16 junho 2008

Brasil...
Um Sonho Intenso, Um Raio Vívido.


É preciso estar atento e forte!...
Não temos tempo de temer a morte!...

Para Liliana Miranda, minha querida Lili, que cutuca o Cão com vara curta.

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...



"Liberdade não se ganha... Se conquista. Até porque, se lhe é dada de presente, quem a deu, pode, um dia, sentir-se com o direito de tomá-la."
Aprendi isso muito cedo, na minha puberdade ainda, e adotei como uma das “máximas” que me ajudariam a ser o homem que sou: de vida simples, incondicionalmente livre e irreverentemente feliz.

Quando em 1964 - num tempo página infeliz da nossa história, passagem desbotada na memória das nossas novas gerações, dormia a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações – acordamos com as ruas das nossas principais cidades tomadas por tanques de guerra apontando seus canhões para o Congresso Nacional, Assembléias Legislativas e Universidades, tinha início aí o que depois seria chamado de “anos de chumbo”, quando no Brasil “seus filhos erravam cegos pelo continente, levando pedras feito penitentes, erguendo estranhas catedrais”


Não foi apenas Caetano Veloso, Geraldo Vandré e, principalmente, Chico Buarque de Holanda que cerraram fileiras iniciando um movimento no meio artístico pela liberdade, pela democracia e contra a famigerada Lei de Censura. Os artistas e muitos jornalistas deste país, enquanto não foram condenados ao exílio, tidos como desaparecidos ou enforcados a contragosto em celas do DOI-Codi, cada um a sua maneira e a seu tempo, produzia nas entrelinhas das suas criações chamamentos à resistência e à luta, deixando enlouquecidos os analfabetos que tinham em suas mãos o poder de lhes censurar. Os órgãos públicos eram obrigados a estampar em suas paredes cartazes com fotos desses gloriosos brasileiros como se perigosos bandidos fossem. Nas Universidades e escolas do ensino médio o movimento estudantil borbulhava e soltava fogo em gritos com palavras de ordem contra os Gorilas e suas tropas. Dessa classe estudantil surgiu o movimento mais aguerrido, mais destemido, mais atirado ao sabor da “liberdade a qualquer preço”. Os agentes da ditadura faziam uso de todos os meios de comunicação para jogar a opinião pública contra esses quase ainda meninos idealistas, taxando-os de traidores da pátria, subversivos, assassinos frios. Dos encontros clandestinos da UNE surgiram os primeiros movimentos armados da resistência, pois não havia outro meio de combater as medidas de exceção promulgadas através de Atos Institucionais que fechavam Congresso, acabavam com eleições diretas para Presidente, Governadores, Prefeitos de Capitais e, de cada dois senadores estaduais, um teria que ser indicado pela ditadura, surgindo aí o termo Senador Biônico. Legalmente era impossível conter o avanço e a gula dos Generais e Coronéis que passaram a ocupar a direção de todos os órgãos públicos e estatais, levando nosso Brasil, através de empréstimos monstruosos no exterior, a ser um dos maiores devedores do FMI. Esses recursos, além de produzirem obras impactantes como a ponte Rio-Niterói, estufou de dólares os cofres dos muitos militares e políticos que lhes davam apoio.

Parecia que estávamos na Idade Média e em plena Inquisição. Os dedos-duros estacionavam em cada esquina produzindo calúnias que enchiam as prisões.

Enquanto a grande maioria calava e consentia, e uma outra parte agia amadoristicamente com pichações e panfletagem, apenas uma minoria conseguiu se organizar e partir para o confronto armado em defesa da nossa liberdade. Milhares destes foram mortos em seções de tortura ou, por não resistirem à dor, ganharam a liberdade após haver entregue seus pares. Pouco conhecemos desses jovens que saíram do conforto dos seus lares e dos bancos das suas escolas para se entregarem a uma luta desigual e sobre-humana pela democracia do seu país.

Após a anistia, os políticos e artistas exilados voltaram sob os holofotes dos ainda tímidos meios de comunicação, mas, a grande maioria desses bravos compatriotas, permaneceria ainda no anonimato, satisfeita apenas com prazer inigualável do dever cumprido.

Vez por outra, quando alguma indenização ganha as páginas dos jornais, ficamos conhecendo alguns desses personagens que entregaram os melhores anos da sua juventude na heróica tarefa de cuidar para que, frutos sagrados como liberdade e dignidade, vingassem.

