28 dezembro 2006

Até o próximo ano

Vou sair uns dias.. ver o novo ano nascer com sua força.. sua graça e beleza!
Quero agora ficar com o restinho deste... lembrar-me de momentos especiais que vivi, dos sorrisos que chorei, das lágrimas que sorri, o que aprendi.. o que me tornei! Quero vivê-lo em seus últimos momentos como quem de despede de alguém que ama.. guardando cada detalhe esperimentado, guardando sabores, odores, toques. Imaginar o que não me foi possivel ver e tocar e já pensar em novas maneiras de chegar onde não cheguei.
Vou, mas deixo alguma janela entreaberta para que o vento e os primeiros raios de sol entrem e se deixem traduzir!
FELIZ 2007 a todos!

26 dezembro 2006

NO CAMINHO COM MAIAKÓVSKI

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne a aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão

é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

Eduardo Alves da Costa

24 dezembro 2006


desenho retirado daqui!

O Baile do Menino Deus
Ronaldo Correia de Brito, Assis Lima e Antônio Madureira

Venham, estrela lua e sol
Neste sagrado momento
Bailar em grande recinto
Louvar belo nascimento
Dançar na roda do dia
Da noite e do firmamento.

Venham homens e pastoras
Crianças e os bichos também
A função já principia
Ao baile Deus menino vem
Nesta hora de alegria
Brincar é o que nos convém.

Senhores donos da casa
Jesus, José e Maria
O baile aqui não termina
O baile aqui principia
Do mesmo jeito que o sol
Se renova a cada dia
Da mesma forma que a lua
Quatro vezes se recria
Do mesmo tanto que a estrela
Repassa a rota e nos guia.

Cantar, dançar na folia
Todos vamos, vamos já
Caboclinhos e Cigana
Boi, Burrinha e Jaraguá
Vamos dar a meia volta
Volta e meia vamos dar.

21 dezembro 2006

Permaneces


foto: alberto calheiros

O que fazer
No instante que teu corpo
Afasta-se do meu?

Se teu peso
Pesa sobre meu corpo
Se agarras-me com força
Beijas-me a nuca
Repetindo palavras ao meu ouvido

Se tuas mãos
Buscando meus espaços
Revelam segredos
Se teus olhos profundos
buscando os meus
invadem-me

O que fazer
No instante que teu corpo
Distante
Permanece no meu?

20 dezembro 2006

É natal! É natal! É natal!



... o sentimento natalino parece ter tomado conta de mim!
ahahhahahahaa
Aumento suspenso


Em Brasília ontem, em clima de protestos de estudantes e trabalhadores e toda uma mobilização da sociedade brasileira, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu, através de liminar, o vergonhoso aumento com o qual os parlamentares haviam se presenteado e determinou que um novo reajuste não poderia ser dado pelas mesas diretora de Câmara e Senado, mas somente por votação em plenário.

Os deputados, atualmente, têm um salário de R$ 12.847,00 além de verba idenizatória de R$ 15 mil, auxílio-moradia de R$ 3 mil, correios e telefones R$ 4 mil, 4 passagens de ida e volta para seus estados de origem por mês e mais R$ 50 mil para gastos do Gabinete o que significa por ano uma bagatela de apenas R$ 1 milhão por deputado.

Os senadores, além do salário, têm direito a uma verba idenizatória de R$ 15 mil, auxílio-moradia de R$ 3,8 mil, 11 funcionários comissionados, com um total de R$ 72 mil em salários, 25 litros de combustível por dia com motorista, além das passagens aéreas.

Todas essas regalias, por enquanto, estão mantidas. Negado este, indiscutível, abuso no aumento dos salários agora podemos começar a pensar em rever tantas regalias. Abram o olho, ao invés dos bolsos, caros políticos, o Brasil já não é a casa da mãe Joana!

Foi bom começar o dia com estas novas notícias. Mais uma batalha vencida.
Bom dia a todos.

(por absoluta incompetência minha(confesso) aviso aos queridos leitores do Traduzir-se que este filminho acima só pode ser executado uma única vez... desculpem-me. Ainda aprendo isso... prometo!).

18 dezembro 2006

Parlamentares desavergonhados


Há momentos em que a única reação digna diante de barbaridades éticas é a indignação. Muitos estamos indignados com a decisão dos líderes do Congresso tomada no dia 14 de dezembro, em reajustar praticamente em 100% seus próprios salários. De R$ 12.847,00 elevaram a R$ 24.500,00 que é o teto do Judiciário. Devido ao efeito cascata nos estados e nos municípios o gasto anual, surrupiado dos cofres públicos, será de 1,66 bilhões de reais.

Os nomes dos que se opuseram por respeito à ética merecem ser citados: do PSOL a senadora Heloisa Helena (Senado) e Chico Alencar (Câmara) e do PT Henrique Fontana. Todos os demais ou se calaram consentindo ou exultaram. Houve despudorados como o deputado Inocêncio de Oliveira (PFL-PE) que proclamou em péssimo latim "habemus aumento". Ciro Nogueira (PP-PI) foi simplesmente desavergonhado:"Fui a favor sim; não tenho vergonha de forma nenhuma".

mais...

