20 julho 2004

"Sofro de uma doen�a chamada "aerite""
Alberto Santos Dumont



QUANDO TUDO ACONTECEU...

1873: Em Cabangu, Minas Gerais, em 20 de Julho, nasce Alberto Santos-Dumont, neto do joalheiro frances Fran�ois Dumont que viera em meados do s�culo para o Brasil.
1891: Henrique Dumont, pai de Alberto, vai com a fam�lia para Paris.
1897: Santos-Dumont encomenda a constru�ao de um aer�stato no qual, pela primeira vez, consegue elevar-se nos ares.
1898: Santos-Dumont faz dezenas de ascensoes em balao.
1899: Alberto constr�i o Santos-Dumont n.? 4.
1901: Santos-Dumont contorna a Torre Eiffel, conquistando o pr�mio institu�do para quem cometesse a proeza pela primeira vez.
1904: Publica o seu livro Dans l'air.
1906: Em 23 de Outubro, sobe no seu aeroplano 14-Bis.
1909: Santos-Dumont atinge num aeroplano os 77 km por hora.
1910: Devido a doen�a, o aviador brasileiro d� a sua carreira de pioneiro da avia�ao como encerrada.
1918: Publica o livro O Que Eu Vi e o Que N�s Vemos.
1932: Morre na cidade de Guaruj�.
Prenda
 


Esta prenda vai para todos os meus amigos portugueses, que em terras de al�m mar andam a morrer de calor...
Comprei este ventilador na esperan�a que nao deixem seus miolos derreterem...
Tenham um dia do amigo bem refrescados!

19 julho 2004

Infelizmente continuo a escrever sem a maioria dos acentos gr�ficos...
Ainda nao fiz acordo com os "tils", as "crases", os "cricunflexos" h� por a� um t�mido acento agudo... e nada mais. Haja paciencia!
 
Obscenidade Maior
(imaginem aqui a foto de um homem sentado em uma cadeira, cabe�a baixa, bra�os apoiados nas pernas e maos sujas de sangue!)
 