Foi assim que em 2006 o nome de Dilma Rousseff ganhou outra dimensão na imprensa nacional, extrapolando as das suas funções como ministra chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, quando a Comissão Especial de Reparação da Secretaria de Direitos Humanos do Estado do Rio aprovou a concessão de reparação moral a Dilma Rousseff, por haver sido presa e torturada pelos órgãos de repressão da ditadura militar nos anos 70.

O brilho próprio da ministra Dilma começara a incomodar uma parte da imprensa comprometida com os restos fétidos daquela época negra da história nacional. Seu nome agora surgia como possível candidata à sucessão do presidente Lula, dando início à temporada de caça à sua cabeça. E o primeiro ataque veio da revista Veja em conluio com os partidos que fazem oposição ao governo no Congresso Nacional. Depois esses próprios partidos, aterrorizados com a possibilidade de ver na cadeira presidencial alguém do quilate de Dilma Rousseff, criaram a CPI dos cartões corporativos e conseguiram, num ato regimental escuso, convocar a ministra para depor nessa CPI. Melhor palanque não poderiam lhe ter conseguido. Em resposta a uma desastrada investida do senador Agripino Maia, Dilma falou com orgulho dos anos em que esqueceu de si para viver perigosa e clandestinamente a luta armada pela volta da democracia ao Brasil, na flor dos seus 19 anos, ao contrário de muitos dos que estavam ali a interroga-la, que morreriam de vergonha se seus passados viessem à tona. Confirmou que mentiu sim sob tortura, para que seus companheiros de luta não fossem entregues aos criminosos que estavam no poder, e que sentia muito orgulho por haver mentido, pois, só os fortes e corajosos mentem sob tortura.

O próximo passo é a venda da Varig, e outros virão, não tenham dúvidas. A oposição acredita na miragem de que Dilma Rousseff alçou vôo agora, e que assim, ainda em decolagem, poderá ser facilmente abatida com o requentamento de matérias, invenção de outras e criação de detalhes dando origem às mais estapafúrdias interpretações.

Por falta de opção e pela certeza de que não conseguirão abate-la nas urnas, a parte mais nojenta do senado e da câmara dos deputados tenta encobrir a interessante e pouco explorada biografia de Dilma.

Quando ainda garotinha nos seus dez anos assistia ao maior espetáculo da terra em um circo na então pequena Uberaba, encantara-se com a bailarina de roupa brilhosa verde que executava malabarismos no dorso de um elefante. A década de 60 ainda não havia chegado e aquele espetáculo caía no colo da extasiada garotinha fazendo-a sonhar em um dia ser uma bailarina e trabalhar em um daqueles circos: “Ela era linda, fazendo piruetas lá em cima. Eu adorava circo e queria ser bailarina”, lembra hoje, com os olhos iluminados pela recordação. Aos 59 anos, passando um rápido olhar sobre o circo da vida brasileira, que acompanhou, aos saltos e sobressaltos, nas últimas quatro décadas, atravessando crises, golpes, renúncias, cassações, prisões, torturas, ditadura, cassações, democracia e cassações, Dilma chega em 2008 ao topo de sua longa e atribulada carreira como economista, executiva, militante política, ministra e mais forte candidata à sucessão presidencial.

Aos 15 anos, quando trocou o conservador colégio Sion, onde as moças só falavam francês com as professoras, pelo inquieto Colégio Estadual, escola pública mista onde se geravam contestações, Dilma já desabrochara: “Aí fiquei bem subversiva. Percebi que o mundo não era para debutante”.

Ainda nos seus 19 anos, juntamente com seu marido à época, planejou, monitorou e coordenou o assalto à casa da amante do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros. Do cofre da residência, foram roubados US$ 2 milhões e 400 mil dólares - algo em torno de 25 milhões de reais hoje. Dilma alega que ajudou sim no planejamento. "Se tivesse tido participação na ação, não teria nenhum problema em admitir", diz a ministra, com orgulho de seu passado de combatente. Donde teriam vindo todos aqueles dólares senão de ações fraudulentas contra os cofres públicos, fato comum entre os que apoiavam a ditadura.

Segundo depoimento de ex companheiros, "a Dilma era tão importante que não podia ir para a linha de frente. Ela tinha tanta informação que sua prisão colocaria em risco toda a organização.”

