31 janeiro 2010

O Mário Quintana dizia que um poema é bom quando ao invés da gente ler o poema, ele nos lê. Concordo exatamente com esta afirmação. Um poema me toca mais profundamente quando tenho a sensação de que estou sendo lida por ele. Muitas vezes isso ja me aconteceu... muitas mesmo. Hoje, mais uma vez. Na casa de uma amiga que revirava uns papeis encontramos um poema escrito em 2006 pelo irmão dela, o Paulo Veras, que escreve linda e sensivelmente. Imediatamente quis ler para ele sem que ele soubesse que se tratava de um poema seu. Ele logo reconheceu timidamente, como sempre, a maravilha que havia escrito. Não posso deixar de partilhar aqui com vocês.
Antes.. Paulo, parabéns por mais este fantástico poema e obrigada por me permitir partilhar aqui neste cantinho.

Deliciem-se.

DOR PERENE

A minha dor vive nas sombras
Mas que dor não é sombria?!
Fogem-me da dor as palavras
Mas que palavras não são fugidias?!
E tudo é saudade...
De tanto, de tão pouco,
Mas que saudade não é vadia?!
Esqueçamos a dor,
Adormeçamos a saudade
Enganemo-nos por um momento
Fingindo não ser aflição.
Mas que aflição não é infinita
Quando a claridade se furta em agonia?
E a quem meu fingimento convence
Se não a mim todo dia?

Paulo Veras
12 set 2006
8:17h

29 janeiro 2010

Manias
(Desafio )

Vicktor, do blogue Oficina das Idéias, lançou-me um desafio para mencionar 5 manias ou hábitos que nos diferenciam ou aproximam dos outros.

Ai estão 5 manias minhas:

1. Estico bem o lençol da cama antes de dormir
2. Não encosto nada nos cantos, deixo sempre um pequeno espaço.
3. Gosto de consultar a numerologia das coisas e pessoas
4. Sempre tenho algum anel no dedo.
5. Prefiro sonhar de olhos abertos, alimenta minha alma

Segundo as regras do desafio preciso indicar cinco blogues para que façam o mesmo.

São estes:
Poesia de Vieria Calado
Humores
Dez-Dedinhos
Eu sei que vou te amar
Simbiose

Cidadão Global



Representando Lula, Amorim recebe prêmio no Fórum de Davos

Em nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não pôde comparecer ao Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, após uma crise de hipertensão, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, recebeu nesta sexta-feira (29) o prêmio “Estadista Global” das mãos do ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
Na cerimônia, Amorim leu o discurso do presidente Lula, descrevendo os avanços obtidos pelo Brasil nos últimos anos, que permitiram uma recuperação rápida em meio à turbulência global, na avaliação do presidente. A mensagem do presidente brasileiro a Davos também tratou da necessidade de mudanças na economia global, para evitar novas crises, e de esforços mais fortes pela preservação do meio ambiente.
“O Brasil provou aos céticos que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza." Ele avalia que o olhar para o Brasil hoje é muito diferente do que há sete anos, quando esteve pela primeira vez em Davos, logo que chegou ao poder. E que havia dúvidas sobre o operário sem diploma universitário, vindo da esquerda sindical.
No discurso de 2003, Lula frisou que era necessário construir uma nova ordem econômica internacional. "Sete anos depois posso olhar nos olhos de cada um de vocês e do meu povo e dizer que o Brasil fez a sua parte", diz a mensagem lida por Amorim. "Ainda precisamos avançar muito, mas ninguém pode negar que o Brasil melhorou."

fonte: Globo.com
TV RETRÔ




Eu quero uma !

A LG apresentou nesta semana a TV retrô LG Serie 1. À venda apenas na Coreia, o aparelho tem 14 polegadas e custa cerca de US$ 216. Para mudar os canais ou controlar o volume, é possível usar os botões ou controle remoto. O aparelho também dá opção de assistir às imagens em cores, preto e branco ou sépia.

Sem tela plana, aparelho é vendido com acabamento nas cores laranja e marrom. A antena e os pés cromados complementam o visual retrô.

P.S. Rapasso o endereço para entrega pra quem interessar. 

28 janeiro 2010

AMAR

Fechei os olhos para não te ver e a minha boca para não dizer... E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei e da minha boca fechada nasceram sussurros e palavras mudas que te dediquei...
O amor é quando a gente mora um no outro.

