17 junho 2009

Arqueólogos de Israel revelam obra de arte com 1.700 anos



Mosaico multicolorido, achado em Lod região central do país data dos séculos finais do Império Romano. O local acaba de ser escavado e vai virar um centro arqueológico.

16 junho 2009

É festa do Arraiá !!!

Do cais até o sertão, pernambuco é só São João

14 junho 2009

Ao meu amigo muito querido Victor Reis, hoje, dia do seu aniversário... que a nossa amizade seja sempre fértil e cheia de poesia!

NOITE DOS “CAPITÃES DA AREIA”

A cidade dormiu cedo.
A lua ilumina o céu, vem a voz de um negro do mar em frente.
Canta a amargura da sua vida desde que a amada se foi.
No trapiche as crianças já dormem.

A paz da noite envolve os esposos.
O amor é sempre doce e bom, mesmo quando a morte está próxima.
Os corpos não se balançam mais no ritmo do amor.
Mas no coração dos dois meninos não há nenhum medo.
Somente paz, a paz da noite da Bahia.

Então a luz da lua se estendeu sobre todos,
as estrelas brilharam ainda mais no céu,
o mar ficou de todo manso
(talvez que Iemanjá tivesse vindo também a ouvir música)
e a cidade era como que um grande carrossel
onde giravam em invisíveis cavalos os Capitães da Areia.

Vestidos de farrapos, sujos, semi-esfomeados, agressivos,
soltando palavrões e fumando pontas de cigarro,
eram, em verdade, os donos da cidade,
os que a conheciam totalmente,
os que totalmente a amavam,
os seus poetas.
Jorge Amado

09 junho 2009

Eco no ouvido


Há por ai uma calmaria desassossegada
Uns tantos quantos gritos abafados
Alguns sorrisos amarelos esbranquiçados
Umas tantas esperanças amordaçadas

Há por ali uma certa conveniência
E aquele silêncio de que tudo parece normal
Um deixa quieto, que sempre foi assim
Uma roupa velha que te vendem como nova

Novas impressões, palavras antigas
Sons, ruídos
E um eco no ouvido

E ali, ao lado, tímida, acuada,
A menina que sonhava
Um sonho possível.


liliana miranda
2009

08 junho 2009

.. desculpa lá adriano!

05 junho 2009

DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

28 maio 2009

A palavra não é o limite


Admiração

admiro os sem dúvida
sobre quem servir
pela paixão com que servem
quanto a mim, admiro-me
por desgostar de ser vil
a quem quer que seja
por preferir, sem dúvida
a fraternidade que rema
contra a maré da servidão.

Pedro Américo concretiza o projeto de colocar a música a serviço da oralidade da poesia no audiolivro LinguarazNão há tema melhor para despertar polêmica nos debates universitários que a relação entre música e poesia. Seria a letra de uma canção popular literatura, ou mundos opostos e bem delimitados em suas diferenças? Uma discussão interminável, que na verdade precisaria ser colocada dentro de padrões de época. Houve tempos em que a poesia era feita para ser cantada, em outros, a cisão completa, mas não necessariamente definitiva. Ciente de toda essa polêmica e com desejo de se inserir nela, o poeta Pedro Américo lança amanhã, às 19h, no auditório da Livraria Cultura, Linguaraz, obra que literalmente apresenta a sua “voz poética”.
O projeto é bifronte: traz um livro de poemas acompanhado de CD. “Não sendo músico, quis sempre fazer um trabalho que casasse livro e disco em que meus poemas tivessem tratamento de composição musical, com direito a arranjos para percussão, guitarra elétrica”, explica Pedro Américo, cuja obra conta com participação de nomes como Silvério Pessoa, DJ Dolores, Yuri Queiroga e o próprio autor assumindo o vocal das composições.
“Excetuando os casos dos poemas O bailado dos olhos, Soma – sumo e Lei seca, o que aconteceu foi um processo de laboratório, em pleno estúdio, em que Yuri Queiroga, concentradíssimo na gravação de vozes e instrumentos, ia estudando caso a caso, sempre auxiliado de perto por Lucas dos Prazeres e ainda ouvindo a opinião dos demais componentes do trabalho, e assim gravando, arranjando e definindo o papel dos instrumentos no contexto de cada faixa”, explicou Pedro.
Linguaraz é um trabalho que cerca a poesia por todos os lados, de música por um, e pelos desenhos de Victor Zalma por outro: “Este não é um livro, é um audiolivro, mais ainda, como diriam os poetas concretos (que não gostam da palavra concretismo), trata-se de um trabalho verbi-voco-visual, não no sentido dos textos em composição de design na página, mas, diferentemente, um apelo mais aberto à idéia de um triângulo amoroso editorial entre o desenho, o texto e a música.”
Mesmo tão bem cercados, são nas palavras que os poemas de Pedro Américo ainda procuram um significado que se aproxime do sublime: “Gosto dos arcaísmos, e tenho descoberto que muitas palavras utilizadas por escritores modernos, e julgadas por leitores e até por ensaístas apressados, como neologismos, são, na verdade, palavras arcaicas fora de uso. Escolhi linguaraz, embora não traduza precisamente o conjunto deste trabalho. Apanho-a no seu melhor sentido de maledicente, não de uma maledicência sobre a vida alheia, mas de uma maledicência de quem busca definir a necessidade de a poesia se soltar um pouco da condição de refém do sublime”.