Mas, no início de janeiro de 1970, após escapar do cerco policial em Porto Alegre, foge com o marido para o Rio de Janeiro, e é presa, seguindo a sina de outros companheiros: “Entrei num ponto, às 4 h da tarde, em São Paulo, e o companheiro estava cercado. Tentei fugir, entrando numa loja de móveis, mas fui pega na rua de trás”. Dilma Rousseff, aos 22 anos, foi levada pelo antecessor do DOI-Codi, a Oban (Operação Bandeirante), para a rua Tutóia, o mesmo destino de Wladimir Herzog cinco anos depois. Vlado agüentou um dia de tortura, e morreu. Dilma suportou 22 – e sobreviveu. “Levei muita palmatória, me botaram no pau-de-arara, me deram choque, muito choque. Comecei a ter hemorragia, mas eu agüentei. Não disse nem onde morava. Um dia, tive uma hemorragia muito grande, hemorragia mesmo, como menstruação. Tiveram que me levar para o Hospital Central do Exército. Encontrei uma menina da ALN: ‘Pula um pouco no quarto para a hemorragia não parar e você não ter que voltar’, me aconselhou ela,” segundo o dramático relato que Dilma fez, dois anos atrás, ao repórter Luiz Maklouf Carvalho.

“Tortura é uma das coisas mais vis que existem”, reflete Dilma hoje, com o distanciamento possível. “O sentido mais profundo da democracia significa necessariamente acabar com a tortura”, diz a ex-torturada, hoje aflita com a sorte dos presos comuns nas delegacias de polícia. A tortura ainda aflige Dilma, aqui e lá fora: “Aquelas cenas de homens presos em Guantánamo (Cuba) e em Abu Ghraib (Iraque) não têm justificativa. Aquilo é a barbárie”, condena.

Condenada pela Justiça Militar a seis anos de prisão, cumpriu três e, com recurso, acabou punida com dois anos e um mês de cadeia. “Ou seja, sobraram 11 meses, que eles não devolveram. Sou credora do País”, contabiliza Dilma.

Libertada em 1973, o jogo político tradicional parecia o caminho para as mudanças que sonhava para seu país quando ela voltou a Porto Alegre, ainda sozinha - o marido, Carlos Araújo, também preso pela Oban, cumpria pena na Ilha das Flores, prisão da Marinha no rio Guaíba, na capital gaúcha. Dilma
integrou-se então à juventude do MDB e militou na luta pela anistia. Punida pelo Decreto 477, que bania subversivos da universidade, foi obrigada a prestar novo vestibular. Formou-se em economia pela Universidade Federal do RS e foi, mais uma vez, atropelada pelo arbítrio: em 1977, o ministro linha-dura do Exército, Sylvio Frota, reagiu à demissão do cargo pelo general Ernesto Geisel divulgando uma lista de 99 comunistas infiltrados no governo – um dos três economistas delatados na Fundação de Economia e Estatística (FEE) era Dilma, que acabou demitida. “Completei minha cota – fui presa, cassada, condenada, punida pelo 477 e incluída na lista do Frota”, brinca Dilma, hoje, rindo da própria sorte.

O PDT levou Dilma para a Secretaria da Fazenda de Porto Alegre, quando Alceu Collares se elegeu em 1985. Numa pirueta digna de bailarina, voltou como presidente à mesma FEE de onde saíra pela delação de Frota, indicada pelo governador Collares, eleito em 1990. Acabou secretária de Minas e Energia do Estado com Collares e repetiu a dose, no governo seguinte, de Olívio Dutra. Dois dias depois, deu um apagão no Estado – e durante 31 dias a luz ia e vinha, com black-outs de até sete horas. Dilma executou uma operação de emergência, concluiu uma linha de distribuição para canalizar a energia que vinha da Argentina – e a luz se fez. Quando bateu o apagão no governo FHC, o Rio Grande do Sul não teve nenhum problema, a região Sul já era superavitária. E ainda “botou o dedo na tomada” para punir denúncias de corrupção na Companhia Estadual de Energia Elétrica, abrindo sindicâncias que levaram a uma CPI na Assembléia gaúcha.

Portanto, não foi apenas como uma doce bailarina ou competente e destemida militante guerrilheira que Dilma Rousseff chegou à ante-sala do gabinete presidencial, no Palácio do Planalto, e com grandes chances de abrí-lo com sua própria chave em 2010.
Rodolfo Vasconcellos - Bastidores
Obrigada meu amigo por nos mostrar essa bailarina...
baliraina de brilho forte e próprio.

