço a ti sempre... beijos.

18 março 2006

Uma canção


Alguns goles de martini
enquanto saboreio pensamentos,
ouço sussurros de palavras silenciosas
e levo-me ao som desta canção.

Mais um trago,
e a tua voz vem da canção.
Passas por mim uma vez,
duas, três
outro trago,
e insistes em me sorrir com olhos
outro martini,
enquanto resisto ao teu sorriso.

16 março 2006

Quando estás ao meu lado a noite tem mais brilho...

14 março 2006

Noite estrelada, estrelada




Van Gogh (1853-1890)

Pinte sua paleta azul e cinza
Olhe para um dia de verão
Com olhos que sabem da escuridão em minha alma
Sombras nas colinas
Esboçam as árvores e os narcisos
Colhem a brisa e os frios de inverno
Em cores na planície sob a neve

Agora eu compreendo
O que você tentou dizer a mim
Como sofreu por sua sanidade
Como tentou os libertar
Eles não ouviriam, não saberiam como
talvez escutem agora

Noite estrelada, estrelada
Flores flamejantes que brilham clarões
Nuvens girando em névoa violeta
Refletem nos olhos de Vincent porcelana azul
Cores mudando em matizes
Campos matutinos de grãos dourados
Faces desgastadas estampadas em dor
são suavizadas sob as mãos amantes do artista

Agora eu compreendo
O que você tentou dizer a mim
Como sofreu por sua sanidade
Como tentou os libertar
Eles não ouviriam, não saberiam como
talvez escutem agora

Pois não o puderam amar
Ainda que verdadeiro seu amor
E quando não havia esperança
Naquela noite estrelada, estrelada
Você doou sua vida, como fazem os amantes
Mas eu poderia lhe dizer, Vincent
Este mundo nunca teve sentido
Para alguém como você

Noite estrelada, estrelada
Retratos pendem em corredores vazios
Cabeças sem molduras em muros sem nome
Com olhos que observam e não podem esquecer
Como os estranhos que você encontrou
Homens esfarrapados em trajes esfarrapados
o espinho prateado da rosa em sangue
Jaz esmagado sob a neve virgem

Agora penso que sei
O que você tentou dizer a mim
Como sofreu por sua sanidade
Como tentou os libertar
Não ouviram e ainda não ouvem
Talvez nunca irão

Don McLean

11 março 2006

somesmo


(clicar na imagem)

letra, movimento, voz e teclado: Fred Girauta

10 março 2006

You Are
Welcome To Elsinore


Entre nós
e as palavras há metal fundente
Entre nós e as palavras há hélices que andam
E podem dar-nos morte violar-nos tirar
Do mais fundo de nós o mais útil segredo
Entre nós
e as palavras há perfis ardentes
Espaços cheios de gente de costas
Altas flores venenosas portas por abrir
E escadas e ponteiros e crianças sentadas
À espera do seu tempo e do seu precipício
Ao longo da
muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas,que esperam por nós
E outras frágeis,que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens,palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição
Entre nós
e as palavras,surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor
E há
palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita
Entre nós
e as palavras ,os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.

Mário Cesariny

09 março 2006

mão mão mão mão mão mão mão

mão mão mão mão mão mão mão

mão mão mão mão mão mão mão

mão mão mão mão mão

mão mão mão
mão mão mão mão mão mão mão

mão mão mão mão mão mão mão

mão mão mão mão mão mão mão mão mão

mão mão mão mão mão mão mão mão

mão mão mão mão mão mão

08 março 2006

Maria Maria

Maria, Maria, é um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta
Maria, maria, é o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta

(...)

Maria, Maria, mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania de ter fé na vida

Milton Nascimento

06 março 2006

Perdido de mim ou de ti?

Não consegui encontrar-te por entre as árvores da imensa floresta. Andei. Rodei em círculos e deixei de ouvi a melodia que entoava as águas do rio a correr. Perdi-te. E é só o eco da minha voz a gritar por ti que escuto em repetidas vezes o teu nome. Vou-me sentar à sombra desta árvore e esperar que tu me despertes do cansaço desta tua ausência.

05 março 2006

Gripe do Frango

- Ih, Maria, estou apavorado com esse negócio da gripe do frango...
Eu adoro um frango. Será que eu vou ter que parar de comer frango???

- Não se preocupa não, Manoel, porque esse negócio de gripe do frango só dá na Ásia.

- Puxa, logo a parte que eu gosto mais!!!

04 março 2006



Calor. Tomo um suco de abacaxi com hortelã e olho as pontes, o rio e as luzes.
Tu, certamente, um café expresso bem forte e, claro, reclamas mais uma vez do frio. Não posso te ouvir e tu não podes rir com a minha gargalhada, nem beijar meus olhos nem tocar meus cabelos e sei, agora só reclamas do frio. Então canto para esta cidade que, tonta de carinho, aquece teu coração que ouve palavras cheirando a hortelã...
... and sunday, monday years and I agree

02 março 2006

Queria dedicar este poema aos que amam, aos que uma vez amaram na vida, aos que tiveram a sorte de saber-se inteiros, aos que se sabem assim... aos que viveram ou vivem a magia da união dos corpos e das almas, aos que sentem ou sentiram prazer com um toque, um olhar, uma palavra, um poema ... aos que tem sonhos, desejos, aos que tem esperança sobretudo, aos que acreditam em si e nos outros, aos que acreditam na terra, na vida, e aos que não se deixaram, não se deixam e não se deixarão endurecer!


