10 agosto 2009

Eu sonhei que o rei do pop,
Logo após bater as botas,
Foi direto para o céu,
Fazendo muitas marmotas,
Cantando muito agitado
Feliz, tinha se livrado
De dívida, banco e agiotas.

(...)

Mas São Pedro eu sou um astro
Famoso no mundo inteiro!
Não tem um ato secreto
Para me atender primeiro?
- Aqui é outro processo
Não é aquele Congresso
Lá do povo brasileiro!

(...)

Eu queria dançar mais
Sabe o senhor, não empaco,
Gostava de requebrar,
Pois eu sou bom nesse taco
Dançando eu faço munganga,
Às vezes visto uma tanga
Para prender o meu saco!

*trechos do cordel

07 agosto 2009

Pontuação II

Ponto no final da F(r)ASE
.

06 agosto 2009

Pontuação



Houve um tempo que era reticências
Depois virgula,
Mais tarde se viu ponto e virgula
Agora é só ponto. Final.

liliana miranda
2009
.

03 agosto 2009

Coisa alguma, nada dito
A historia do tempo perdido



Já bem tarde
Não de tempo nem de idade
Já bem tarde no fim das possibilidades
Eis que surge um estranho na mira

Ele avança correndo o parapeito
E delira de palavras lindas
Os ouvidos afinam-se alarmados
E cochicham repetindo rimas

Já acostumados com a cena
Acomodam-se sentados em fila
Mas um verso caiu repentino
E mostrou-se inteiro a sua alma

E o rosto dele refletido
Fez corar as caras lado a lado
Os cochichos aumentaram de volume
Os espantos todos, alarme

Saiu correndo como se veio
Sem dizer se acaso voltava
Deixou pedaços de letras espalhado
E sumiu ligeiro no caminho

Ainda algumas frases se repetiram
Que o tempo roubou-lhes todas um dia
E já isso parece o não dito
Que no tempo se fez perdido.



liliana miranda
2009

02 agosto 2009

Um homem na cidade

Agarro a madrugada
como se fosse uma criança
uma roseira entrelaçada
uma videira de esperança
tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem por força da vontade
de trabalhar nunca se cansa.

Eu sou um homem na cidade
que manhã cedo acorda e canta
e por amar a liberdade
com a cidade se levanta.

Vou pela estrada
deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresça na vela da canoa.

Sou a gaivota
que derrota
todo o mau tempo no mar alto
eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.

E quando agarro a madrugada
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada
um malmequer azul na cor.

O malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém
o malmequer desta cidade
que me quer bem que me quer bem!

Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar tem
flor de Lisboa bem amada
que mal me quis que me quer bem!


José Carlos Ary dos Santos

23 julho 2009

O Guardador de Rebanhos

(XVI)
Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois
Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada,
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.
Eu não tinha que ter esperanças – tinha só que ter rodas...
A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...
Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco

Fernando Pessoa

19 julho 2009

Arde outra vez...


Ardeu nesta madrugada, 19 de julho, o galpão que Anne Frank e sua irmã Margot foram detidas e obrigadas a realizar trabalhos forçados em 1944, durante a 2ª guerra mundial, sendo em seguida deportadas para o campo de extermínio de Auschwitz. Muitos judeus foram detidos pelos nazistas por terem se escondido, por isso eram considerados criminosos e condenados a trabalhos forçados, a família de Anne Frank foi uma delas.

17 julho 2009

É preciso não esquecer nada


É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do
nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

Cecília Meireles

16 julho 2009

... um dia, entre nós, a distancia será tanta que não mais encontrarmos o caminho de volta.

13 julho 2009

O aroma do tempo

tela: Mão e rosto. Yeda Arouche

O aroma atravessa o nariz e lá vem a memória do tempo. O cheiro de coisa conhecida, vivida, sofrida, realizada. As buzinas dos carros voltam a incomodar e o passo das pessoas continua apressado. Crianças gritam e brincam e choram chamando por suas mães. Os vendedores anunciam seus produtos desesperadamente em busca de alimentar sua família. O aroma que agora toma conta de tudo e do todo, do tudo de mim, se materializa em ti e nos sentimentos que me fizeste viver. Os sorrisos vieram largos, repetidos e os olhares outra vez foram profundos, reveladores. Os gestos são todo carinho e o toque, suave em minha pele. As bocas se tocaram e trocaram confidências, juras de amor eternas. Os corpos e pensamentos se fundiram. O aroma sou eu e o que vi e vivi. O aroma é tu em mim outra vez. O aroma é a sombra do tempo que ficou.
Aperto minhas mãos contra o rosto e uma ultima, profunda e definitivamente vez o aroma recria em mim o que em mim o tempo desfez.
E já não há perfumes, lembranças nem toques nem olhares, já não há lugares, pessoas, passos, abraços e choros e soluços. Já não há juras de amor.
Agora o tempo é tempo, presente, real e ausente de memórias. Agora o tempo é tempo sem tempo que já veio e se foi vezes sem conta.


