Comitê de Esperança
Se um dia perder a esperança, me perco de mim. A esperança me move a vida, move meus sonhos, minhas possibilidades. A minha esperança está nas pessoas. Por vezes ela está fraca, triste, decepcionada e eu, tímida. Noutras vezes aparece forte, brilhante e entusiasmada e eu sou toda alegria. Mas é a esperança que fraca ou forte me acompanha, me fortalece.
Ontem, essa esperança me emocionou cidamente, marcelosamente, embandeiradamente e mais uma vez olhou-me nos olhos. Abraçou-me longa e suavemente, assim lucianamente, siqueiramente.
Hoje minha bandeira está na rua.
Amanhã, refletida nos olhos do povo, caminhante e sempre.
Aos que cuidam de bandeiras
Marcelo Mário de Melo
(1944 Caruaru/PE)
Há aqueles que levantam uma bandeira
e prosseguem.
Aqueles que afrouxam as mãos
e abandonam as bandeiras no caminho.
Aqueles que rasgam queimam
renegam bandeiras e se recolhem.
Aqueles que se bandeiam
e passam a defender
bandeiras contrárias.
Aqueles que refletem
e escolhem bandeiras melhores.
Aqueles que encerram as bandeiras
em gavetas vitrines e altares.
Aqueles que colocam as bandeiras à venda.
É triste ver bandeiras abandonadas
vendidas ou sacralizadas no céu distante.
As bandeiras não são entidades
para comércio adoração e arquivo
Expostas ao vento e ao tempo
as bandeiras são coisas simples da vida
exigem cuidado:
como uma casa
uma roupa
um filho
uma flor.