23 outubro 2006

Trova do Vento que Passa


Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre
Sonho

Não me veio o sono enquanto não me chegavas,
adormeci assim que tuas mãos me tocaram os cabelos
e sonhei de corpo inteiro.

22 outubro 2006

.. No próximo domingo estaremos elegendo o nosso Presidente da Republica e em alguns estados o Governador.. Fiquem bem atentos e de olhos bem abertos à atitudes golpistas!

A TRAMA
FATOS OCULTOS
A mídia em especial a REDE GLOBO, omitiu informações cruciais na divulgação do dossiê e contriobuiu para levar a disputa ao segundo turno.

NÃO DEU NO JORNAL NACIONAL
Por que uma reportagem sobre Abel Pereira, produzida e editada, não foi ao ar? E outras nove perguntas a Ali Kamel
por Mauricio Dias

Na quarta-feira 11, a revista CartaCapital encaminhou 10 perguntas à Rede Globo, indagando sobre os critérios da cobertura jornalística adotados no Jornal Nacional durante o primeiro turno da eleição presidencial.

Eis as questões dirigidas ao jornalista Ali Kamel, diretor-executivo de Jornalismo da emissora:

1. Qual foi o critério adotado para a distribuição de tempo e espaço para os candidatos? Qual o princípio que norteou o critério adotado?

2. O critério adotado para esta eleição presidencial foi o mesmo das eleições anteriores ou, mais precisamente, o mesmo da eleição de 2002?

3. Por que, a partir do estouro do escândalo do dossiê, o Jornal Nacional não citou que 70% das ambulâncias da Planam foram liberadas na gestão do PSDB?

4. O Jornal Nacional, como ocorreu na edição de 23 de setembro, faz referência, com precisão, aos petistas Oswaldo Bargas, Jorge Lorenzetti e Expedito Veloso como “assessores da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, mas, quando se refere, nesse mesmo dia, às relações do senhor Barjas Negri com Luiz Antonio Vedoin, da máfia das ambulâncias, diz que ele é “ex-ministro do governo passado”? Não há, no caso, um tratamento desigual? (Em várias edições essa situação se repete.)

5. Por que, em nenhum momento, o JN não destacou um repórter para a investigação das relações de Barjas Negri e Abel Pereira em Piracicaba?

6. Temos informações seguras, que podem ser confirmadas pela equipe do SP-TV, de que um diretor da Globo vetou perguntas politicamente incômodas para o candidato a governador José Serra.

7. Na cobertura das eleições para o governo de São Paulo, os repórteres receberam a orientação de fazer entrevistas com os candidatos, nas ruas, com perspectivas propositivas. Ao candidato do PT, Aloizio Mercadante, não era dado espaço para falar do PCC e da perda de controle da ação policial no estado. Contrariamente, na campanha presidencial, era dado espaço amplo para críticas (justas ou injustas, não entramos no mérito) ao candidato Lula.

8. Sabe-se que foram produzidas matérias (pelo menos uma) sobre Abel Pereira. A reportagem foi editada, mas não foi ao ar. Qual o critério adotado nesse caso?

9. A Globo tem o áudio da conversa do delegado que entregou as fotos do dinheiro para a imprensa, mas não o divulgou. Além disso, adotou critérios diferentes para divulgar as fotos (obtidas ilegalmente) na véspera da eleição e não divulgar o dossiê de Cuiabá sob a alegação de que o material estava sob suspeita.

10. É fato que até hoje os telespectadores do JN não viram o governador eleito de São Paulo, José Serra, discursar na cerimônia de entrega das ambulâncias, ao lado de deputados sanguessugas. Por quê?

Eis a resposta do jornalista Ali Kamel:
“Se tem uma coisa que tem alegrado a nós, jornalistas da TV Globo, é o alto grau de isenção que temos conseguido imprimir na cobertura dessas eleições. Essa nossa convicção vem de três fontes: nossa própria avaliação, que é diária e procura verificar se temos nos conduzido com a isenção a que nos propusemos; a avaliação do público, que nos chega diariamente por nosso Centro de Atendimento ao Telespectador, com milhares de telefonemas e e-mails, e pela manifestação de todos os partidos políticos que têm atestado a isenção de nossos telejornais.

Uma das mais recentes manifestações nesse sentido veio do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, em carta à TV Globo, justificando a ausência no debate na antevéspera da eleição, escreveu: ‘Aproveito para reafirmar o meu respeito à TV Globo e parabenizá-la pelo trabalho isento que vem fazendo na cobertura destas eleições’”
.

Texto Extraído da Revista Carta Capital
Para uma leitura mais completa AQUI
No dia que eu encontrei um poeta... ou será um anjo?