Te quiero a las diez de la mañana, y a las once, y a las doce del día.
Te quiero con toda mi alma y con todo mi cuerpo, a veces, en las tardes de lluvia.
Pero a las dos de la tarde, o a las tres, cuando me pongo a pensar en nosotros dos, y tú piensas en la comida o en el trabajo diario, o en las diversiones que no tienes, me pongo a odiarte sordamente, con la mitad del odio que guardo para mí.
Luego vuelvo a quererte, cuando nos acostamos y siento que estás hecha para mí, que de algún modo me lo dicen tu rodilla y tu vientre, que mis manos me convencen de ello, y que no hay otro lugar en donde yo me venga, a donde yo vaya, mejor que tu cuerpo.Tú vienes toda entera a mi encuentro, y los dos desaparecemos un instante, nos metemos en la boca de Dios, hasta que yo te digo que tengo hambre o sueño.
Todos los días te quiero y te odio irremediablemente. Y hay días también, hay horas, en que no te conozco, en que me eres ajena como la mujer de otro. Me preocupan los hombres, me preocupo yo, me distraen mis penas. Es probable que no piense en ti durante mucho tiempo. Ya ves. ¿Quién podría quererte menos que yo, amor mío?

Jaime Sabines

01 março 2006

Ainda o fotógrafo e a escritora inebriados com a magia do carnaval...


Sentir o povo que vive
lá no Oficina das Idéias do meu amigo Vicktor


“Cair” no Papangu

Manhã cedo, o encontro marcado para o Pólo Multicultural, situado no Marco Zero da cidade do Recife, teve muito de simbólico para a época carnavalesca que atravessamos. Na noite anterior o grande sambista Belo Xis foi o responsável pela abertura da noite do samba, no Carnaval recifense. Depois de abrir, o show de Ivone Lara e Beth Carvalho, Beto Xis e seus convidados - Ramos Silva, Wellington do Pandeiro e Paulo Varejão - proporcionam uma bela apresentação aos amantes do samba.

Pela primeira vez o carnaval recifense dá importância ao samba para gáudio de muitos dos seus amantes, sem contudo, colocar de parte a tradição musical e carnavalesca da região, especialmente, o frevo, maracatu, caboclinho, ciranda, coco, samba, rock, reggae e manguebeat.

A Escritora viu aproximar-se um pequeno carro azul, descapotável, reconhecendo de imediato o Fotógrafo pelo cabelo cinza esvoaçante.
_Bom Dia querida amiga, convido-a para aquela viagem de que tínhamos falado...
_Não me diga que vamos mesmo até Bezerros.
_Nem mais! Não me esqueci do seu desejo de “mergulhar” na tradição da terra onde nasceu uma Escritora faz alguns anos...
_Sabe que vamos ter por lá um bom encontro?
_Palavra?
_Sim... vamos lá ter a participação do João Paulo....

Seguiram viagem, curta viagem no sentir brasileiro, distância significativa para a dimensão portuguesa, de pouco mais de 100 quilómetros até à cidade de Bezerros. Consagrada como "a terra dos papangus", a cidade de Bezerros tem uma cultura que vai além da brincadeira de mascarados no Carnaval. Conhecido como a “Folia do Papangu” é um carnaval temático em que a tradição diz que os foliões devem fazer as suas próprias fantasias sem conhecimento dos outros. Sendo assim, todos devem ficar sob o manto da máscara até o final da grande folia, realizada nos três dias de carnaval. As máscaras decorativas que enchem o Carnaval de Bezerros de cores são confeccionadas em papel machê. As peças são de todos os tamanhos. Algumas chegam a mais de cinco metros de altura.

Foi nesta cidade do Agreste Brasileiro que a Escritora começou os seus estudos no que nós chamávamos Escola Primária. Aqui nasceu e deu os primeiros passos a sua capacidade de transmitir sentires e afectos juntando harmoniosamente as palavras.

_Vamos “cair” na “Folia do Papangu”!, foi adiantando a Escritora num sorriso aberto enquanto o seu cabelo esvoaçava ao vento quente da manhã.
_Vamos mesmo, vamos viver a tradição.
_Quando chegarmos a Bezerros sai logo uma Skol super geladinha!!!!
_Pois.. sai duas logo!! Ahahahaa!

Ainda deu tempo na viagem para uma paradinha na BR-232. O lugar oferece uma rica exposição com obras de mais de 400 artistas pernambucanos. Confeccionados com técnicas e materiais diversos, os trabalhos mostram o que cada região tem de mais representativo no artesanato. O Centro também funciona como ponto de encontro de artesãos, oferecendo oficinas artes educativas, orientação para trabalhos em feiras, exposições e cursos de qualificação.