10 outubro 2010

Marina,você se pintou?
Maurício Abdalla [*]

“Marina, morena Marina, você se pintou” – diz a canção de Caymmi. Mas é provável, Marina, que pintaram você. Era a candidata ideal: mulher, militante, ecológica e socialmente comprometida com o “grito da Terra e o grito dos pobres”, como diz Leonardo.
Dizem que escolheu o partido errado. Pode ser. Mas, por outro lado, o que é certo neste confuso tempo de partidos gelatinosos, de alianças surreais e de pragmatismo hiperbólico? Quem pode atirar a primeira pedra no que diz respeito a escolhas partidárias?
Mas ainda assim, Marina, sua candidatura estava fadada a não decolar. Não pela causa que defende, não pela grandeza de sua figura. Mas pelo fato de que as verdadeiras causas que afetam a população do Brasil não interessam aos financiadores de campanha, às elites e aos seus meios de comunicação. A batalha não era para ser sua. Era de Dilma contra Serra. Do governo Lula contra o governo do PSDB/DEM. Assim decidiram as “famiglias” que controlam a informação no país. E elas não só decidiram quem iria duelar, mas também quiseram definir o vencedor. O Estadão dixit: Serra deve ser eleito.
Mas a estratégia de reconduzir ao poder a velha aliança PSDB/DEM estava fazendo água. O povo insistia em confirmar não a sua preferência por Dilma, mas seu apreço pelo Lula. O que, é claro, se revertia em intenção de voto em sua candidata. Mas “os filhos das trevas são mais espertos do que os filhos da luz”. Sacaram da manga um ás escondido. Usar a Marina como trampolim para levar o tucano para o segundo turno e ganhar tempo para a guerra suja.
Marina, você, cujo coração é vermelho e verde, foi pintada de azul. “Azul tucano”. Deram-lhe o espaço que sua causa nunca teve, que sua luta junto aos seringueiros e contra as elites rurais jamais alcançaria nos grandes meios de comunicação. A Globo nunca esteve ao seu lado. A Veja, a FSP, o Estadão jamais se preocuparam com a ecologia profunda. Eles sempre foram, e ainda são, seus e nossos inimigos viscerais.
Mas a estratégia deu certo. Serra foi para o segundo turno, e a mídia não cansa de propagar a “vitória da Marina”. Não aceite esse presente de grego. Hão de descartá-la assim que você falar qual é exatamente a sua luta e contra quem ela se dirige.
“Marina, você faça tudo, mas faça o favor”: não deixe que a pintem de azul tucano. Sua história não permite isso. E não deixe que seus eleitores se iludam acreditando que você está mais perto de Serra do que de Dilma. Que não pensem que sua luta pode torná-la neutra ou que pensem que para você “tanto faz”. Que os percalços e dificuldades que você teve no Governo Lula não a façam esquecer os 8 anos de FHC e os 500 anos de domínio absoluto da Casagrande no país cuja maioria vive na senzala. Não deixe que pintem “esse rosto que o povo gosta, que gosta e é só dele”.
Dilma, admitamos, não é a candidata de nossos sonhos. Mas Serra o é de nossos mais terríveis pesadelos. Ajude-nos a enfrentá-lo. Você não precisa dos paparicos da elite brasileira e de seus meios de comunicação. “Marina, você já é bonita com o que Deus lhe deu”.


*Professor de filosofia das ciências da Universidade Federal do Espírito Santo, autor de O princípio da cooperação (Paulus) e Iara e a Arca da Filosofia(Mercuryo Jovem), entre outros.

09 outubro 2010

Maledicência

Este é o nosso Brasil: Um pais de todos os homens!