Quando a conheci ela j� nao era mais uma menina, j� conhecia e tinha feito de tudo na vida. E eu sabia que ela gostava da vida que levava.
Nao me importava com isso. Eu tinha consciencia do que eu sentia por ela e ela por mim. Importava para mim como era quando est�vamos juntos, s� eu e ela.
A� ela desligava o celular, se desligava de tudo, e a gente namorava como dois adolescentes. Eu enxergava nela toda a pureza e inocencia de menina, a sensualidade e companheirismo da mulher e sentia a prote�ao e admira�ao que s� as maes podem dar e merecer.
Muitas vezes ela se recusava a transar comigo porque estava cansada do "trabalho". Eu compreendia e dormia agarradinho com ela. Para mim ficar junto era o mais importante.
Meus amigos... Amigos nao! "Conhecidos" (aprendi com o tempo que s� tenho conhecidos e que nem sequer conhe�o direito), eles diziam que eu era louco de viver com esta situa�ao.
Eu nem sequer respondia. Pensava comigo: pior e quem tem uma mulher s� para ele na cama porque ela nao conhece ningu�m, ou porque ela nao tem outra op�ao. E mais, as vezes o sujeito tem uma mulher exclusiva, mas ela vive sonhando e tendo paixao por qualquer ator de novela, ou outro qualquer.
O que � pior, dividir o corpo da mulher amada?... Ou ela ter o cora�ao e os sonhos com outro?... Para mim, vale mais o que a gente carrega dentro do peito. Por isso eu nao dou bola pra conversa fiada. Mas isso nao impedia de eu virar motivo de piadinha, que eu tamb�m nao dou bola.
No come�o ainda dava um sopapo ou outro e at� quebrei um taco de sinuca na cabe�a de um infeliz uma vez. Nesse dia a gente tava jogando eu j� tava com a bola sete na boca da ca�apa! O taco escorregou dentre os dedos e eu errei a jogada. O maldito falou. "At� o seu taco ta te traindo heim"! Minha outra tacada foi bem no meio da cabe�a chata dele! O coitado baixou no pronto socorro minando tanto sangue pela testa que a camiseta listada de vermelho e branco ficou �, toda vermelha. Depois me arrependi e jurei nao ligar mais pra nada que ouvisse, me distanciei tamb�m de gente intrometida que fica cuidando da vida dos outros, vendo o que um faz, o outro faz, ou deixa de fazer.
Teve uma vez que ela me ligou dizendo que tinha uma viagem a "trabalho" de um mes para outro pa�s. Nao perguntei nem pra onde e disse que eu nao queria. Ela insistiu que a grana era alta, que era uma oportunidade de ajeitar as contas. Eu senti muito mais aceitei, at� cuidei do cachorro dela enquanto ela tava fora. Quando voltou, eu fui buscar ela no aeroporto. A gente se viu de longe, ela correu ao meu encontro e me abra�ou forte! E eu percebi que ela continuava minha como sempre foi o tempo todo que estivemos juntos.
Eu nunca quis entrar em detalhe do que acontecia longe de mim, isso era besteira e s� ia fazer sofrer a toa. De vez em quando ela me contava que tinha tido um programa mais f�cil ou mais dif�cil, mas era s�.
Tamb�m vi muitas vezes ela chegar com cliente dentro de carrao importado na esquina de baixo. Eu sabia que as vezes ela jantava em restaurante fino, tomava caf� da manha com suco, queijo, presunto, frutas, desses que tem em hotel de luxo. Mas eu sabia tamb�m que ela nao trocava a sopa de cebola que tomava comigo de madrugada no Mercado Municipal do Ceasa ou o pingado com pao com manteiga no boteco da esquina por nada disso. E s� porque era comigo!
Ela tamb�m adorava quando eu pegava meu carrinho velho e descia a serra com ela pra passar o dia na praia, me dizia olhando bem dentro dos meus olhos que a Praia Grande comigo era melhor que Paris. Acho que foi pra l� que ela foi quando ficou fora um mes.
Vivemos assim juntos uns quatro ou cinco anos. At� que eu comecei a perceber ela com o olhar distante, distra�da, como se tivesse comigo e a cabe�a bem longe. Tamb�m me beijava com a boca que mal abria direito. Isso foi logo depois que o cachorro dela morreu e eu fazia for�a pra acreditar que era por causa disso. Diz que o homem � o �ltimo a acreditar que a mulher nao quer mais saber dele, e � verdade
Uma noite, j� bem tarde, eu esperava ela olhando pela janela do apartamento quando vi um carro chegar na esquina, desci imaginando encontr�-la como sempre, com um abra�o apertado e vi ela ainda dentro do carro beijando a boca do outro. Via, mas ainda nao acreditava. Na bochecha dela se via a l�ngua dele mexendo e fazendo volume por dentro! Parecia os beijos que a gente dava antes do cachorro dela morrer, ou nosso amor morrer... Mas s� que pra mim aquele beijo dela em outro era nojento, era a obscenidade maior que ela podia fazer.
�, mas como eu j� disse, eu nao queria acreditar e continuei me enganando, pensado que nao tinha visto direito. Era s� mais um cliente - continuei a me enganar para nao sofrer.
Ela desceu do carro e quando me encontrou no hall do pr�dio me deu um beijo no rosto sem olhar nos meus olhos nem me abra�ar e subimos no elevador como dois estranhos. Antes de entrar no apartamento, enquanto eu procurava as chaves perguntei quem tinha trazido ela. E ela respondeu que nao interessava. E chamou o elevador de novo apertando o botao. Perguntei aonde ela ia. E ela falou que tamb�m nao interessava.
Enquanto ela falava virada pra mim, a campainha do elevador tocou anunciando a porta abrir e eu ainda pude ver o buraco escuro porque o elevador nao estava l�! Tentei segur�-la pelo bra�o para ela nao ir e cair no buraco que ela nao tinha visto. E ela ainda sem ver soltou-se de mim com for�a, virou-se e foi de encontro ao po�o escuro. Quase cai junto tentando pegar ela Doutor. Eu juro fiz o que pude Doutor, fiz o que pude.
O delegado com a voz forte e em tom ir�nico falou.
- "Bela est�ria! Estou at� com l�grimas nos olhos de tanta emo�ao! S� falta voce explicar porque o corpo estava sem o cora�ao?"
- Ora Doutor, o cora�ao � meu! Peguei o cora�ao porque o cora�ao � meu!
 
