19 agosto 2009

Grafitagem
em campanha da coleta do óleo de cozinha


Imagens: Edilson Segundo/ DP/D.A Press

A campanha “Mundo Limpo. Mundo melhor” pretende recolher óleo de fritura que, normalmente, é despejado nos ralos de pias de cozinha. A iniciativa é uma parceria da Compesa com a indústria ASA que juntas vão pintar outros 13 pontos de coleta do produto na Região Metropolitana do Recife (RMR).
De acordo com o diretor de operações da Compesa, Roberto Tavares, 70% das solicitações de serviços de manutenção são relacionadas ao despejo indiscriminado de óleo nas tubulações. “A gordura endurece e causa obstrução nas tubulações. É como se fosse a ação do colesterol ruim em nosso corpo”, comparou.
O problema prejudica o meio ambiente com os esgotos estourados nas ruas além de custar caro ao sistema de tratamento de esgoto. “Com o entupimento e rompimento da tubulação acontece o abatimento da rede de coleta de esgoto. Então, é preciso quebrar calçamento, asfalto e interromper vias, o que leva mais tempo”, explicou Tavares. “Por isso é preciso conscientizar a população e, principalmente, os estabelecimentos comerciais, como supermercados e restaurantes, a não despejarem óleo no ralo”, alertou.
A população poderá entregar o óleo em garrafas pet em um destes pontos de coleta da RMR: Encruzilhada, Afogados, Largo da Paz, Paulista, Prazeres, Olinda, Cabo de Santo Agostinho, Porto de Galinhas, Jangadinha, São Lourenço da Mata, Camaragibe.

13 agosto 2009

Arde


os as. Tchello D´Barros

Algum amor antes havia
Amor algum havia antes
Antes havia amor algum
Havia antes algum amor

Anseia apressadamente arder
Apressadamente arde anseia
Arder anseia apressadamente

Agora aumenta a alma
A alma agora aumenta
Aumenta a alma agora

Agora, anseia, arde a alma.


liliana miranda
2009

10 agosto 2009

Eu sonhei que o rei do pop,
Logo após bater as botas,
Foi direto para o céu,
Fazendo muitas marmotas,
Cantando muito agitado
Feliz, tinha se livrado
De dívida, banco e agiotas.

(...)

Mas São Pedro eu sou um astro
Famoso no mundo inteiro!
Não tem um ato secreto
Para me atender primeiro?
- Aqui é outro processo
Não é aquele Congresso
Lá do povo brasileiro!

(...)

Eu queria dançar mais
Sabe o senhor, não empaco,
Gostava de requebrar,
Pois eu sou bom nesse taco
Dançando eu faço munganga,
Às vezes visto uma tanga
Para prender o meu saco!

*trechos do cordel

07 agosto 2009

Pontuação II

Ponto no final da F(r)ASE
.

06 agosto 2009

Pontuação



Houve um tempo que era reticências
Depois virgula,
Mais tarde se viu ponto e virgula
Agora é só ponto. Final.

liliana miranda
2009
.

03 agosto 2009

Coisa alguma, nada dito
A historia do tempo perdido



Já bem tarde
Não de tempo nem de idade
Já bem tarde no fim das possibilidades
Eis que surge um estranho na mira

Ele avança correndo o parapeito
E delira de palavras lindas
Os ouvidos afinam-se alarmados
E cochicham repetindo rimas

Já acostumados com a cena
Acomodam-se sentados em fila
Mas um verso caiu repentino
E mostrou-se inteiro a sua alma

E o rosto dele refletido
Fez corar as caras lado a lado
Os cochichos aumentaram de volume
Os espantos todos, alarme

Saiu correndo como se veio
Sem dizer se acaso voltava
Deixou pedaços de letras espalhado
E sumiu ligeiro no caminho

Ainda algumas frases se repetiram
Que o tempo roubou-lhes todas um dia
E já isso parece o não dito
Que no tempo se fez perdido.



liliana miranda
2009

02 agosto 2009

Um homem na cidade

Agarro a madrugada
como se fosse uma criança
uma roseira entrelaçada
uma videira de esperança
tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem por força da vontade
de trabalhar nunca se cansa.

Eu sou um homem na cidade
que manhã cedo acorda e canta
e por amar a liberdade
com a cidade se levanta.

Vou pela estrada
deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresça na vela da canoa.

Sou a gaivota
que derrota
todo o mau tempo no mar alto
eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.

E quando agarro a madrugada
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada
um malmequer azul na cor.

O malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém
o malmequer desta cidade
que me quer bem que me quer bem!

Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar tem
flor de Lisboa bem amada
que mal me quis que me quer bem!


José Carlos Ary dos Santos

23 julho 2009

O Guardador de Rebanhos

(XVI)
Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois
Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada,
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.
Eu não tinha que ter esperanças – tinha só que ter rodas...
A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...
Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco

Fernando Pessoa

19 julho 2009

Arde outra vez...


Ardeu nesta madrugada, 19 de julho, o galpão que Anne Frank e sua irmã Margot foram detidas e obrigadas a realizar trabalhos forçados em 1944, durante a 2ª guerra mundial, sendo em seguida deportadas para o campo de extermínio de Auschwitz. Muitos judeus foram detidos pelos nazistas por terem se escondido, por isso eram considerados criminosos e condenados a trabalhos forçados, a família de Anne Frank foi uma delas.

17 julho 2009

É preciso não esquecer nada


É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do
nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

Cecília Meireles

16 julho 2009

... um dia, entre nós, a distancia será tanta que não mais encontrarmos o caminho de volta.

13 julho 2009

O aroma do tempo

tela: Mão e rosto. Yeda Arouche

O aroma atravessa o nariz e lá vem a memória do tempo. O cheiro de coisa conhecida, vivida, sofrida, realizada. As buzinas dos carros voltam a incomodar e o passo das pessoas continua apressado. Crianças gritam e brincam e choram chamando por suas mães. Os vendedores anunciam seus produtos desesperadamente em busca de alimentar sua família. O aroma que agora toma conta de tudo e do todo, do tudo de mim, se materializa em ti e nos sentimentos que me fizeste viver. Os sorrisos vieram largos, repetidos e os olhares outra vez foram profundos, reveladores. Os gestos são todo carinho e o toque, suave em minha pele. As bocas se tocaram e trocaram confidências, juras de amor eternas. Os corpos e pensamentos se fundiram. O aroma sou eu e o que vi e vivi. O aroma é tu em mim outra vez. O aroma é a sombra do tempo que ficou.
Aperto minhas mãos contra o rosto e uma ultima, profunda e definitivamente vez o aroma recria em mim o que em mim o tempo desfez.
E já não há perfumes, lembranças nem toques nem olhares, já não há lugares, pessoas, passos, abraços e choros e soluços. Já não há juras de amor.
Agora o tempo é tempo, presente, real e ausente de memórias. Agora o tempo é tempo sem tempo que já veio e se foi vezes sem conta.


Liliana Miranda
13.07.2009