29 março 2007

Sábado em COPACABANA
Maria Bethania



foto: liliana miranda

Depois de trabalhar toda a semana
Meu sábado não vou desperdiçar
Já fiz o meu programa pra esta noite
E sei por onde começar

Um bom lugar para encontrar: Copacabana
Prá passear à beira-mar: Copacabana
Depois num bar à meia-luz: Copacabana

Eu esperei por essa noite uma semana
Um bom jantar depois de dançar: Copacabana
Um só lugar para se amar: Copacabana
A noite passa tão depressa, mas vou voltar lá

13 março 2007

Pelo Telefone
A primeira gravação de um samba, no Brasil, completou hoje 90 anos.



Pelo Telefone
Donga (Ernesto dos Santos) e Mauro de Almeida (1916)


O Chefe da Folia
Pelo telefone manda me avisar
Que com alegria
Não se questione para se brincar

Ai, ai, ai
É deixar mágoas pra trás, ó rapaz
Ai, ai, ai
Fica triste se és capaz e verás

Tomara que tu apanhe
Pra não tornar fazer isso
Tirar amores dos outros
Depois fazer teu feitiço

Ai, se a rolinha, Sinhô, Sinhô
Se embaraçou, Sinhô, Sinhô
É que a avezinha, Sinhô, Sinhô
Nunca sambou, Sinhô, Sinhô
Porque este samba, Sinhô, Sinhô
De arrepiar, Sinhô, Sinhô
Põe perna bamba, Sinhô, Sinhô
Mas faz gozar, Sinhô, Sinhô

O “Peru” me disse
Se o “Morcego” visse
Não fazer tolice
Que eu então saísse
Dessa esquisitice
De disse-não-disse

Ah! Ah! Ah!
Aí está o canto ideal, triunfal
Ai, ai, ai
Viva o nosso Carnaval sem rival

Se quem tira o amor dos outros
Por Deus fosse castigado
O mundo estava vazio
E o inferno habitado

Queres ou não, Sinhô, Sinhô
Vir pro cordão, Sinhô, Sinhô
É ser folião, Sinhô, Sinhô
De coração, Sinhô, Sinhô
Porque este samba, Sinhô, Sinhô
De arrepiar, Sinhô, Sinhô
Põe perna bamba, Sinhô, Sinhô
Mas faz gozar, Sinhô, Sinhô

Quem for bom de gosto
Mostre-se disposto
Não procure encosto
Tenha o riso posto
Faça alegre o rosto
Nada de desgosto

Ai, ai, ai
Dança o samba
Com calor, meu amor
Ai, ai, ai
Pois quem dança
Não tem dor nem calor

12 março 2007

Recife 470 anos






Recife

Amo-te recife
Amo-te tanto e sempre
Mesmo antes que meus olhos te pudessem ver,
Antes que meu coração se soubesse bater forte por ti
Mesmo antes que meus olhos vissem a beleza dos teus rios,
O encanto das tuas pontes
Amo-te antes dos meus ouvidos ouvirem o som do teu mar arrebentando em Teus arrecifes,
Antes do toque do teu maracatu, do embalo do teu caboclinho
Mesmo antes que minha pele te sentisse,
Em suaves toques da tua brisa quente e úmida
Antes que minhas mãos em forma de oração,
Reverenciassem as cores do teu caboclo de lança
Mesmo antes que minhas pernas andassem pelas tuas ruas,
Passeassem pelos teus casarios,
Antes mesmo que todo o meu corpo mergulhasse em ti salgado de sal
Amo-te tanto e sempre
Amo-te antes de mim..
Mesmo antes de saber-me amando a ti
Com um amor que não se principia..
Por não ter fim.

Quando nao posso contemplar teu rosto,
Contemplo os teus pes.

Teus pes de osso arqueado,
Teus pequenos pes duros,

Eu sei que te sustentam
E que teu doce peso
Sobre eles se ergue.

(...)

Mas se amo os teus pes
E so porque andaram
Sobre a terra e sobre
O vento e sobre a agua,
Ate me encontrarem

Pablo Neruda

(Obrigada Salomão!! beijos pra ti!)