07 outubro 2010

PIG - Partido da Imprensa Golpista
Um partido nocivo


"O Partido da Imprensa Golpista (comumente abreviado para PIG) é uma expressão usada para se referir aos órgãos de imprensa e jornalistas tidos como adeptos da direita política, que se utilizariam da chamada grande mídia como meio de propagar suas idéias e tentar desestabilizar governos de orientação política de esquerda" (wikipédia)

O Brasil tem inúmeros partidos políticos e se analisarmos apenas esta eleição para Presidente da República/2010 neste mar de partidos, iremos encontrar de um lado, o lado esquerdo, a candidatura da Dilma Rousseff – PT que tem em sua coligação os partidos PC do B, PSB, PRB, PPT, PMDB, PR, PSC e do outro lado, o lado direito, o Serra do PSDB, com as seguintes coligações: DEM, PSDB, PTB, PPS, PMN e PT do B tornando este mar assim cheio de ondas e muitas vezes bastante agitado o que já seria o suficientemente complexo não fosse a existência do PIG – Partido da Imprensa Golpista. O PIG corre por fora aliando-se apenas aos que desejam distorcer e divulgar opiniões como se de fato se tratasse o que deturpa, claro, o significado da verdadeira imprensa e sua responsabilidade. O PIG tem se dedicado a influenciar pessoas, manipulando os noticiários para determinar o resultado de uma eleição, o que na verdade se configura em GOLPE sem o uso da força, “apenas” o uso da manipulação da opinião pública, que se igualam na crueldade da violência aplicada. Este cenário pudemos muito fortemente observar no decorrer da campanha eleitoral do primeiro turno das eleições para presidente. A esquerda foi vítima de vários boatos e deturpação de declarações reais, que se propagaram de maneira impressionante contaminando muitas pessoas que infelizmente não tem todas as condições para esclarecer fatos. O PIG, com força devastadora violenta e alienante, tem tentado contribuir na recondução do povo brasileiro ao governo de direita, elitista, autoritário e conservador.
É importante que cada um dos brasileiros fique bastante atento e forte a este movimento de GOLPE. Não queremos e nem deixaremos que a ditadura, a direita e seus malefícios voltem ao Brasil, depois de tudo o que conquistamos, e nos façam reviver as dores, lágrimas e soluços que muitas vezes tivemos que suportar.

Liliana Miranda
07.10.2010

06 outubro 2010

Tiririca
Pior que tá não fica?



O humorista, palhaço ou abestado como ele mesmo gosta de ser chamado, Tiririca* se candidatou ao cargo de Deputado Federal por São Paulo sendo o segundo mais votado com 1.353.820 votos. Estão rindo? Eu não to achando graça alguma, embora confesse que o palhaço, fora do contexto político, já me proporcionou muito boas gargalhadas. Contam a más(ou boas) línguas que a sua candidatura foi resultado de uma pesquisa encomendada pelo PR para se descobrir uma pessoa que tivesse grande potencial nas urnas para arrebanhar um bom número de votos e consequentemente arrastar outros candidatos do partido para o congresso. Pois então, o que se viu? Muitos votos!

É democrático permitir que qualquer cidadão possa disputar uma eleição mas quem é Tiririca? Tiririca é um personagem, um palhaço, que exatamente como tal, caracterizado, com peruca, sem dentes, vesgo e meio idiotizado faz campanha eleitoral usando slogans como: “Vote Tiririca, pior que tá não fica!”,“O que faz um deputado? Eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto”, ou “Quero ser deputado para ajudar os mais necessidades, inclusive minha família”. Não apresenta proposta pois diz que não quer prometer e depois não cumprir. Seria sim cômico se não fosse trágico. A que ponto chega a nossa política? A que ponto chegamos nós eleitores? O que ainda seremos capazes de suportar?

Não bastasse toda essa “palhaçada” durante a campanha eleitoral houve várias denuncias que davam conta de que Tiririca fosse analfabeto. A declaração apresentada pelo humorista/candidato, escrita de “próprio” punho, como exige o TSE, poderá ter sido escrita por outra pessoa. Agora depois de eleito, se comprovado a sua condição de analfabeto, por denúncia aceita pelo MP Eleitoral, além de ser vetado por inelegibilidade constitucional,Tiririca, ou Francisco Everardo Oliveira Silva será processado por falsidade ideológica, crime que prevê pena de 1 a 5 anos de prisão
E agora Tiririca. Pior que ta não fica

Liliana Miranda
06.10.2010

*entrevista/Tiririca

05 outubro 2010

Marina Silva
Ideologia Sustentável?


