29 junho 2004

Comidas Nordestinas...

Cuscuz


Cuscuz:prato feito com farinha de milho e cozido ao vapor


Cuscuz com charque


Charque:carne bolvina salgada e cortada em mantas (carne-seca, jab�)

... algu�m est� servido?

26 junho 2004

O presidente Lula � a pr�xima capa da revista de domingo do The New York Times.



Depois de criticar, NYT diz que Lula d� exemplo de democracia
O desenho da capa retrata o presidente Lula com a aparencia um pouco envelhecida. No t�tulo, uma pergunta: "O �ltimo her�i da esquerda na Am�rica Latina?"
A reportagem mostra o presidente dividido entre o desejo de mudar o pa�s e os limites impostos pela realidade aos governantes, um problema comum a l�deres da esquerda no mundo inteiro.
Eleito como um s�mbolo de mudan�a, Lula acabou se revelando como uma "curiosa surpresa", afirma a revista, mantendo-se dentro dos princ�pios do capitalismo global, com austeridade fiscal e corte de gastos.
O autor da reportagem escreve com admira�ao sobre a trajet�ria pessoal de Lula, dizendo que ele � uma "lenda ambulante" e sua vida, "uma cl�ssica hist�ria da democracia".

Fonte: Globo On Line

25 junho 2004

Entre o sono e o sonho

Entre o sono e o sonho,
Entre mim e o que em mim me suponho,
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais al�m,
Naquelas v�rias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.


Fernando Pessoa

23 junho 2004

FELIZ SAO JOAO!!!...



Meu Sao Joao
Hoje ser� tua festa
Saldemos a tua bandeira.

Sao Joao mandou
Cantar, dan�ar noite inteira
Para louvar a fogueira

22 junho 2004

Em visita ao No Wors, No Pain, dei com este magn�fico texto de uma sensiblidade sem medida... nao podia deixar de dividi-lo com todos tamb�m por c�.. agrade�o a permissao do poeta inspirado.



Escondes-te por entre as frac�oes s�bditas do tempo, em cada segundo, em cada batida. Agarras os sons dos ponteiros dos rel�gios gigantescos do s�tio onde nao h� tempo, para que eu te possa ver para sempre. Seguras-te bela e repousas em paz nos suspiros das horas que se vao, nos minutos que partem. Nao os sentes passar na infinidade dos momentos a s�s, dos momentos marcados e gravados em ti por cada um dos segundos em que respirei a teu lado. Despes os teus preconceitos em can�oes altivas e o desespero sumarento do teu amor faz-me acordar. Num s�tio onde o tempo nao passa, tu deixas-te ser minha para sempre. Corres nas estradas feitas pelas horas cansadas de correr pelos dias da vida, pelos caminhos do mundo. Sao as marcas do tempo que j� nao existe, que nunca, de veras, devia ter existido. Rasgas o tempo, o mundo larga-se em ti, e num momento eterno deixas-te cair no sono dos passeios infinitos. Dormes descansada onde ningu�m al�m de mim te pode ver. O orgulho do deus tempo faz-se sentir nos solu�os inconstantes do vento. Um vento que sopra sem pressa, sem for�a, sem tempo para morrer. Como poderias dizer adeus a algu�m que jamais saber� o que � desaparecer no tempo, a algu�m que viver� na eternidade de duas palavras, para sempre?
Agarras-te com for�a a minha pele nua, e rasgas em mim os segundos que perdemos na infinidade do espa�o. Agarras-te na for�a do desconcerto mais profundo e arrancas-me o pulsar do sangue nas veias, para te poderes embriegar na ternura da paixao. Deixas a luz entrar na escuridao da imortalidade, e perdoas o tempo que j� te marcou. Levas nas maos, carregas nos ombros cada um dos suspiros dos minutos em que choraste por mim. Para sempre eu marquei o teu corpo, e para sempre tu levaste a minha alma. Para o s�tio onde o tempo jamais existir�. Sempre existe na imensidao temporal da existencia racional, mas nao nas largas ondas do tempo sofrido a chorar... por amar. Soltas os beijos mais profundos de ti, e gritas ao vento o choro mais profundo da incompreensao. Entao eu grito do outro lado do mar para me poderes ouvir. Gritos desgarrados por ti, que sofres al�m das barreiras de mim.
A chuva cai intensa, nos s�tios onde o tempo j� nao passa. Mant�m-se suspensa em si, e deixa-nos passar por entre as suas cortinas frias. Entao eu arrasto-me para perto de ti, e derramo em ti o meu olhar escuro. Encostas a tua cabe�a perto do meu cora�ao e sente-lo descontrolar-se no descompasso do tempo. O tempo j� nao existe. O tempo j� partiu. Tocas-me a mao, e eu estreme�o em ti, tu aqueces-me a cara fria, e eu caio para ti. Quebras as prateleiras que seguram os vasos vazios do tempo, e tiras de ti o limiar da tua existencia. Dobras-te sobre mim, e eu sucumbo ao poder do teu olhar. Tocas-me mais uma vez, e na incongruencia do tempo que passou, eu saberei que para sempre, em ti, eu existirei.

C�sar Silvestre
In "Metropolitano" (2002)

Banda Sonora: Roads - Portishead

21 junho 2004

S� me apetece neste momento ouvir m�sica...


Vibra�oes - � 2004 - Jos� Gama

Banda Sonora: Coldplay - The Scientist

18 junho 2004

Eco
Tirei do bolso algumas letras,
soltas, saltam de mim... Palavras.
E uma frase preencheu o vazio.


� 2004 - Ant�nio Silva

Do Eco ao Silencio
Vazio preenchido, palavras
Frases inteiras, profundas, sentidas, subentendidas.
Onde o eco torna-se silencio... Compreendido.