A Polícia Legislativa do Senado já liberou o aposentado Wiilian de Carvalho, 61, que protestou nesta segunda-feira (18) contra o reajuste de 91% nos salários dos parlamentares ao se acorrentar nos arredores do gabinete do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL).
"É um aumento absurdo. Estão cuspindo na nossa cabeça" Disse Wiilian de Carvalho.
O aposentado vai responder por desobediência à autoridade policial, por ter se negado a interromper o protesto, e por perturbação da ordem, por atrapalhar a rotina do Senado.
(Globo.com)

É pouco ou querem mais?...

17 dezembro 2006

Maria... tás a ver c'm' ela é bela?!


victor Reis - o fotógrafo

Diz-me fotografo:
Com quantas imagens, completas
Com quantas partidas, regas
Com quantas chegadas, floresces
este teu coração?

16 dezembro 2006

Sivuca
Severino Dias de Oliveira


* 26.05.1930 + 15.12.2006

Feira de Mangaio

Fumo de rolo, arreio de cangalha
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Bolo de milho, broa e cocada
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Pé de moleque, alecrim, canela
Moleque sai daqui me deixa trabalhar
E Zé saiu correndo pra feira dos pássaros
E foi pássaro voando pra todo lugar
Tinha uma vendinha no canto da rua, onde o mangaieiro ia se animar
Tomar uma bicada com lambú assado, e olhar pra Maria do Joá
Tinha uma vendinha no canto da rua, onde o mangaieiro ia se animar
Tomar uma bicada com lambú assado, e olhar pra Maria do Joá
Cabresto de cavalo e rabichola
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Farinha, rapadura e graviola
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Pavio de candeeiro, panela de barro
Menino vou me embora, tenho que voltar
Xaxar o meu roçado que nem boi de carro
Alpargata de arrasto não quer me levar
Porque tem um Sanfoneiro no canto da rua, fazendo floreio pra gente dançar
Tem Zefa de Purcina fazendo renda, e o ronco do fole sem parar
Porque tem um Sanfoneiro no canto da rua, fazendo floreio pra gente dançar
Tem Zefa de Purcina fazendo renda, e o ronco do fole sem parar

14 dezembro 2006

foto: pedro moreira

Barquinho à vela feito de nozes

Por tantas vezes perdemos a noção do tempo a conversar.. a nos contar histórias. Muitas verdadeiras.. outras muitas desejos e sonhos. Por vezes não dizíamos nada e o silencio entre nós era som, palavras, sentido. Tinha quase sempre um ar sério, compenetrado mas quando sorria tinha os olhos mais bonitos que um dia ja vi. Eram como estrelas. Ele sabia me fazer navegar em um simples barquinho à vela feito de nozes. Nesse barquinho fui capaz de cruzar mares, vencer batalhas ou simplesmente admirar o ceu azul acariciando o mar no horizonte. Subimos motanhas, fizemos caminhos sagrados, profanos. Fizemos vôos altos, razantes até chegamos a desejar o impossível como se se tratasse da coisa mais simples de viver. Eram, são assim, os nossos momentos. Dia após dia construimos, na rocha, a nossa amizade.
Esta tarde, de vento e frio, fui ver o mar. Ele devia estar agitado. O mar agitado às vezes me fortalece. Vejo o mar lutando e dizendo-me: então.. vês? é assim que tem que ser! Gostava de saber, sentir e ver essa força em ação. Me sentia como ele. Forte.
O sol estava quase a se pôr e eu resolvi voltar. Andei sem pressa com os pés descalços na areia. Ao longe avistei alguém, não era comum haver alguém a esta hora naquele trecho que escolhi. Mas havia alguém se aproximando de mim. Continuei. Já agora perto estava ele, o meu marinheiro do barquinho à vela feito de nozes. Abraçamo-nos longamente, demos as mãos e continuamos o passeio juntos. Calados. Cheios de palavras, sons e sentidos, como tantas outras vezes. Minutos mais tarde parou, olhou-me e disse que quase se havia afogado naquele mar violento. Havia se deixado levar pensando em momentos passados e que já entregue, cansado e sem forças ouviu a voz do mar a lhe dizer que lutasse. Uma voz tão real que se assustou e do seu espanto saiu de seus pensamentos. E lá não havia mais ninguém a não ser ele, o mar e o passado. Sorri, abracei-o mais uma vez e em seu ouvido disse: Eu te resgatei em nosso barquinho à vela feito de nozes.. lembra?
Apertou-me forte em seus braços, deu-me a mão e seguimos nosso passeio com um silencio repleto de tudo.

12 dezembro 2006

Até ...


Alto
Algures,
Até apareceres..
Até ...
Alcançares as asas
Até ...
Aumentares a ansia
Até ...
Arderes a alma
Até ...
Amoldares, acomodares,
A mim!