17 dezembro 2006

Maria... tás a ver c'm' ela é bela?!


victor Reis - o fotógrafo

Diz-me fotografo:
Com quantas imagens, completas
Com quantas partidas, regas
Com quantas chegadas, floresces
este teu coração?

16 dezembro 2006

Sivuca
Severino Dias de Oliveira


* 26.05.1930 + 15.12.2006

Feira de Mangaio

Fumo de rolo, arreio de cangalha
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Bolo de milho, broa e cocada
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Pé de moleque, alecrim, canela
Moleque sai daqui me deixa trabalhar
E Zé saiu correndo pra feira dos pássaros
E foi pássaro voando pra todo lugar
Tinha uma vendinha no canto da rua, onde o mangaieiro ia se animar
Tomar uma bicada com lambú assado, e olhar pra Maria do Joá
Tinha uma vendinha no canto da rua, onde o mangaieiro ia se animar
Tomar uma bicada com lambú assado, e olhar pra Maria do Joá
Cabresto de cavalo e rabichola
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Farinha, rapadura e graviola
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Pavio de candeeiro, panela de barro
Menino vou me embora, tenho que voltar
Xaxar o meu roçado que nem boi de carro
Alpargata de arrasto não quer me levar
Porque tem um Sanfoneiro no canto da rua, fazendo floreio pra gente dançar
Tem Zefa de Purcina fazendo renda, e o ronco do fole sem parar
Porque tem um Sanfoneiro no canto da rua, fazendo floreio pra gente dançar
Tem Zefa de Purcina fazendo renda, e o ronco do fole sem parar

14 dezembro 2006

foto: pedro moreira

Barquinho à vela feito de nozes

Por tantas vezes perdemos a noção do tempo a conversar.. a nos contar histórias. Muitas verdadeiras.. outras muitas desejos e sonhos. Por vezes não dizíamos nada e o silencio entre nós era som, palavras, sentido. Tinha quase sempre um ar sério, compenetrado mas quando sorria tinha os olhos mais bonitos que um dia ja vi. Eram como estrelas. Ele sabia me fazer navegar em um simples barquinho à vela feito de nozes. Nesse barquinho fui capaz de cruzar mares, vencer batalhas ou simplesmente admirar o ceu azul acariciando o mar no horizonte. Subimos motanhas, fizemos caminhos sagrados, profanos. Fizemos vôos altos, razantes até chegamos a desejar o impossível como se se tratasse da coisa mais simples de viver. Eram, são assim, os nossos momentos. Dia após dia construimos, na rocha, a nossa amizade.
Esta tarde, de vento e frio, fui ver o mar. Ele devia estar agitado. O mar agitado às vezes me fortalece. Vejo o mar lutando e dizendo-me: então.. vês? é assim que tem que ser! Gostava de saber, sentir e ver essa força em ação. Me sentia como ele. Forte.
O sol estava quase a se pôr e eu resolvi voltar. Andei sem pressa com os pés descalços na areia. Ao longe avistei alguém, não era comum haver alguém a esta hora naquele trecho que escolhi. Mas havia alguém se aproximando de mim. Continuei. Já agora perto estava ele, o meu marinheiro do barquinho à vela feito de nozes. Abraçamo-nos longamente, demos as mãos e continuamos o passeio juntos. Calados. Cheios de palavras, sons e sentidos, como tantas outras vezes. Minutos mais tarde parou, olhou-me e disse que quase se havia afogado naquele mar violento. Havia se deixado levar pensando em momentos passados e que já entregue, cansado e sem forças ouviu a voz do mar a lhe dizer que lutasse. Uma voz tão real que se assustou e do seu espanto saiu de seus pensamentos. E lá não havia mais ninguém a não ser ele, o mar e o passado. Sorri, abracei-o mais uma vez e em seu ouvido disse: Eu te resgatei em nosso barquinho à vela feito de nozes.. lembra?
Apertou-me forte em seus braços, deu-me a mão e seguimos nosso passeio com um silencio repleto de tudo.

12 dezembro 2006

Até ...


Alto
Algures,
Até apareceres..
Até ...
Alcançares as asas
Até ...
Aumentares a ansia
Até ...
Arderes a alma
Até ...
Amoldares, acomodares,
A mim!

10 dezembro 2006


Não deixo que as luzes que acendi se apaguem.
Algumas já são tão tênues, mas não as esqueço, para que ardam, apesar de tudo
e me façam sentir que vivi.

Daniel Aladiah
70 anos...