17 junho 2004

ENTREGA

Deitei-me
E ao fechar os olhos
Senti o prazer do encontro
Da entrega
Entrega diferente e forte,
Suave e Voraz
Tranq�ila e renovadora
Certeza e d�vida
Contr�rios
Perfeitos
Completos

Tu distante de mim
Eu distante de ti
Tu dentro de mim
Eu dentro de ti
Entrega

Somos sonhos
Verdades,
Sentimentos
Somos completos,
Amor?

Tu tao perto de mim,
Eu tao perto de ti
N�s tao dentro de n�s.

16 junho 2004


� 2003 - Manuel Passos

Quem nunca se sentiu doente, triste, sozinho, melanc�lico ou diferente no meio de uma multidao?

15 junho 2004


Blue Nude by Pablo Picasso


Quero-te

Quero tuas maos em meu corpo,
Tocando-me a pele e a alma.
Teus olhos nos meus vendo-nos al�m do vis�vel,
tua boca que cala a minha
e transforma palavras em melodia.
Quero a ti
Quero-te em mim
plenamente
cheiro,
sabor.
Quero teu peso sobre o meu
Tornando-nos leves.

14 junho 2004

FELIZ ANIVERS�RIO MEU QUERIDO AMIGO VICTOR!!!
Desejo-te toda a felicidade do mundo!!!
beijos especiais e um looongo abra�o !


O OLEIRO E O POETA

H� muito tempo, na cidade de Zahl�, ocorreu uma rixa entre um jovem poeta, de nome Fauzi, e um oleiro, chamado Nagib.

Para evitar que o tumulto se agravasse, eles foram levados a presen�a do juiz do lugarejo.

O juiz, homem �ntegro e bondoso, interrogou primeiramente o oleiro, que parecia muito exaltado.

"Disseram-me que voce foi agredido? Isso � verdade?"

"Sim, senhor juiz." - confirmou o oleiro - "fui agredido em minha pr�pria casa por este poeta. Eu estava, como de costume, trabalhando em minha oficina, quando ouvi um ru�do e a seguir um baque.

Quando fui a janela pude constatar que o poeta Fauzi havia atirado com violencia uma pedra, que partiu um dos vasos que estava a secar perto da porta.

Exijo uma indeniza�?o!" - gritava o oleiro.

O juiz voltou-se para o poeta e perguntou-lhe serenamente: "Como justifica o seu estranho proceder?"

"Senhor juiz, o caso � simples." - disse o poeta.

"H� tres dias eu passava pela frente da casa do oleiro Nagib, quando percebi que ele declamava um dos meus poemas. Notei com tristeza que os versos estavam errados. Meus poemas eram mutilados pelo oleiro.

Aproximei-me dele e ensinei-lhe a declam�-los da forma certa, o que ele fez sem grande dificuldade.

No dia seguinte, passei pelo mesmo lugar e ouvi novamente o oleiro a repetir os mesmos versos de forma errada.

Cheio de paciencia tornei a ensinar-lhe a maneira correta e pedi-lhe que nao tornasse a deturp�-los.

Hoje, finalmente, eu regressava do trabalho quando, ao passar diante da casa do oleiro, percebi que ele declamava minha poesia estropiando as rimas e mutilando vergonhosamente os versos.

Nao me contive. Apanhei uma pedra e parti com ela um de seus vasos.

Como ve, meu comportamento nada mais � do que uma repres�lia pela conduta do oleiro."

Ao ouvir as alega�oes do poeta, o juiz dirigiu-se ao oleiro e declarou: "que esse caso, Nagib, sirva de li�ao para o futuro. Procure respeitar as obras alheias a fim de que os outros artistas respeitem as suas.

Se voce equivocadamente julgava-se no direito de quebrar o verso do poeta, achou-se tamb�m o poeta egoisticamente no direito de quebrar o seu vaso."

E a senten�a foi a seguinte: "determino que o oleiro Nagib fabrique um novo vaso de linhas perfeitas e cores harmoniosas, no qual o poeta Fauzi escrever� um de seus lindos versos. Esse vaso ser� vendido em leilao e a importancia obtida pela venda dever� ser dividida em partes iguais entre ambos."

A not�cia sobre a forma inesperada como o s�bio juiz resolveu a disputa espalhou-se rapidamente.

Foram vendidos muitos vasos feitos por Nagib adornados com os versos do poeta. Em pouco tempo Nagib e Fauzi prosperaram muito. Tornaram-se amigos e cada qual passou a respeitar e a admirar o trabalho do outro.

O oleiro mostrava-se arrebatado ao ouvir os versos do poeta, enquanto o poeta encantava-se com os vasos admir�veis do oleiro.

Dedicado a um excelente e sens�vel fot�grafo que sabe a importancia e o valor de todas as obras de arte, que sabe o valor da vida e da solidariedade! Sinto-me presenteada com esta po�tica amizade!
muitos beijos

13 junho 2004


� 2004 - Jos� Fagundes

Cortina de Vidro

Daqui vejo as folhas das �rvores
Ao balan�o do vento
At� posso ouvir
Diria que at� sinto seu cheiro
Pessoas vao e vem
Pelas ruas
Apressadas, ocupadas
Daqui vejo
Atrav�s do vidro que me separa da vida
Que me mant�m deste lado
Que me impede de toc�-la
Que percebo sem que
Ningu�m perceba a mim
A nao ser tu,
Que de longe me olhas
E me desejas
Al�m da cortina de vidro
Mas as pessoas se distraem
O som da vida te distrai
E tu...
Tu segues sem mim.