Liliana Miranda
13.07.2009

06 julho 2009

Alma, garganta abaixo

Era cedo e naquele dia havia menos gente que o habitual. Nem sempre são as mesmas pessoas mas, dois ou três costumam estar lá mesma hora que eu. Quando me atraso um pouco percebo que há mais gente um pouco mais tarde. De fato percebo que quando chego ainda há movimento para deixar as coisas no lugar. Então os funcionários passam com bandejas de queijos, pães assado, café, leite e estas guloseimas que fazem parte do nosso café da manhã. Sentei no balcão como sempre já com minha xícara de café com leite e pedi para que providenciasse o meu habitual pão assado. Então, durante a minha espera pude perceber ao meu lado que as mãos dele tremiam muito. Mantinha quase sempre o rosto para baixo. Devia ter, pelo que disfarçadamente pude perceber, uns 40, 45 anos. Era jovem ainda. No balcão estavam duas garrafas de cerveja já vazias e um copo ainda cheio que ele foi bebendo muito rapidamente com aquelas mãos trêmulas. Era cedo ainda. E ele já tinha bebido duas garrafas de cerveja, embora uma bebida leve, para mim me parecia pesada para aquela altura do dia. Claro que não pude deixar de me sentir profundamente envolvida com aquela situação. No dia anterior, li mais sobre alcoolismo e busquei telefones e endereços de ajuda profissional. Há dois ou três anos tenho passado por este problema com uma pessoa muito querida. Como dói ver uma pessoa se destruir diante de um copo. Pela garganta abaixo se supõe desaparecer problemas, frustrações, dores, falta de amor entre outras coisas. Pela garganta também perdemos dignidade, respeito, clareza, força. Pela garganta se vai o que se acumula na alma pesando imensamente sobre um corpo frágil.
Quis chorar. Tentei não deixar transparecer meu incômodo, meu desespero, minha angústia. E ele tremia ao meu lado. Tremia também minha alma.

02 julho 2009

Nomeado o novo arcebispo da arquidiocese de Olinda e Recife

Quem é Dom Antonio Fernando Saburido?

Substituto foi auxiliar de Dom José no período de 2000 a 2005
Foto: Arquivo/Bárbara Wagner/JC Imagem

Há um ano atrás o arcebispo de Recife e Olinda Dom Jose Cardoso Sobrinho mais conhecido como o "Dom do Ódio" em contraste com seu antecessor dom Helder Camara, o "Dom do Amor", pediu sua renúncia por ter completado a idade máxima e só agora o pastor alemão, o Papa Bento XVI, nomeou outra pessoa para ocupar o cargo. Trata-se de Dom Antônio Fernando Saburido, 62 anos. Ele é pernambucano, nascido no Cabo de Santo Agostinho e foi ordenado padre pela Ordem de São Bento (OSB) em 1978. Nomeado bispo auxiliar de Olinda e Recife, recebeu a ordenação episcopal em agosto de 2000 e, em 2005, foi nomeado bispo da diocese de Sobral. Dom Antônio Fernando já foi presidente do Regional Nordeste 2 da CNBB.

Dom José Cardoso Sobrinho , o Dom do Ódio, dirigiu a arquidiocese desde o dia 15 de julho de 1985. Ele substituiu Dom Helder Pessoa Camara (1909-1999), arcebispo emérito de Olinda e Recife, que tinha assumido a arquidiocese em 1964. Diferentemente da situação atual, o pedido de renúncia de Dom Helder foi aceito de imediato pelo Vaticano.

Dois anos atrás, o carmelita denunciou ao Vaticano o padre Edwaldo Gomes, da Paróquia de Casa Forte, Zona Norte do Recife, por ter concelebrado missa com um bispo da Igreja Anglicana. Este ano, excomungou a equipe médica que fez um aborto legal numa criança de 9 anos de idade. A garota havia sido estuprada pelo padastro e tinha ficado grávida de gêmeos. A punição também se aplicou à mãe da menina.

Quando ao nosso novo arcebispo de Recife e Olinda, Dom Antônio Fernando Saburido, só nos resta sonhar, que entre os exemplos de amor e o ódio, ele consiga encontrar equilíbrio pra ser um pastor digno de seu rebanho!

Saudades temos do tempo que tínhamos um pastor !