É.. o tempo passa e nem nos damos conta disso.. e quando abrimos o olhos vemos que muitas coisas ja aconteceram.
Dia 10 de dezembro de 1936. Já são setenta anos e de lá pra cá muitas coisas aconteceram.
Menino ainda, jogava um sabugo de milho no quadro negro, lousa naquele tempo, e como já era conhecido pelas travessuras a professora já gritava seu nome sem nem precisar virar de costas e verificar que realmente era ele o autor da traquinagem. _ Firmino!!
Cresceu muito rápido.. foi preciso. E as traquinagens de menino já davam lugar à responsabilidade que teve que assumir precocemente.
Já trabalhando em uma sapataria avistou, em uma bicicleta, lá fora uma menina de laços no cabelo que lhe chamou a atenção. Ficou apaixonado e não demorou muito já estava com ela em cima de um cavalo rumo ao cartório para o casamento.
Vida dura, com muito sacrifico foram construindo cada passo que hoje representa uma longa e vitoriosa caminhada.
Em setembro de um ano especial: a primeira filha! Já eram uma familia.
Mas acho que um filho era pouco pra quem tinha tanto pra ensinar, tanto exemplo pra deixar.. então vieram mais.. muito mais.. dois, tres, quatro, cinco, seis, sete..oito!
É.. oito filhos não é fácil... mas o que é isso diante de tanta dedicação?
Morou em muitas cidades até chegar em Recife. Também aqui conseguiu se aposentar depois de tantos anos de trabalho. Aqui viu a sua companheira ir embora, pedalar noutros ares. Chorou. Sofreu. Mas seguiu seu caminho, sua jornada, acreditando na justiça e na esperança de ver um mundo mais fraterno.
Casou outra vez e com ela continua a lutar e acreditar que a vida é uma dádiva de Deus.
Já agora são 16 netos e mais tarde virão os bisnetos para aumentar esta familia que ele sempre quis grande, firme, forte e determinada A familia que ele sempre deu exemplo de lealdade, de caráter e honestidade. Esta é a familia que ele deu o compasso no ritmo mesmo que não tenha dado no nome. Somos Miranda, que se amolda a tudo, ao tempo que passa.
Estamos em 2006 e há 70 anos nasceu Firmno Compasso de Miranda. Meu pai. Meu exemplo e meu orgulho.
...E eu e os meus sete irmãos.. queríamos agradecer a Deus por sua vida e desejar também.. 70 vezes 7!!

09 dezembro 2006

No quarto em que me tranquei



Por que insistes em abrir
A porta do quarto que te tranquei?

Por que me vens dizer: Estou aqui!
Se com a porta fechada não te vejo
E a minha ferida não sangra?

Por quê?

Fecha a porta.

08 dezembro 2006

Encontro de Poesia



Amanhã, dia 9, pelas 17 horas, terá lugar na Biblioteca Municipal Dr. Júlio Dantas, em Lagos, o I Encontro de Poesia dos Amigos de Lagos.
Nesta iniciativa do conhecido e aclamado poeta José Vieira Calado, será apresentada a obra "5 Poetas de Lagos". Este livro, para além de poemas de Vieira Calado, reúne os de Liliette Maltez Cardeira da Silva, os de Nídio Duarte, os de Cristiano Cerol e os de Pedro Magalhães.

Post roubado do Mesa Redonda

05 dezembro 2006

Para alguém especial...



As estrelas brilham sem saber
Mas cada vez melhor
Pois foi só você aparecer
Todas desceram pra ver você brilhar de cor

O que mais chamou minha atenção
Sua expressão sutil
Isso eu já não posso esquecer
Porque não foi só visão, o coração sentiu

Djavan

Pra ti.. Carlos!
com mil beijinhos

03 dezembro 2006

Por quê? I



Por que "Fim da Picada" significa algo ruim se ao acabar a picada tudo parece melhorar?!

isabel miranda

01 dezembro 2006

Hora Exata


óleo: fratura exposta
fernando pacheco

Reconheço em mim uma sensibilidade atenta. Natural. De quem levemente se embala com o poema sonoro de uma cidade e se encanta com as cores das pessoas que andam e passam. Que passam por mim. Do céu que beija o mar e do mar que se deita por sobre a terra. Saboreio o sal. Absorvo maresia e engravido fantasia.
Mas há dias em que se vive o momento preciso, a hora exata. Onde nem de mim me escondo. Sou exposta como fratura. Em carne viva. Reconheço, admito fraqueza, decepção, impotência, medo e até melancolia. Já sou eu sem ser. Sem títulos, sem postos, carreira e profissão. Sem pernas nem mãos. E assim... inteira, entregue. Isenta.
Há dias que o silencio me atordoa e os soluços me aliviam.

Há o momento preciso
A hora exata, rara
Da nudez total
Em carne viva

Há a hora precisa
De momento inexato
Fantasia