Evidentemente o desempenho de Marina Silva nas urnas reflete as qualidades que lhe são atribuídas e verificadas ao longo da sua carreira política e mais notadamente no governo Lula, mas sobretudo reflete a rejeição de um pequeno setor de esquerda ao atual governo em relação aos escândalos financeiros reais e imaginários, aos fatos absurdos ficcionais relacionados à candidata Dilma Rousseff e toda sorte de criações que aos poucos irei aqui, expor. Sei, porque fui “vitima” de dezenas de emails desse tipo por parte exatamente dessa classe insatisfeita. Avalio e verifico agora o estrago que tudo isso causa em pessoas menos esclarecidas e/ou influenciáveis, vendo o efeito desta contribuição para a realização do segundo turno para presidente da republica, sem negar, evidentemente, a colaboração democrática que tem uma disputa acirrada. Evidentemente me indignei com todos estes emails e respondi a alguns, mas o que me deixou mesmo muito impressionada foi a artimanha utilizada por esta onda verde, ou nebulosa eu diria, que espalhou muito mais calúnias sobre a Dilma que as reais qualidades da Marina endossando assim a atitude do candidato Serra, uma prática, infelizmente, já muito conhecida do povo brasileiro em épocas de eleição
Em relação a Marina to cheia de dúvidas: Saída do PT por discordar das diretrizes do partido foi para o PV, partido que para a eleição a presidente da república não tem nenhuma coligação mas que em alguns estados contou com o apoio de José Serra, seu partido e seus aliados. Pra que lado pende a Marina? Cá pra mim eu penso que se ela apóia o PT desagrada seu eleitorado de esquerda insatisfeito e dá um tiro no pé, se apóia o Serra, agrada ao Fernando Henrique e o eleitorado de centro-direita e da um tiro na cabeça comprometendo, talvez, a sua promissora carreira política, uma vez que vai proporcionar a volta de um governo que tanto ajudou a acabar. Será que é por isso que ela anda dizendo que não tem pressa em definir este apoio, que a pressa é da Dilma e do Serra? Será que esperar mais 15 dias diminui o impacto sobre sua decisão?
Agora dei pra entender menos ainda dessa coisa complicada chamada “aliança” política! Eu, cá pra mim, prefiro ficar com minha antiga imagem da Marina. Prefiro acreditar que sua luta pelo crescimento do país permanece e que a sua discordância com o governo Lula seja menor que a sua concordância com o governo Fernando Henrique
Esta sim, pra mim, tem muito mais sustentabilidade

Liliana Miranda
05.10.2010

04 outubro 2010

ELEIÇÕES NO BRASIL



Tenho a ligeira impressão que a minha participação efetiva em campanhas eleitorais está chegando ao fim, confesso que não há pachorra pra tanto absurdo, tanta barganha, tanta mentira, tanto descaramento, tanta compra e venda, tanto, tanto disse me disse. Devo retirar-me na tentativa de conservar um pouco a minha dignidade e a minha ética. Mas, claro, irei me despedir com todas as observações que achar necessárias sobre o cenário político nacional. Evidentemente dentro da minha mais absoluta ignorância política e político partidária, reservo-me o direito, apenas, de exercer a minha cidadania.
No cenário pernambucano começo por me admirar com o numero de abstenções: 30% é um número bastante elevado. Que resultado podemos tirar disso? Eu, entre outras opões, penso que os eleitores de Jarbas Vasconcelos preferiram ficar em casa a se violentarem diante das urnas.
A vitória de Eduardo Campos, além do reconhecimento da sua boa gestão é também o resultado da grande rejeição ao seu adversário. Nossa maior vitória, entretanto se deu no senado federal. De uma vez por todas, assim espero, se despede do cenário político pernambucano e brasileiro o grande representante dos idos tempos da ditadura e da extrema direita no Brasil, ex-deputado, ex-governador biônico, ex- senador, ex-vice presidente da república do governo Fernando Henrique, o senhor Marco Maciel.
Elegemos ainda para deputados federais e estaduais algumas pessoas que temos a certeza que darão conta do recado, o que nos dá um certo alívio, e infelizmente pelo meio destes há inúmeros candidatos eleitos pela mais absoluta alienação do povo pernambucano, que diga-se de passagem é um dos mais politizados do Brasil, nem vou comentar a eleição por mais de 1 milhão de votos do palhaço Tiririca em São Paulo.
Ressalto que as Igrejas têm e tiveram grande participação no papel de “deformador” de opinião.
Ah... a eleição presidencial?! A este cenário irei me dedicar nos próximos dias com a dedicação de quem dá o ultimo fôlego antes da morte. Aguardem!

