17 março 2009

Você, meu amor
Fernando Paz*

Coleccionador privado Revista 'ARTISTS', Valérie Londot.
ESPADA - Barco à Vela, Aguarela, 54 x 74 2007

Você é o meu mar
e a bússola do meu caminho
Você é o velame, que impulsiona minha vida
e a roda de leme, que me diz o caminho certo
Você é vigia, por onde posso caminhar
Você é âncora, que me mantém firme, sem descair
e a amarra, que segura minhas fraquezas
Você é o astrolábio, onde posso me encontrar
e a carta náutica, que indica os caminhos à navegar
Você é a profundidade, onde posso chegar
e a calmaria, da mulher serena
Você é o mar revolto, quando pensa está perdida
e a brisa, que acaricia o meu ser
Você é tempestade, quando se determina a fazer
e o tesouro, vivo, que encontrei no seu mar
você é amiga, namorada, esposa, amante fiel
a sabedoria, a inteligência e o saber
Você é a mulher que escolhi pra viver
a amante carinhosa, que rega meu convés
Você é tudo isso
e o que mais poderia eu definir?
Você, meu amor


*Fernando Paz é diretor de planejamento da Autarquia de Saneamento do Recife- SANEAR. Homem sensível e dedicado.

12 março 2009


CORDEL DA EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA
Zé Piaba

I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.


II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.


III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.


IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.


V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.


VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.


VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.


VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.


IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.


X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.

05 março 2009

Manchetes
05 de março de 2009


O campeão da América... caiu na Ilha
Campeões da Taça Libertadores de 2008, os equatorianos da LDU sentiram ontem a força do campeão da Copa do Brasil. Com gols de Daniel Paulista e Paulo Baier, o Leão venceu e isolou-se na liderança do Grupo 1, com seis pontos
Diário de Pernambuco


Sport arrasa a LDU
O rubro-negro sufocou a atual campeã da Libertadores desde o início, na Ilha, e fez 2x0, gols de Daniel Paulista e Paulo Bayer, de pênalti. Uma vitória incontestável que isola o Sport na liderança de seu grupo.
Jornal do Commercio


Sport é Líder e dá olé na LDU
Leão vence equatorianos, assumi a ponta do grupo na libertadores e enloquece a Ilha
Folha de Pernambuco

04 março 2009

À minha amiga Anna(linda e loira) que tive o prazer de abraçar depois de 10 anos de amizade na web(sempre foi mais que isso) e que curtiu o carnaval de Recife e Olinda

Guerra é guerra!
Ronaldo Correia de Brito

Folia pernambucana. "Multicultural e sem dono, anônimo e com títulos", diz Brito

No tempo do saudoso jornal carioca O Pasquim, quando era questão de honra para o cara ser válido, lúcido e inserido no contexto andar com o jornalzinho (me perdoe, turma, pelo diminutivo) debaixo do braço, se o jornaleco (outra com que se autodenominavam) estava em baixa, vendendo pouco, tacavam uma briguinha entre paulistas e cariocas, disputas que nunca deram em tapas, mas ajudavam a incrementar as tiragens.
Pensei por esses dias de quarta-feira de cinzas, sem nenhuma ressaca, que já está no tempo de Pernambuco e Bahia, ou se preferirem Recife e Salvador, oficializarem sua disputa pelo título de melhor carnaval brasileiro. Eu, claro, torço pelo Recife. E lá vai a primeira de Antonio Maria:

Sou do Recife com orgulho e com saudade
Sou do Recife com vontade de chorar
O rio passa levando barcaças pro auto do mar
Em mim não passa essa vontade de chorar...

Seria uma guerrinha dionisíaca, de confetes e serpentinas, sem mortos nem feridos, nada semelhante à Revolução de 1817, feita pelos pernambucanos na companhia da gente da Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas, em que os baianos entraram de traidores e meteram chumbo nos revolucionários. Seria guerra mais para marcha junino/carnavalesca de Morais Moreira:

... bombas
na guerra magia
ninguém matava, ninguém morria
nas trincheiras da alegria o que explodia era o amor...