Madeu St�Ore em Frenesi e Lucidez ... vale a pena conferir este blog!
 
Fundo Musical: Oh Mo Dhuthaich - Capercaillie


18 julho 2004

Fragmentos

� tarde, sol poente. Raios vermelhos e laranjas cobrem o c�u e uma nostalgia invade minha alma. Neste momento penso no passado. Passado que se mistura com presente e futuro, com magia e realidade, sonhos. Nao tenho lembran�as n�tidas de quando era crian�a, apenas fragmentos.

 Nunca fui a mais t�mida na escola nem com amigos ou at� mesmo em casa, mas tamb�m nao conseguia ser exatamente como queria, fui um projeto de mim mesma. Lembrar isso provoca-me uma sensa�ao estranha. Estranha e boa. Sensa�ao de projeto finalmente iniciado, modelando-se.  Faz-se diante de mim a figura de mim mesma. Aquela que por muito tempo persegui.

Sempre tive a n�tida no�ao da dificuldade de finalizar esse projeto de mim. Nem quero. Seria o ponto final. Cen�rio e personagem nao se harmonizavam, ainda hoje nao se harmonizam completamente e isso faz-me acreditar que nao perten�o a este lugar. Nao tenho lembran�as tamb�m de outras vidas, mas, sei que � de uma outra vida a sensa�ao que trago comigo desde cedo.

Hoje, lembrei que uma amiga sabe sentir isso que sinto. Percebe a diferen�a entre ser e estar. Estou certamente aqui e nao sou eu ou, sou eu e nao estou aqui. Realidade e fantasia se misturam numa tenue diferen�a que nao consigo encontrar o ponto de partida, o ponto de chegada.  Nao consigo separ�-las, ao passo que nao consigo uni-las.  Estivemos muitas vezes, por horas, a tentar definir, eu e ela, o que seria esta emo�ao, este estado de divisao e uniao.

Por vezes t�nhamos a impressao que sab�amos tudo e no segundo seguinte nao sab�amos nada. Sent�amos, era f�cil, sab�amos disso, mas definir se tornava para n�s duas, cada vez mais complicado, por�m cada vez mais excitante e desafiador. Um alimento para nossas vidas... Sabemo-nos especiais. Muitas vezes especiais para outras pessoas, muitas vezes uma para a outra e ainda outras vezes especiais para n�s mesmas.

Hoje, sei onde ela est�. Amanha nao sei. Por isso, deixo escrito, aqui, hoje, porque sei que estou viva, deixo escrito que sentir-se assim, especial e diferente, inclu�da ou exclu�da, que esta sensa�ao de sonho-realidade nos abre caminho em mundos que poucas pessoas conseguem sequer compreender que existam e que por conseq�encia nao percebem a diferen�a entre eles.

 Somos especiais sim, minha amiga. Somos m�gicas. Sentimos a magia no ar! E se pud�ssemos olhar nossos olhos num desses momentos de transe, ver�amos certamente um raro e infinito brilho no olhar. Nao olhamos nossos olhos neste momento, sentimos nossas almas brilharem com a for�a que o universo tem para se(nos) revelar.