Mário Quintana

21 janeiro 2010

Flores
Charles Gavin, Tony Bellotto, Paulo Miklos e Sérgio Britto

Olhei até ficar cansado de ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado as flores que estão canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores cobrindo o telhado
Embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo o que eu vejo
A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores tem cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem

20 janeiro 2010

NOTA


Depois de muita trabalheira, não minha mas do Carlos, a quem agradeço imensamente, este blog conta outra vez com caixa de comentários e também um template atualizado onde vou poder utilizar os novos recursos do Blogger. Este ano tentarei mudar o layout para algo mais leve e/ou criativo. Aceita-se sugestões.

14 janeiro 2010

Sonhos

Sonho sempre. Lembro algumas vezes. Mas acredito que os sonhos têm algum significado qualquer. Seja algo que vimos, seja algo que desejamos, queremos muito ou até mesmo algo que temos medo que nos aconteça a nós ou a outras pessoas. E por isso à noite, nos sonhos, essas sensações se organizam em situações. Também acredito que os sonhos são carregados de simbologias. Isso talvez faça dos sonhos algo mais complexo e interessante. Um sonho que parece absurdo ou improvável pode está mesmo carregado de vários símbolos e que se não dermos a devida atenção irá parecer simplesmente um sonho louco e improvável. E mais, há os sonhos premonitórios. Duvida disso? Hummm... eu sempre acreditei na existência deles.. De certa forma eles sempre aconteceram comigo E cada vez que tenho um destes sonhos fico com a impressão que eu deveria dar um pouco mais de atenção a eles. Além das vivências, dos desejos, dos medos há uma voz que nos avisa, que nos alerta sobre o que possa nos acontecer.
Acreditar na seriedade disso e afastar de perto qualquer dúvida sua ou de outros sobre as possibilidades que se desenham à sua frente é fundamental para que possamos nos prevenir sobre fatos que irão nos acontecer assim como conseguirmos mais facilmente identificar em um simples gesto de “largar a mão” de alguém no sonho a simbologia de rompimento, distanciamento real contido nele.
A cada dia que passa tenho a impressão que não devo desdenhar dos sonhos. Dos meus sonhos.

13 janeiro 2010

Zilda Arns
1934- 2010

"Acabo de ouvir emocionado a notícia de que minha caríssima irmã Zilda Arns Neumann sofreu com o bom povo de Santo Domingo, como antes era chamado o Haiti, o efeito trágico do terremoto. Que nosso Deus e sua misericórdia acolha no céu aquele que na Terra luta pelas crianças e pelos desamparados. Não é hora de perder a esperança."


Dom Paulo Evaristo Arns
Tragédia. Dor. Sofrimento.
HAI(de)mIm


Um nó apertado na garganta, uma dor enorme dentro do peito. Quase cem mil pessoas mortas em uma tragédia. Um país destruído. Muitas histórias desfeitas. E uma angústia me deixa sem pernas, nem mãos, nem boca, nem ouvidos, nem nada. Não sou ninguém e isso me dói ainda mais.

12 janeiro 2010

Distancia

Dedos - Detalhe de óleo sobre tela, fotografado e trabalhado digitalmenteYeda Arouche - 2007

Tenho estado afastada. Não sei exatamente por que motivo. Talvez preguiça. Talvez cansaço. Talvez alegria ou tristeza. Talvez não seja nada, só aquela vontade de deixar os dedos calados. Mas eles, meus dedos, não ficam muito tempo quietos e por isso se rebelam quase sempre. Essa fantástica rebeldia me alicia completamente e me coloca diante de mim e das minhas palavras, de mim e dos meus sentimentos, de mim e dessa boa, cúmplice e plena relação que tenho comigo mesma e que me leva a lugares e a pessoas que são minha fonte de inspiração. Meus dedos me trouxeram de volta.

08 dezembro 2009


As Aparências Enganam
Sérgio Natureza/Tunai

 
As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões
Os corações pegam fogo e depois não há nada que os apague
se a combustão os persegue, as labaredas e as brasas são
O alimento, o veneno e o pão, o vinho seco, a recordação
Dos tempos idos de comunhão, sonhos vividos de conviver

As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na geleira das paixões
Os corações viram gelo e, depois, não há nada que os degele
Se a neve, cobrindo a pele, vai esfriando por dentro o ser
Não há mais forma de se aquecer, não há mais tempo de se esquentar
Não há mais nada pra se fazer, senão chorar sob o cobertor

As aparências enganam, aos que gelam e aos que inflamam
Porque o fogo e o gelo se irmanam no outono das paixões
Os corações cortam lenha e, depois, se preparam pra outro inverno
Mas o verão que os unira, ainda, vive e transpira ali
Nos corpos juntos na lareira, na reticente primavera
No insistente perfume de alguma coisa chamada amor.