14 junho 2008

PARA O VICTOR REIS

FELIZ ANIVERSÁRIO MEU QUERIDO AMIGO...

saúde, amor, festas, amigos, caipirinhas, comida brasuca, cheiro, abraços, nuvens, sonhos, desejos, alma, cores, movimento, luar, mar, viagens, sorrisos, caminhadas, verdade, skol, refice, noite, sol, suor, sal, sinceridade, vinhos, lealdade, hosnestidade, letras... e TUDO de BOM que HOUVER nessa VIDA

mil beijos hoje e sempre

10 junho 2008

Lúcia Helena, meu amor!


Lúcia Helena - Tenente PM de Pernambuco,
em entrevista ao programa de Ana Maria Braga, da Rede Globo

Manchetes dos jornais cariocas na segunda-feira passada, 02.06.08: “BOTAFOGO PERDE JOGO, MAS DÁ DE GOLEADA NA PM DE PERNAMBUCO”; “TENENTE DA PM DE PERNAMBUCO É DESMORALIZADA EM PLENO ESTÁDIO”; “ZAGUEIRO ANDRÉ LUIS, SOZINHO, É MAIS FORTE QUE TODA A PM DE PERNAMBUCO”.
Pois é!... Estas poderiam ter sido as manchetes dos parciais jornais cariocas se a nossa tenente Lúcia Helena não tivesse honrado sua farda e conduzido com sobriedade e coragem sua tropa de choque para deter esse delinqüente travestido de jogador de futebol que é o zagueiro do Batafogo carioca André Luis.


O moleque zagueiro do Botafogo-RJ André Luiz,
desrespeitoso com o povo pernambucano

Vi e revi muitas vezes as imagens da confusão criada pelo “atleta” Botafoguense – que aparentemente estava drogado – e em momento algum notei excesso de força por parte da PM. A força utilizada foi a necessária para conter aquele bandido que, por vir do sul do país e por ter aquela cara de víbora pré-histórica, achou que amedrontaria nossa pequena Lúcia Helena. A oficial o interpelou de braços abertos e foi recebida aos gritos e com gestos de quem parecia querer agredi-la. Quase sem alcançar, segurou-o pelo braço, e foi chamada de “policial de merda!”. Deu-lhe então voz de prisão imediatamente, no que foi atendida por sua tropa. Depois de imobilizado ainda fez gestos chamando seus companheiros de clube para juntarem forças a ele contra a nossa Polícia Militar. Ainda bem que não vieram, pois, sabe-se lá onde teríamos chegado.
Ver aquela morena com sua boina arriada sobre uma das orelhas, com o fardamento de choque a masculinizar-lhe as formas femininas, dirigindo-se ao perigo com o caminhar determinado como o de um guerreiro a desfilar diante do seu general, me fez imaginar como o treinamento militar pode retirar da mulher toda a sua doçura, feitiço e suavidade. Não, eu não gostaria de ter uma dessas dividindo a vida comigo.
Aos berros e com gestos, chamava seus companheiros
para participar da molecagem.

Mas, no dia seguinte, no programa de Ana Maria Braga – da Rede Globo – o que vi me encheu ainda mais de orgulho por haver escolhido ser pernambucano, e me encheu de encanto também. Encantou-me a doçura, a beleza, a suavidade tamanha que quase levou-me a acreditar que não era a mesma pessoa da tarde anterior que não recuou um milímetro diante do gigante enlouquecido. Mas era... Era ela mesma! Segura de si, foi graciosamente convincente ao justificar as decisões que tomara no embate; enobreceu a Polícia Militar de Pernambuco ao mostrar a todos que estava preparada para comandar; mostrou para todo o país como a mulher pernambucana – seja de que cor for, até mesmo da cor de “jambo” como Lúcia Helena – pode ser suave sem perder o destemor.
Duvido que algum torcedor pernambucano, seja do Santa, do Náutico ou do Sporte, não tenha acordado como eu, perdido de amores por Lúcia Helena.