H� pessoas que veem o que temos de melhor, h� pessoas que veem em n�s o que temos de mais puro e livre. Nos vemos assim. Entre mundos, entre idas e vindas temos a nossa identidade, sensibilidade simbolizada pela percep�ao de brilhos, pela suposi�ao de felicidade, pela sensa�ao de infinito, pelos sonhos repartidos, alegrias somadas, tristezas divididas.

Nao quero, quando descobrir em qual dos mundos viver, ter a sensa�ao que ficou alguma palavra sem ser dita, algum gesto sem ser feito, sorrisos sem ser dados, carinhos contidos, emo�oes suprimidas. Meus sorrisos e sonhos alegres, cheios de esperan�a dedico a ti neste momento.

Agora, entre as linhas que nos encontramos, observo este p�r de sol e sei que saber�s compreender o que neste momento sinto. Um dia, entre um caminho e outro nos encontraremos como sempre foi, e como para sempre continuar� sendo.

Sempre entre mundos, deste ou doutro lado... vemos-nos.


17 julho 2004

    
  Ainda no nordeste brasileiro...
   
  Aldemir Martins - Cangaceiros Quadros em acr�lico sobre tela




DICION�RIO PERNAMBUCANO - Parte II

Pernambucano leg�timo respeita seu idioma e fala como "Cabra Macho", veja a seguir
Em Recife... 
 
Quando se d� um calote,  PASSA-SE UM "XEXO"!!
Voce nunca � tratante e sim: FARRAPEIRO
Os homosexuais sao todos FRESCOS OU FRANGOS 
Aquele "babado" da Revista Caras significa: aquela RESENHA
Nao se come rocambole e sim: BOLO DE ROLO 
Pao Baguette fica melhor se chamado de: PAO TABIC
Quando necessitar falar: Nao aguento mais!!, fale: "SE FECHE PRO MEU LADO"! 
Quando se espantar com algo, nunca fale: Nossa!!, fale: VIXE!!! 
Aquele amigo ordin�rio nao � dedo-duro, mas:"CABUETA
Tres dias seguidosao: "TRES DIAS CARREADOS
Ao perder o �ltimo �nibus voce acabou de perder o BACURAU 
Quando se pega a mesma Prostituta do amigo, pegou PAO COM BANHA!! 
Ao falar: A noite passada..., fale: ESSA NOITE... 
O Ricardao cuidadoso � popularmente conhecido como URSO P�-DE-L?!! 
Quando se fala do �nus alheio, fala-se do "BUTICO" alheio 
Mulher que nao presta � PARICEIRA 
Quando se levar chifre, estar� levando GAIA 
Desde que nasci, signifa: DERNA QUE NASCI!! 
Aquela carninha cozida com pirao s� se conhece como CHAMBARIL
E aquele ex�tico picadinho de v�sceras: SARAPATEL
Quando bater aquela vontade de um Hot Dog, fale: QUERO UM COMEU-MORREU
Ir ao Centro ainda significa: IR PRA CIDADE 
Nunca mate a aula e sim v� GAZEAR A AULA
Quem fica fazendo muitos trejeitos, fica cheio de: PANTIM!!
Como � bom a �poca de Natal e Ano-Novo!, ou seja, "AS FESTAS
Quando passar um rato enorme, fale: SAI GABIRU!! 
Ao observar um sapo grande, ver� um CURURU 
Os mosquitos tamb�m sao chatos, por�m sao MURI�OCAS 
Se tiver muita sorte, voce � muito CAGADO 
Golpear com os dedos, cuidado! � um PETELECO!
� Melhor nao mexer, ou seja, ao BULIR
Ir ao supermercado ainda significa, FAZER BOMPRE�O* ( CASAS CIAS* ) 
Zombar de algu�m, voce estar� MANGANDO! (ARRIANDO)! 
Tirar um sarro � o mesmo que TIRAR ONDA 
Dar uns amassos ainda � o mesmo que SARRAR 
Bombom s� se conhece como CONFEITO 
O desonesto sempre ser� CABRA SAFADO!!!
 