11 março 2007

Custa-me imenso o silencio. Os dedos parados.
A alma vazia.

10 março 2007

A lua e o moinho de vento

Lua,
Quase não te vejo hoje,
Muita água te separa de mim.
E os milhões de espelhinhos
Voando no céu
Não fazem hoje nem um arco-íris.

Lua,
Estás tão bonita!
Tua face (veja!) resplandece
Tu és cura a quem padece
Vira teu rosto para mim!

Lua,
Se sabes o que sinto,
Por que não deixas
Que tuas longas madeixas
Me façam feliz?

Às vezes penso
E chego a conclusão
De que, sem você,
Viver é eterna danação.

Marcos Asas

08 março 2007

Feliz Dia Internacional da Mulher!


deputadas protestam em Brasília



prédio do Consulado Geral dos Estados Unidos, no Centro do Rio de Janeiro



confronto contra Bush em Brasília



confronto contra Bush em São Paulo



confronto contra Bush em São Paulo
Ser, fazer e acontecer
(Gonzaguinha)

Que uma mulher pode nunca nada
Isto eu já sei
É o grito da Dona moral
Todo dia no ouvido da gente

É que eu estou pela vida na luta
Eu também sei
E meu caminho eu faço
Nem quero saber que me digam dessa lei
Porque já sofri, já chorei, já amei
Vou sofrer, vou chorar e voltar a amar
Porque já dormi, já sonhei e acordei
E vou dormir, vou sonhar, pois eu nunca cansei
É que sinto exatamente
Aquilo que sente qualquer um que respira
Uma perna de calça
Não dá mais direito a ninguém
De transar o que seja viver
E por isso eu prossigo e quero
E grito no ouvido dessa tal de dona moral
Que uma MULHER pode nunca é deixar
De ser e fazer e acontecer
... Parabéns mulheres!!!

04 março 2007

Eclipse Lunar



Os brasileiros puderam acompanhar na noite deste sábado (3) o primeiro eclipse lunar do ano. Às 18h30 em ponto, foi possível ver o início do eclipse: a sombra da Terra recortando a Lua. A fase total, em que toda a lua aparece encoberta pela zona de escuridão chamada de umbra, começou às 19h44min e durou cerca de 73 minutos.

Quem perdeu o espetáculo só terá outra oportunidade no ano que vem. O próximo eclipse lunar com visibilidade em todo o Brasil acontece somente no dia 21 de fevereiro de 2008.

01 março 2007

Jeito Sexy
Fat Family

Vem com a gente dancar
Ser feliz e sonhar
A noite não tem fim
Você vai dizer sim

Oh baby
Dance dance dance
Vem mexendo assim
Não pare pare pare
Com seu jeitinho
Sexy, sexy, sexy
No meu ouvido
Fala, me fale, me fale

Tudo que eu preciso esta noite
É você
E essa noite eu faço tudo pra te dizer
Preciso de amor
Eu preciso de amor
Me puxe com esse seu jeito

Dizendo bem baixinho o que eu quero saber
Preciso de amor
Eu preciso de amor

Mas eu
sei que voce sabe
Que um outro amor não cabe
Pode estragar
Não vou parar
Te quero demais

Vi que você parou de beber
Vi que você nem tentou me dizer
Já nao quero saber
Já nao quero saber
Vim te chamar vem pra cá de uma vez
Vem dancar comigo deixa essa timidez
Vem até o fim

Não pare e dance
Quero ver seu sorriso
Quero ver seu rosto quando danca comigo
Meus olhos nos seus olhos
Você sabe que eu preciso
Vem sentir comigo o calor do meu corpo

seguindo a caminho do Rio...

27 fevereiro 2007

Iraque: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007...
Tudo em nome de uma mentira deslavada.