Liliana Miranda
04.10.2010

08 setembro 2010

Prefeitura do Recife Promove Leituras Dramáticas

As apresentações, que acontecem no Teatro de Santa Isabel, têm início com o comediante francês Christian Cloarec

O Teatro de Santa Isabel apresenta, no dia 8 de setembro, às 20h, a leitura dramática com o comediante Christian Cloarec. A atração faz parte das atividades formativas para comemorar os 160 anos do Teatro e é uma realização da Prefeitura do Recife em parceria com o Consulado da França e a Aliança Francesa. A entrada é franca.

Na ocasião, o ator Christian Cloarec interpretará em francês o texto Carta de Casablanca, do autor italiano, Antonio Tabucchi. É uma oportunidade para quem estuda a língua ou para aqueles que gostam de teatro, pois não existe barreira na arte. Cloarec é um ator conhecido na França e pertence a uma das companhias de teatro mais antigas do mundo, a Comédie-Française, criada em 1680.

Outras leituras dramáticas serão realizadas de 14 a 18 de setembro, às 18 horas, e no dia 19, às 16h30. Os textos inéditos no Recife são dos autores pernambucanos Newton Moreno, Adriano Marcena, Moisés Neto, Carlos Bartolomeu, Marcelino Freire e Luciano Pontes. As leituras dramáticas serão dirigidas por seis diretores da cena local que utilizarão o trabalho de veteranos atores. São eles: Cláudio Lira, André Filho, José Francisco, Wellington Júnior, Ana Japiá e Clara Camarotti. São cinco textos adultos e um infantil.

Lettre de Casablanca (Carta de Casablanca) - Com gravidade, elegância e discrição, narra a vida de um homem, Ettore, cuja infância foi destruída por um drama familiar. Separado de sua irmã caçula durante todos esses anos, ele decide, às vésperas de terminar o curso natural de sua existência, enviar a essa irmã uma carta onde conta o segredo de família, cujas consequências determinaram o seu destino.

Antonio Tabucchi - Grande escritor de sua geração, fascinado pela obra de Fernando Pessoa que traduziu integralmente em italiano, Antonio Tabucchi é muito próximo da literatura e da cultura de Portugal, onde se tornou cidadão de coração. Como fundador do Parlamento Internacional de Escritores, defendeu vários autores, como seu companheiro Adriane Sofi.

PROGRAMAÇÃO
LEITURAS DRAMÁTICAS - SINOPSES

Dia 14.9 – 18h – JACINTA
Texto Newton Moreno – Direção Cláudio Lira

É uma bem-humorada declaração de amor ao teatro. Conta a história de uma atriz portuguesa que se lança no Brasil ainda em formação em busca de reconhecimento. Apesar de sua completa falta de talento e sucessivos reveses em busca do aplauso, ela persevera e invade o começo da formação do país. Ainda que em forma de uma farsa, o texto trata de questões como dominação cultural, mas sua vocação é ser uma reverência aos que se dedicam à sua arte com absoluta paixão.


Dia 15.9 – 18h – DAMIANA
Texto: Adriano Marcena Direção: André Filho

Escrito tal-qualmente um bordado dramatúrgico, em que uma palavra liga a outra, Damiana aborda temas como machismo, violência contra a mulher e a banalização da violência contida no universo humano através da história do destino de dois homens simples, um lavrador (do agreste) e um feirante (da mata norte) de Pernambuco.


Dia 16.9 - 18h – BENTO
Texto: Moisés Neto Direção: José Francisco Filho

O judeu Bento Teixeira é autor do poema épico Prosopopeia (publicado em 1601, um ano após a morte do autor, trata da glória da família Albuquerque em Olinda e dá início à Literatura Barroca no Brasil). No final do século XVI, após assassinar a sua esposa, Bento é aprisionado pela Santa Inquisição por práticas judaicas. O texto aborda os últimos dias de Bento num cárcere em Lisboa. O autor inspirou-se no personagem Filipa Raposa nos moldes em que a recriou a escritora Luzilá Gonçalves Ferreira. O foco da peça se dá no tormento psicológico do assassino que, remoendo tantos horrores, delira e passa por severos interrogatórios. Um drama que envolve paixão e preconceito, bem nos moldes que marcam a dramaturgia do pernambucano Moisés Neto.