*nomes de supermercados da regiao, um deles (casa cias) j� nem mais existe h� muito tempo...



16 julho 2004

DICION�RIO PERNAMBUCANO - Parte I

Pernambucano leg�timo respeita seu idioma e fala como "Cabra Macho", veja a seguir:
Em Recife... 

O que est� folgado, est� FOLOTE 
Quem teve caxumba, teve PAPEIRA 
Quem anda apressado, est� AVEXADO 
Quando se ouve um estouro, ouve-se um PIPOCO 
Na casa que tem carpete, tem ALCATIFA 
Quando se � pao-duro, vira-se PIRANGUEIRO 
Cozinhar a galinha � GUISAR 
Quando se est� ruim demais, ouve-se: "RUIM QUE S� A BEXIGA LIXA!!" 
Quem est� puto est� ARRETADO 
Se os cordoes do sapato estiverem soltos, cuidado! Estao DESATACADOS
Amigo de verdade � "PAREA
Quando quiser falar: "Como isso � bom", fale: PENSE NUM NEG�CIO ARRETADO
Mulher gostosa � ARROCHADA
Pedir um desconto, fale: FA�A UM MENO (s)!!
Croquete de Aipim � BOLINHO DE MACAXEIRA 
Pratos sofisticados como: Jerked Beef Hidden � ESCONDIDINHO DE CHARQUE
Risoto de Frango � mais ou menos: GOROROBA DE GALINH
Para bebericar com os amigos, chame para: TOMAR UMA
Se vai mandar um beijo, diga: UM "XERO"! 
Aparelhos que tem teclas e botoes tem: PITOCOS 
Caixa para p�r o gelo � conhecida como: ISONOR 
A menina quando nao dan�a coladinha est�: BOTANDO MACACO!! 
Ir a uma festinha na Garagem, era: ASSUSTADO
Voce � lindo!, logo voce � um PAO
O coitado que trabalha pendurado no caminhao � CALUNGA 
Empinar pipa, significa SOLTAR PAPAGAIO 
O orgao sexual masculino � carinhosamente conhecido como: PITOCA 
Espiar sua mulher saindo do trabalho, significa "TUCALHAR
A expressao: Isto est� muito quente: fica melhor: T� QUENTE QUE S� A CEBOLA
O filho da vizinha � terr�vel!: "� VIRADO NO M�I DE COENTRO
As empregadas dom�sticas sao todas PINIQUEIRAS 
Os guardas noturnos sao todos  VIGIA

12 julho 2004

Centen�rio de Pablo Neruda



Ele viveu a vida que quis, lutou por uma causa, viu uma guerra de perto e ainda teve a corgaem de recusar um cargo de presidente de um pa�s. Foi amigo de Salvador Allende, Vinicius de Moraes, Jorge Amado, Manoel Bandeira e Federico Garica Lorca. Por mais que se escreva, � dif�cil definir o que o poeta chileno Pablo Neruda representa para o mundo hisp�nico e para toda a literatura. Mas � poss�vel trazer ? tona a lembran�a, e o dia de hoje � especial para isso. H� 100 anos nascia, na cidade de Parral, a 315 quilometros da capital Santiago, o rechoncudo Neftal� Ricardo Reymes Besoalto, que em 1920 passou a se chamar Pablo Neruda.