A Praça Castro Alves pode até ser do povo, como afirmou Caetano Veloso, mas do povo mesmo é o carnaval do Recife, onde ninguém paga ingresso para brincar. E como se brinca desde a virada do ano! Da zona da Mata Norte, chegam os insurgentes caboclos de lança dos maracatus rurais. As lanças cobertas de fitas se elevam no meio dos canaviais como o pendão das canas, brincantes ressuscitados que as moendas dos engenhos e usinas não conseguiram triturar. E os mestres puxam as loas e os chocalhos badalam, badalam, badalam...

É da estrela da tarde
Meu maracatu guerreiro
É da noite é do dia
É do povo brasileiro.

E mais adiante, bem mais adiante, o batuque virado das nações dos maracatus negros, e um pouquinho depois deles Chico Science e a Nação Zumbi da lama ao caos. Multicultural e sem dono, anônimo e com títulos, coletivo e pessoal, caboclinhos, tribos, clubes, blocos, troças, la ursa, bois, burrinhas, escolas de samba, afoxés, o diabo a quatro e os bêbados que nunca conseguem fazer um quatro aí que eu quero ver, é o carnaval do Recife, de Pernambuco nação cultural, terra onde dois rios, o Capibaribe e Beberibe se juntaram para formar o Oceano Atlântico. Acham pouco? Eu acho é pouco! O nome de mais um de mil blocos.

Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon
Cadê teus blocos famosos?
Bloco das Flores, Andaluzas, Pirilampos
Apôs-fun
Dos carnavais saudosos...


E nas altas madrugadas da quarta-feira de cinzas, quando alguns brincantes entoam as marchas de Nelson Ferreira, Edgar Morais e Getúlio Cavalcanti, em pontos diversos da cidade ainda se brinca de ser diverso. E enquanto não sai O Bacalhau do Batata, lá no Alto da Sé de Olinda, na Praça do Marco Zero as orquestras e os coros teimam em afirmar que:

É lindo ver o dia amanhecer
Com violões e pastorinhas mil
Dizendo vem que o Recife tem
O carnaval melhor do meu Brasil

Ronaldo Correia de Brito é médico e escritor. Escreveu Faca e Livro dos Homens.

27 fevereiro 2009

Assim Como

Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade,
Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada.
Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.
Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos, infância da doença.
Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença.

Alberto Caeiro

21 fevereiro 2009

Carnaval
Chuva, suor e cerveja
Caetano Veloso

não se perca de mim
não se esqueça de mim
não desapareça
que a chuva tá caindo
e quando a chuva começa
eu acabo perdendo a cabeça
não saia do meu lado
segure o meu pierrot molhado
e vamos embolar ladeira abaixo
acho que a chuva ajuda a gente a se ver
venha veja deixa beija seja
o que deus quiser
a gente se embala se embola se embola
só pára na porta da igreja
a gente se olha se beija se molha
de chuva suor e cerveja

20 fevereiro 2009

19 fevereiro 2009

PASSEIO NO CHILE...

Parabéns SPORT, vamos adiante!
Racistas de plantão


A charge, do cartunista Sean Delonas, que o jornal disse ser uma paródia da política norte-americana, mostra um policial baleando um macaco - aludindo ao caso real de um chimpanzé de estimação que foi abatido a tiros nesta semana em Connecticut após atacar uma mulher. Na versão do New YorkPost, um dos policiais envolvidos diz: "terão de encontrar outra pessoa para escrever a próxima lei de estímulo econômico".
Na terça-feira, Obama sancionou um pacote de estímulo econômico de US$ 787 bilhões, por cuja aprovação ele havia se empenhado diretamente. Críticos da charge interpretaram o chimpanzé morto como uma referência a Obama, que se tornou o primeiro presidente negro dos EUA em 20 de janeiro.
O Post, de tendências direitistas, pertence ao conglomerado internacional da mídia News Corp, propriedade do magnata Rupert Murdoch.

fonte: terra.com
Reforma Ortográfica III




clique na imagem para ver melhor


18 fevereiro 2009

Força Leao!

... gosto de te ver entrar no campo, de te ver jogar!

gosto muito de você leãozinho.

17 fevereiro 2009

"... todo verbo que é forte
se conjuga no tempo
perto, longe o que for."