Eu me chamo Marcos Asas


Eu me chamo Marcos Asas,
e sou nordestino que não tolera desacato.
viajo mais que certos tipos de mato.
Já joguei fora todos os "pode" e "não
pode"
Mas continuo selando contrato
Com fios do meu bigode.

Minhas asas foram roubadas de um anjo,
e assim me construi de retalhos:
Dedo de anjo, boca de diabo, a sinceridade do vinho de Baco,
Pitada de Dionísio e ar de espírito
zombeiteiro
Poeta, não sou o último nem o primeiro.
mas, eu sou escorreguento feito visgo de
quiabo,
E mais convencido que Narciso,
Na beira do lago

Só porque roubei o anjo,
volta-e-meia Deus me castiga.
Todo mês me arrebenta as cordas do banjo,
ou então me enche o bucho de lumbriga.

Cerveja não bebo;
abro uma garrafa, mas do gargalo não passa.
Depois de amanhã faz dois dias
Que não tomo cachaça.

Nessa vida três paixões:
Poesia, mulher e farinha.
Até hoje não sei
Qual das três é a verdadeira ambrosia.

Converso de tudo, leio de tudo
Mas não acredito sempre na imprensa.
Ás vezes até a cor da política
Me sobe à cabeça.

Mas canto meus poemas por aí.
Não quero ter livro na estante,
P´rá servr de alimento p´rás traças
prefiro ser conhecido nas praças.

Não sou feito de carvão,
mas também me ponho em brasa.
quando alço vôo na poesia,
Eu me chamo Marcos Asas

em "Um Salto. Um Pulo"

18 outubro 2006

Ausência



Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.


VINICIUS DE MORAES
ANTOLOGIA POÉTICA

07 outubro 2006

No eco de notas musicais nasceu...
Sintonia

Movimentos,
Nos olhos que se fecham e certamente sonham...
E desejam destes sonhos, verdadeiros
No deslizar dos dedos por sobre uma superfície metálica,
Aquecida, sonora
Na busca do ritmo perfeito
Da nota precisa, da hora exata
Do corpo que levemente se move
No balanço profundo da alma
Em acordes que já de perfeitos...
Se calam.

04 outubro 2006

OS MÁRTIRES

Pedaços de lembranças,
Passam diante de mim
No descuido do tempo
Repasso a vida ...

De quando livre vivia a festa, os amores e as dores ...
invadida a terra
Resistir era preciso!

Fui Tupac Amaru amarrado a quatro cavalos
Na Praça dos Prantos
Micaela, mulher amada, puxada, arrastada, assassinada
Fui seu filho Fernando, ainda criança, obrigado a assistir ao terrível espetáculo
Fui caçada na África, embarcada em navios
Para nesta terra morrer na lavoura ou vendida
Ou na chibata
Fui Zumbi nos Quilombos
Gregório arrastado na praça até a janela da mulher amada
Fui Henrique esquartejado
Fui Romero e sabia de que lado estava
Fui Herzog torturado, Victor Jara amordaçado
Domitila exilada
Fui Galdino queimado vivo
Cacique Chicão de morte encomendada
Margarida. herdeira de tantas lutas, fui morta
com tiro na cara

Pedaços de vida em pedaços
Quantas Áfricas? Quantos Méxicos?
Quantas Américas?
Quanto sangue mais é preciso?
Quantos filhos desta terra
mata a fome do mundo Rico?

Goretti Santos

26 setembro 2006

poema: vicente humberto ilustração: carlos sciliar

24 setembro 2006


Para quem consegue vencer batalhas, as loucas e intermináveis batalhas e seguir livre rumo aos pontos cardeais.

Qual parte de mim?

Travo em mim longas e intermináveis batalhas
e já não sei qual parte em mim será vencedora

Se meus olhos, em lágrimas, por alcançarem o verde do mar
ou se meu coração, sobressaltado, por ainda sentir-se batendo

Se meus pés, doloridos, por ainda insistirem nos passos da estrada
ou se meus ouvidos, atentos, por compreenderam o significado das palavras

Se minha boca, entreaberta, por chamar teu nome
ou se minha alma, sorridente, por reconhecer a tua.

17 setembro 2006

Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."

Florbela Espanca

12 setembro 2006

Para ti..
mais uma vez e sempre. Porque esta é a ou uma verdade!

" se eu te pudesse dizer o que nunca te direi, Tu terias que entender aquilo que nem eu sei"
Fernando Pessoa

03 setembro 2006

Tatuagem...
"Boa Sorte..."










fotos: telma vasconcelos