31 outubro 2009

Não se vê muito bem quando se tem o sol dentro dos olhos...
Claude Lévi-Strauss

*Bruxelas, 28 de novembro de 1908 +Paris, 30 de outubro de 2009

Filósofo que mudou nossa forma de compreender o mundo e pai da antropologia moderna.
Nascido em Bruxelas, na Bélgica, Lévi-Strauss foi um dos grandes pensadores do século 20. Ele, que completaria 101 anos no próximo dia 28, tornou-se conhecido na França, onde seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e membro de uma família judia francesa intelectual, estudou na Universidade de Paris.

14 outubro 2009

Difícil é saber onde começa o rio
A João Cabral de Melo Neto numa tarde de outubro no Poço da Panela.


Últimos raios de sol refletidos sobre o chão de pedra antiga,
Nas janelas entreabertas dos casarões,
Ouviam-se em tons laranja violeta
Uma poesia melodiosa, melancólica e bela

Palavras na nascente do rio
Seu curso feito de vidas, de sonhos
Feitos e desfeitos
Luta e sobrevivência

E ainda que nos víssemos refletidos nele
Repetíamos: “difícil é saber.. onde começa o rio”
E um eco se ouvia,
Capiri ba ba
Capiri bi ba pa
Capiri bi pa pa


Liliana Miranda
14.10.2009

13 outubro 2009

Cores de Pernambuco

Luiz Otávio Cavalcanti


Mais que unidade política ou expressão econômica, Pernambuco são ideias. Federalismo, constitucionalismo. E cores. Azul, verde. Federalismo, segundo Evaldo Cabral de Mello, abrange o sentido republicano da revolução de 1824. Define dois liberalismos, o libertador e o repressor, de que fala Socorro Ferraz. Azul do céu, pintado pelo lírico Carlos Pena. Ou o verde-azul canavial, descrito pelo mineral João Cabral.
A história política pernambucana consagra palavras-chave. Que caracterizam nosso ânimo. Elas representam conceitos que os pernambucanos não largam. Resistência é outra palavra que significa linha de fazeres pernambucanos. Desde Pedro I. “Pernambuco não tem paz”, disse ele. Pois é, diante de absolutismos, não.
A resistência pernambucana tem três versões: resistência econômica, na convivência com a seca, no Semiárido, em mais de metade do nosso território. Resistência política, no Império, com maçons, religiosos e praieiros. E, na República, com Pelópidas, Arraes e Celso Furtado. Resistência social, de ideias. Na educação e na saúde.
Mas, o que quero dizer mesmo é que Pernambuco viveu três épocas: a era vermelha, encharcada de sangue rebelde que nos tomou por quase meio século, em 1817, 1824 e 1848. A era azul, nas décadas de 1950 e 60, feita do brilho intelectual de Paulo Freire, na educação, que ensinou os europeus a ensinar. E de Josué de Castro, na saúde, que mostrou ao mundo formas para superar a desnutrição endêmica. Ambos, evidenciando que, tanto num caso quanto noutro, a questão nem é social nem econômica. É política.
Finalmente, anos brancos, na ótica da Federação, que vão de 1975 a 2006. Foi tempo de desencontro federativo entre o governo de Pernambuco e a União Federal. Veja: em 1975, Moura Cavalcanti e o presidente Geisel não se entendiam. Geisel queria Marco governador. Deu-lhe a presidência da Câmara dos Deputados. Em 1980, Marco Maciel, então governador, tinha dificuldades políticas com o presidente Figueiredo. Faltavam afinidades. Em 1985, Roberto Magalhães rompeu com o presidente Sarney, desligou-se do PDS, filiou-se ao PFL e votou em Tancredo Neves contra Paulo Maluf.
Em 1987, Pernambuco continuou na oposição com Miguel Arraes e Sarney presidente. Em 1991, Joaquim Francisco rompeu com o presidente Collor, aliou-se a Itamar Franco. Em 1994, Arraes continuava oposição, dessa vez a Fernando Henrique. Em 1998, Jarbas se alinhava ao presidente Fernando Henrique. Mas Fernando Henrique pouco vinha a Pernambuco. Não admira a tropicologia de Gilberto Freyre. E não gosta do espírito autônomo dos pernambucanos. Em 2002, Jarbas era oposição ao presidente Lula. Finalmente, em 2006, Eduardo Campos é aliado de Lula.
Há outro conceito que impregna Pernambuco. E os pernambucanos não o abandonam. Já se encontrava no artigo 25 da Lei Orgânica da República de Pernambuco de 1817. Realçando o velho e ardoroso gosto pernambucano à livre expressão: “A liberdade de imprensa é proclamada, ficando, porém, o autor de qualquer obra sujeito a responder pelos ataques feitos à religião, à Constituição, bons costumes e caráter dos indivíduos na maneira determinada pelas leis em vigor”.

Publicado Jornal do Commercio em 13.10.2009
» Luiz Otávio Cavalcanti é ensaísta