Dia 17.9 – 18h AS SUAS MÃOS ONDE ESTÃO? OU QUANDO AQUILES SANGROU
Texto: Carlos Bartolomeu Direção: Wellington Júnior

Alegoria da perda amorosa dentro de uma relação homo afetiva. Desfilando memórias e a possibilidade de um discurso romântico dentro da internet, dois personagens, um no presente e outro na Grécia antiga dialogam sobre a amorosidade, a impossibilidade do casal e a superação, no encontro com o ato de recordar.


Dia 18.9 – 18h – FAZER O QUÊ?
Texto: Marcelino Freire Direção: Ana Elizabeth Japiá

Uma mulher de 240 kg cai no meio da rua e não consegue se levantar. Fazer o quê? E com o velho, senil, que carece de cuidados de uma jovem enfermeira? Como fica a família? Fazer o quê? Com o sonho e a diarreia? Com o amor e a saudade? O quê? Muito mais do que dar respostas, Marcelino Freire, por meio de monólogos irônicos e afiados, apresenta as pessoas/personagens, nuas e cruas, que vêm atracar em nossos caminhos. Fazer o quê?


Dia 19.9 – 16h30 – AS TRAVESSURAS DE MANÉ GOSTOSO
Texto: Luciano Pontes Direção: Clara Camarotti

A trama da história é simples, como assim o é a das histórias de tradição oral, das improvisações do teatro popular e do teatro de mamulengo. Mané Gostoso é um anti-herói (nome reconhecido por ser também o nome de um brinquedo popular do Nordeste, feito de madeira com articulação). Mané é um mutreteiro, inventador de causos, que vive tranquilo sua vidinha até a chegada de um Forasteiro que o desafia. Na disputa, este acaba morrendo e Mané é levado à prisão. Depois de solto, recebe um tiro de um desconhecido e morre. Surgem O Anjo e o Diabo, que disputam a sua alma. Para se ver livre e continuar vivendo, Mané diz uma adivinhação, que nenhum dos dois adivinha. Assim, ele pode continuar livre, fazendo as suas travessuras, para alegria dos moradores de Boitiboia, onde se passa a história.

10 agosto 2010

CASULO
Nei Duclós*





A lente não capta
o verdadeiro traço
Do retrato oposto
Ao que és de fato
É preciso olho
Para enxergar-te
Flor que emerge
No fim do verbo
Rompes, rosa,
promessa escassa
contra o espinho
que nos cerca
Improviso o cálice
de remota carga
abrigo vivo
de uma perda
Cubro de pétala
o tempo amargo
Rompo a pele
de um esporo
Coração de pedra
medra no sinal
vermelho, vaso
pronto na véspera
Espero outro sopro
do mesmo inverno
na manhã que [...]

09 agosto 2010

No descomeço era o verbo
Manoel de Barros *

No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá, onde a criança diz:
eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
Funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta,
que é a voz
De fazer nascimentos -
O verbo tem que pegar delírio.


* Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiabá (MT) no Beco da Marinha, beira do Rio Cuiabá, em 19 de dezembro de 1916

08 agosto 2010

Entrevista de Lula na Rede Record





05 agosto 2010

A Bailarina

Para a Clara Litvin dos Anjos, uma pessoa talentosa que além de excelente bailarina se torna uma psicóloga

Há flores, cores por toda parte

E por entre ruas, casas e praças

Dança a bailarina

Em gestos suaves, delicados

Desliza

Psique, alma, mente

Suavemente, poeticamente

Flui.


Há palavras, gestos por toda parte

E por entre braços, bocas e olhos

A bailarina estende a mão

Toca, equilibra

Poeticamente, suavemente

Intui.


Há uma bailarina

Menina, mulher

Em movimentos, coragem

Emoção, razão, emoção,

Conclui.


liliana miranda

05.08.2010