A Livraria Cultura convida para o recital de lançamento do audiolivro Linguaraz, de Pedro Américo de Farias.

29 de maio de 2009
18h30 Auditório da Livraria Cultura
R. Madre de Deus, s/n
Paço Alfândega Recife PE

24 maio 2009

Uma caipirinha para comemorar...

05 anos de traduções

Ás vezes me parece muitos anos.. muitos. Mas de repente não são tantos assim, poucos, quase nada. Poemas, contos, notícias.. imagens, fotografias, lutas, conquistas, acontecimentos inesquecíveis...

Aqui cabe o mundo inteiro ou nada... Por quê?
Porque,
Uma parte de mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo

Aqui somos uma força única ou ficamos sem voz, sozinhos... Por quê?
Porque,
Uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão.

Aqui há todos os pesos e todas as medidas, ou medida alguma... Por quê?
Porque,
Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira.

Aqui a barriga faz barulho, estremece e se admira.. Por quê?
Porque,
Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira.

Aqui recriamos a nós mesmos ou improvisamos... Por quê?
Porque,
Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente

Aqui nos embriagamos de sentidos e vomitamos palavras.. Por quê?
Porque,
Uma parte de mim é só vertigem: outra parte; linguagem.

Aqui traduzimos tudo: pedaço por pedaço, fio por fio, cor por cor.. arte! Por quê?!
Porque,
Traduzir-se uma parte na outra parte - que é uma questão de vida ou morte - será arte?

É Arte!

Obrigados a todos por suas traduções!

19 maio 2009

18 maio 2009

Liberte-se do preconceito!

Dia Internacional do Combate à Homofobia

Foi em 17 de maio de 1990, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doença (CID). De lá pra cá, ações comemorativas e de protestos vêm acontecendo para celebrar a data que se tornou marco mundial para a causa gay.

Na manhã deste domingo em Recife não foi diferente. A prefeitura, por meio da Gerência da Livre Orientação Sexual (Glos), juntamente com a Ong Leões do Norte, promoveu uma panfletagem na Praia de Boa Viagem, zona Sul da cidade, para marcar as atividades do Dia Internacional de Combate à Homofobia. Representantes de várias entidades ligadas aos direitos dos homossexuais (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais) participaram da atividade.

Durante toda a manhã, banhistas, turistas e moradores do bairro de Boa Viagem receberam um material educativo, com fitinhas, preservativos, panfleto educativo explicando as várias formas de manifestação da homofobia, além de um informativo da Glos explicando as ações do Recife a partir da criação das leis municipais. Também, em sinal de protesto, estavam fincadas, na areia da praia, 29 cruzes, alusivas ao número de homicídios de homossexuais ocorridos no ano de 2008 – este ano, já foram contabilizados seis assassinatos de gays na Região Metropolitana do Recife.

A Prefeitura do Recife promoverá o primeiro Fórum Temático LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais) no dia 11 de agosto.
É importante construirmos uma sociedade mais justa e igualitária, promovendo uma inclusão ainda maior dessa parcela da sociedade. Assim estaremos também contribuindo para que muitos não se sintam como se fossem ou estivessem fazendo algo errado.

17 maio 2009

Inundação

Pés na água
Buscando saídas
A água leva o sono
Leva o sossego
Traz o frio, a incerteza
E o corpo treme
E treme

Mais água,
Nas pernas, na barriga
E leva com ela
Os planos, os sonhos
Dignidade, sensatez
Traz a raiva, desconfiança
E o corpo treme
Treme de frio

Pescoço imerso,
Queixo inclinado em busca do ar
Mãos a procura de sustentação
De socorro, de clareza
Mas a água continua a subir, arrasta
A água descolore as telas
Desfaz os castelos
A água aos poucos afoga,
Sufoca, mata
Onde antes, o fogo ardia.

liliana
2009

14 maio 2009

Miedo
Composição: Pedro Guerra/Lenine/Robney Assis

Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul
Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da

El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor

Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá

Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar

Tienen miedo de reir y miedo de llorar
Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser
Tienen miedo de decir y miedo de escuchar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor

El miedo es una raya que separa el mundo
El miedo es una casa donde nadie va
El miedo es como un lazo que se apierta en nudo
El miedo es una fuerza que me impide andar

Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo

Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão

Medo de fechar a cara
Medo de encarar
Medo de calar a boca
Medo de escutar
Medo de passar a perna
Medo de cair
Medo de fazer de conta
Medo de dormir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez

Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo... que dá medo do medo que dá
Medo... que dá medo do medo que dá