Esse foi apenas um dos milhares e milhares de ataques das forças americanas - disfarçadas de "força de coalizão" - contra o povo iraquiano. Os anciãos, as mulheres e as crianças trucidadas por bombas de última geração ou ataques relâmpagos contra supostos "insurgentes" e "rebeldes" - leia-se iraquianos defendendo sua pátria, do usurpador - chegam à cifra das centenas de milhares, e cujas vidas não têm a quem ser reclamadas - pelo menos até hoje - porque a grande mídia e os governos ocidentais estão assustados com a possibilidade de serem taxados de inimigos ou acolhedores de terroristas, e transformarem-se no próximo alvo.
Cada ataque a redutos de civis desarmados, é explicado como ato de loucura dos rebeldes, que protegem suas posições com trincheiras vivas, e fica tudo por isso mesmo.
Que povo é esse que, acobertado por uma mentira desavergonhada, é capaz de invadir uma nação, subjugar seu povo, implantar um falso governo democrático, instalar um tribunal de execuções nos moldes dos existentes em épocas sombrias da barbárie humana - como a do holocauto na segunda grande guerra, estratégicamente utilizado por eles para desviar a atenção sobre o terror das bombas atômicas contra civis japoneses - condenar e executar nessa encenação de tribunal de forma atroz seus ex-líderes, zombar de tradições milenares, humilhar prisioneiros de guerra e expô-los ao ridículo, e ter o cinismo de justificar que tudo é em nome da liberdade de todos os homens?
Que povo é esse?!
Quem julgará esse povo e seus líderes, e quando isso acontecerá?
Em que tribunal serão julgados e em que praça serão executados?
A humanidade não poderá seguir adiante sem reparar essa miserável insanidade, esse assalto sanguinário e arrogante à dignidade das pessoas... Esse atentado abjeto ao amor universal, à vida!...


Rodolfo Vasconcellos em USURPADORES

23 fevereiro 2007

Poema em novembro

A luz breve escoando os restos do vidro
A luz leve moendo a cânfora dos olhos
A luz neve abrindo o pântano do sol

Viera Calado

22 fevereiro 2007

“O papel em branco cheira à pele..
à pele de um novo amante..”
do filme: livro de cabeceira (Peter Greenaway)


O sexto Livro
(Escrito em Jerome e transformando no livro de cabeceira)

O livro do Amante
Pescoço
Este é um livro e um corpo
Que é tão tépido ao toque
Meu toque

Peito
Eu pressionei este livro em meus olhos
Na minha testa, nas minhas bochechas,
Eu mantive este livro aberto sobre minha barriga.
Eu me sentei sorrindo sobre este livro
Até que minha carne se amalgamou nas suas capas.
Eu me sentei gargalhando neste livro até que umedeci
Suas capas com meu corpo.
Eu envolvi este livro em minhas pernas.
Eu me ajoelhei sobre este livro até meus joelhos sangrarem.

Barriga e coxas
Este livro e eu nos tornamos indivisíveis
Eu coloquei meus pés nas últimas páginas deste livro,
Confiante em estar tão mais alto no mundo
Como eu nunca estive antes.
Possa eu manter este livro para sempre
Possa este livro e este corpo sobreviverem ao meu amor.
Possa este corpo e este livro me amarem tanto quanto
Eu amo sua extensão, sua gramatura, sua solidez, seu texto
Sua pele, suas letras, sua pontuação, suas quietas
E suas ruidosas páginas.
Suas delícias sôfregas.

Livro, corpo – eu amo você.

Costas
Ele respira gentilmente na sua primeira página.
Ele respira mais fundo conforme as páginas viram.
Quando o ritmo de leitura é obtido
As palavras ganham uma velocidade urrada
E as páginas correm.
Eu corri com essas páginas.
Ao seu final há um suspiro e o livro
Fecha-se em contentamento.
O leitor, de bom grado, começa de novo.

Nádegas
Corpo e livro estão abertos.
Face e página.
Corpo e página.
Sangue e tinta.
Ponta dos dedos, debrum do rebordo.
A superfície do limite de cada página é tão macia
As marcas d’água são como veias fluidas.
As páginas são tão harmoniosas na sua proporção
Que desarmonia em seu conteúdo é impossível.