Texto "roubado" do BASTIDORES do meu querido amigo Rodolfo Vasconcelos

27 maio 2008

Distância


Não gritar?!
Não grito, não grito, não grito...
Acho que perdi a voz,
Não balbucio meu nome, nem o teu
Nem sei se conto palavras
Ou canto canções

Abrir-me?
Não abro. Fechei-me
E doem-me calos
De manter a distância de mim
Até meus olhos, meu peito
Meus ouvidos

liliana miranda
2008

23 maio 2008

Processo Criativo


Um recipiente
Ao poucos armazena
Umas sobre as outras, palavras
Amontoam-se sentimentos
Criam-se elos
Emitem sons
Enfatizam-se, somam-se
Completam-se
Outras, enfrentam-se
Debatem-se, opõem-se
Todas circulam livres, soltas
Dia após dia
Até que de repleto,
Escorrem, escapam, fogem

liliana miranda
2008

12 maio 2008


Silêncio das janelas

Minhas lágrimas inverteram seu caminho,
Lágrimas correm dentro de mim
Tenho a pele seca.

Tuas mãos não se molham em mim
Minha alma se fecha tal qual a janela
Com trancas, com medo,
Em silêncio.

liliana miranda

02 maio 2008

Para ti Fernando Bizarro

sei que minhas palavras não alcançarão teu mundo, nem este,
nem aquele, nem mundo para lado algum...
... apenas sentirás em ti o significados delas... sempre!
(lembras-te?)

Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei.
Ainda assim, escrevo.

Mia Couto

14 abril 2008

Feliz Aniversário

Caminhamos juntos um bom tempo e apesar de estarmos no momento em estradas diferentes ainda sinto a tua companhia. Te desejo hoje, no teu aniversário, muitas felicidades e que tu continues a ser sempre aquele menino.



Mar de estrelas

Vem... Podemos pegar pedaços daqui e dali...
Podemos juntar belezas de cores em movimento

Escondo meu coração de mim mesma
Ele grita e eu finjo que sou surda
Então ele bate forte
Chuta meu peito,
Faz birra e não me deixa esquecer
Esquecer? Nem quero!
E olho para ele com carinho
Tanto que o protejo da dor
E ele nem sabe disso...

Ele quer ver e tocar nas estrelas do céu e do mar
Um peixe prateado de luar acaba de passar...
Cores em movimento
Meu coração quer nadar,
Quer sair... Viver e até se entregar
Que atrevido!
Meu coração é criança,
Mas eu o protejo
E sigo com ele
E ele nem sabe disso...

Ah! Esse coração é muito menino,
Empina pipa no ar...
E me faz rir, quando faz piruetas comigo
E digo baixinho: roda mais, roda mais!!!
Rimos os dois!
Ele grita: Agora eu vou te pegar!
Eu corro dele... Ele corre de mim
Ao final quando nos encontramos
Já não o protejo e nem ele a mim
Já estamos no mesmo céu,
Tocamos as mesmas estrelas do mar...
liliana miranda

10 abril 2008

Reflexivo
Affonso Romano de Sant'Anna

O que não escrevi, calou-me.
O que não fiz, partiu-me.
O que não senti, doeu-se.
O que não vivi, morreu-se.
O que adiei, adeus-se.

12 março 2008

Aniversário do Recife
471 anos...


A Veneza Brasileira



O Recife é uma cidade que encanta à primeira vista. História e beleza misturam-se em um cenário plantado à beira-mar e cortado por extensos rios e pontes. A exemplo de outras cidades portuárias, nasceu e se desenvolveu em torno do seu porto. Como descreve o escritor Josué de Castro, "é este um dos seus aspectos mais singulares: em regra, constrói-se um porto para servir a uma cidade; no caso, levantaram os holandeses uma cidade para servir a seu porto". Seu nome é uma variação da antiga forma arrecife, que do árabe ar-cif significa dique, alusão aos rochedos de corais abundantes ao longo do litoral.

No dia 12 de março, a cidade comemora 471 anos. A mais antiga referência sobre o Recife é de 1537, no documento Foral de Olinda, no qual está determinado o estatuto jurídico da propriedade da terra. Um pequeno mundo, um povoado, não muito distante de Olinda (apenas 6km ao Norte), que era o lugar central do poder e da riqueza da capitania de Pernambuco, governada nos primeiros tempos, por Duarte Coelho. Nesta época, o Recife era apenas parte do território de Olinda, o que durou até 1709.

08 março 2008

Rosa
Uma homenagem às mulheres...



És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza
(Pixiguinha)

03 março 2008

Fidel renuncia...

“Esta noite 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo.
Nenhuma é cubana.”


