poema: vicente humberto ilustração: carlos sciliar
Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente.
Traduzir uma parte na outra parte - que é uma questão de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
26 setembro 2006
24 setembro 2006
Para quem consegue vencer batalhas, as loucas e intermináveis batalhas e seguir livre rumo aos pontos cardeais.
Qual parte de mim?
Travo em mim longas e intermináveis batalhas
e já não sei qual parte em mim será vencedora
Se meus olhos, em lágrimas, por alcançarem o verde do mar
ou se meu coração, sobressaltado, por ainda sentir-se batendo
Se meus pés, doloridos, por ainda insistirem nos passos da estrada
ou se meus ouvidos, atentos, por compreenderam o significado das palavras
Se minha boca, entreaberta, por chamar teu nome
ou se minha alma, sorridente, por reconhecer a tua.
17 setembro 2006
Fanatismo
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."
Florbela Espanca
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."
Florbela Espanca
12 setembro 2006
Assinar:
Postagens (Atom)