Pido silencio
(de Estravagario)

Ahora me dejen tranquilo.
Ahora se acostumbren sin m�.
Yo voy a cerrar los ojos
Y s�lo quiero cinco cosas,
cinco ra�ces preferidas.
Una es el amor sin fin.
Lo segundo es ver el otono.
No puedo ser sin que las hojas
vuelen y vuelvan a la tierra.
Lo tercero es el grave invierno,
la lluvia que am�, la caricia
del fuego en el fr�o silvestre.
En cuarto lugar el verano
redondo como una sand�a.
La quinta cosa son tus ojos,
Matilde m�a, bienamada,
no quiero dormir sin tus ojos,
no quiero ser sin que me mires:
yo cambio la primavera
por que t� me sigas mirando.
Amigos, eso es cuanto quiero.
Es casi nada y casi todo.
Ahora si quieren se vayan.
He vivido tanto que un d�a
tendr�n que olvidarme por fuerza,
borr�ndome de la pizarra:
mi coraz�n fue interminable.
Pero porque pido silencio
no crean que voy a morirme:
me pasa todo lo contrario:
sucede que voy a vivirme.
Sucede que soy y que sigo.
No ser�, pues, sino que adentro
de m� crecer�n cereales,
primero los granos que rompen
la tierra para ver la luz,
pero la madre tierra es oscura:
y dentro de m� soy oscuro:
soy como un pozo en cuyas aguas
la noche deja sus estrellas
y sigue sola por el campo.
Se trata de que tanto he vivido
que quiero vivir otro tanto.
Nunca me sent� tan sonoro,
nunca he tenido tantos besos.
Ahora, como siempre, es temprano.
Vuela la luz con sus abejas.
D�jenme solo con el d�a.
Pido permiso para nacer.

Pablo Neruda

11 julho 2004


marianne

Vivi todos os segundos desta noite.
Eu sei que estavas comigo... eu sei que me falavas e eu nao conseguia entender-te.
Chorei... as minhas l�grimas do�am em n�s. Eu sabia.
Minhas maos buscavam as tuas e meu corpo sentia o calor que deixaste preso ao meu. Sempre me buscavas.
E mesmo assim sentia-me s�. E tu estavas comigo.
Tu sempre estavas comigo...
A noite l� fora me trazia desejos. Desejei nao entender mais nada. Desejei nao resistir. Desejei ter repouso em tua pele, na tua boca.
Desejei ter-te por momentos. Por mais alguns momentos. Ainda �ramos um. E sentir-me metade me era entao do�do.
Tocaste-me. Abra�amo-nos. O teu calor e o meu era nosso. Nosso sonho. E nos amamos como sempre nos am�vamos e como haveremos sempre de nos amar.
A noite a mim e a ti se revelou. A dor cessou em n�s neste instante. E sentimos a nossa paz...
Eu e tu juntos. Noite. Nossa. Outra vez.
Madrugada... nossa.
A luz do sol aos poucos tocou em minha pele, em raios suaves e mornos. O sono abra�ou-me e sem que eu percebesse me fez adormecer.
E tu... tu sa�ste de mim. Outra vez.

Precisava do mar.. precisava sentir seu cheiro, ouvir seu som.. olhar seu mist�rio.
Olhar para al�m de ti em busca de mim.
Sinto-me renovada. Sinto-me em paz
.


Fundo Musical: The Cure - Ocean

07 julho 2004

Sem nexo

Sinto dentro de mim, um mar de letras..
de palavras,
de frases, a�oes,
emo�oes e sensa�oes.
Um mar de ondas fortes,
com batidas que me levam e me trazem..
distante, num instante de mim
nao sei quando a mar� vai estar em alta
e assim poder jorrar na terra... letras,
em versos, em prosas, cartas, contos ou cronicas..
enquanto isso,
movem-se dentro de mim em ondas altas..
agitadas, aflitas
simples e compostas
adjetivos, substantivos, verbos...
que gritam dentro de mim palavras de silencio
palavras mudas que nao saem dos meus dedos,
que calam na minha boca
e nao saem de mim..
presas em minha alma
coladas e caladas em mim,
letra muda. palavra surda. cega.
Sem nexo, nem conexao.
desligada.. adormecida.

06 julho 2004

Deletei cada letra tua como se arrancasse peda�os de ti dentro de mim...
Melhor se bastasse apenas soprar...


� 2004 - Roberta Barbosa