Fidel Castro, 81 anos, renunciou às suas funções de presidente do Conselho de Estado de Cuba e Comandante-em-Chefe da Revolução.
Entregue aos cuidados de sua saúde, prefere manter-se fora das atividades de governo e participar do debate político – que sempre o encantou – através de seus artigos na mídia.
Permanece, porém, como membro do Birô Político do Partido Comunista de Cuba.
No último domingo 24, Raúl Castro, 77 anos, foi eleito, pelos novos deputados da Assembléia Nacional, para ocupar as funções de primeiro mandatário de Cuba.
Esta é a segunda vez que Fidel renuncia ao poder. A primeira ocorreu em julho de 1959, sete meses após a vitória da Revolução. Eleito primeiro-ministro, entrou em choque com o presidente Manuel Urrutia, que considerou radical as leis revolucionárias, como a reforma agrária, promulgadas pelo conselho de ministros. Para evitar um golpe de Estado, o líder cubano preferiu renunciar. O povo saiu às ruas em seu apoio. Pressionado pelas manifestações, Urrutia não teve alternativa senão deixar o poder. A presidência foi ocupada por Osvaldo Dorticós e Fidel voltou à função de primeiro-ministro. Estive em Cuba em janeiro deste ano, para participar do Encontro Internacional sobre o Equilíbrio do Mundo, à luz do 155º aniversário de nascimento de José Martí, figura paradigmática do país. Retornei em meados de fevereiro para outro evento internacional, o Congresso Universidade 2008, do qual participaram vários reitores de universidades brasileiras. Nas duas ocasiões encontrei-me com Raúl Castro e outros ministros cubanos. Reuni-me também com a direção da FEU (Federação Estudantil Universitária); estudantes da Universidade de Ciências Informáticas; professores de nível básico e médio; e educadores populares.
Ilude-se quem imagina significar a renúncia de Fidel o começo do fim do socialismo em Cuba. Não há nenhum sintoma de que setores significativos da sociedade cubana aspirem à volta ao capitalismo. Exceção a uns poucos que, em nome dos direitos humanos, não se importariam que o futuro de Cuba fosse equivalente ao presente de Honduras, Guatemala ou Nicarágua. Aliás, nenhum dos que se evadiram do país prosseguiu na defesa dos direitos humanos ao inserir-se no mundo encantado do consumismo...
Cuba não é avessa a mudanças. O próprio Raúl Castro desencadeou um processo interno de críticas à Revolução, através das organizações de massa e dos setores profissionais. São mais de 1 milhão de sugestões ora analisadas pelo governo. Os cubanos sabem que as dificuldades são enormes, pois vivem numa quádrupla ilha: geográfica; única nação socialista do Ocidente; órfã de sua parceria com a União Soviética; bloqueada há mais de 40 anos pelo governo dos EUA.
No IDH 2007 da ONU, o Brasil comemorou o fato de figurar em 70º lugar. Os primeiros setenta paises são considerados os melhores em qualidade de vida. Cuba, onde nada se paga pelo direito universal à saúde e educação de qualidades, figura em 51º lugar. O país apresenta uma taxa de alfabetização de 99,8%; conta com 70.594 médicos para uma população de 11,2milhões (1 médico para 160 habitantes); índice de mortalidade infantil de 5,3 por cada 1.000 nascidos vivos (nos EUA são 7 e, no Brasil, 27); 800 mil diplomados em 67 universidades, nas quais ingressam, por ano, 606 mil estudantes. Hoje, Cuba mantém médicos e professores atuando em mais de 100 países, incluído o Brasil, e promove, em toda a América Latina, a Operação Milagros, para curar gratuitamente enfermidades dos olhos, e a campanha de alfabetização Yo si puedo (Sim, eu sou capaz), com resultados que convenceram o presidente Lula a adotar o método no Brasil. Haverá, sim, mudanças em Cuba quando cessar o bloqueio dos EUA; forem libertados os cinco cubanos presos injustamente na Flórida por lutarem contra o terrorismo; e se a base naval de Guantánamo, ora utilizada como cárcere clandestino - símbolo mundial do desrespeito aos direitos humanos e civis - de supostos terroristas - for devolvida. Não se espere, contudo, que Cuba arranque das portas de Havana dois cartazes que envergonham a nós, latino-americanos, que vivemos em ilhas de opulência cercadas de miséria por todos os lados: “A cada ano, 80 mil crianças morrem vítimas de doenças evitáveis. Nenhuma delas é cubana.” “Esta noite 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma é cubana.”

Alberto Libânio Christo(Frei Betto)
brasileiro, escritor e frade dominicano, é uma das vozes mais ativas pela justiça social na América Latina
Post roubado do meu amigo Rodolfo em "Bastidores"