29 junho 2005

Como chuva de verao


A nossa poesia permanece inacabada
Como um sonho interrompido
Abruptamente,
E ainda sonolenta,
Repete palavras como um eco
Que o vento dissipa vagarosamente.

A nossa poesia,
Lembro...
Cheirava a terra molhada
Pela chuva intensa e passageira de verao
E era feita de maos, olhares e sorrisos
Que a sombra da noite ocultou

A nossa poesia permanece inacabada
Desenhando, no silencio da madrugada fria,
letras
Que me fogem ao raiar do dia.

O nosso sonho � uma poesia inacabada.

28 junho 2005

E o "Arrai�" continua...

A Festa dos Tres Santos


� no m�nimo curioso que a Igreja cat�lica re�na, na mesma festa, um doutor, um profeta e um ap�stolo. O ciclo junino, que tem come�o a 13 de junho e que vai at� 29 de junho, � o mais genu�no dos grupos festivos, englobando cren�as antigas, tradi�oes e costumes t�picos do nordeste brasileiro, associando o culto agr�rio da colheita do milho, ao conjunto de manifesta�oes art�sticas e culturais mais representativas do povo, destacando-se a culin�ria.

O ciclo junino faz a transi�ao entre a vida rural, celebrada em certas �pocas, como no plantio e colheita do milho, quando as casas e arruados se transformam em arraiais, nos quais nao faltam as comidas de milho e coco, e a vida urbana, essencialmente consumidora, como um mercado de usu�rios que guardam os velhos h�bitos como forma de construir a identidade social.

As festas come�am, na verdade, no dia 1(primeiro) de junho � com o trezen�rio de Santo Antonio � correm pelos dias dedicados a Sao Joao, e terminam com a louva�ao a Sao Pedro, dando a cada um os tra�os caracter�sticos com os quais sao reconhecidos pelo povo brasileiro. Santo Antonio � um casamenteiro, mas tamb�m um santo de milagres, atento a atender as demandas dos seus fi�is, atribuindo-se a ele a defesa do Brasil, por exemplo, o que teria levado as autoridades portuguesas e brasileiras a consider�-lo um protetor , dando-lhe patentes e soldos � no Imp�rio e da Rep�blica -, e, como ainda hoje, em Igarassu, Pernambuco, onde Santo Antonio � vereador. Sao Joao, que batizou Jesus, � um porto seguro de f�, vinculado a fam�lia do Salvador, mas tamb�m em torno do seu nome existem muitas cren�as, adivinha�oes e sortes vinculadas ao casamento. � em torno de Sao Joao que a festa ganha seus contornos mais populares, com a capela, a fogueira, os h�bitos de compadrio, a mesa farta.

Sao Pedro, fundador da Igreja, disc�pulo direto e dileto de Jesus, santificado em seu mart�rio, ampara os injusti�ados, estimula os pescadores de almas, complementando o ciclo de junho. Ele � o guardiao das portas do c�u � tamb�m considerado o protetor das vi�vas e dos pescadores. Sao Pedro foi um dos doze ap�stolos e o dia 29 de junho foi dedicado a ele. Como o dia 29 tamb�m marca o encerramento das comemora�oes juninas, � nesse dia que h� o roubo do mastro de Sao Joao, que s� ser� devolvido no final de semana mais pr�ximo. A fogueira de Sao Pedro tem forma triangular.
O povo ve Sao Pedro como o "porteiro do c�u", o manda-chuva e o padroeiro dos pescadores. A presen�a dele na tradi�ao oral portuguesa e brasileira � constante. Quando come�a a trovejar, as crian�as sempre ouvem dizer que "� a barriga de Sao Pedro que est� roncando" ou que "Sao Pedro est� mudando os m�veis do c�u de lugar". E, quando chove mesmo, "� Sao Pedro que est� lavando o chao do c�u".

fonte: Cultura

27 junho 2005

Ora�ao Subordinada


Nao nasci uma ora�ao coordenada. Fiz-me subordinada
Subordinei meus olhos ao verde das �rvores, ao infinito da visao.
Subordinei meus ouvidos as melodias entoadas ao vento, ao barulho das folhas...
Ao som do mar.
Subordinei minhas maos a tua pele e fiz minha pele subordinada as tuas maos.
Meu andar subordinou-se ao tempo
O tempo subordinou a minha razao
Meu respeito aos teus sentidos
Minha boca e palavra ao meu cora�ao, subordinei.
Assim me vi coordenando palavras, gestos e emo�oes
Numa ora�ao subordinada coordenadamente a mim...

25 junho 2005

Cada um � cada um!

Somos muitos e muitos no mundo.. e somos tao diferentes!
Somos diferentes at� mesmo os que vivem no mesmo pa�s, na mesma cidade, na mesma comunidade, na mesma fam�lia... e devemos ser vistos assim.. diferentes!
Custa-me ouvir as pessoas nivelarem a todos e pior.. nivelarem por baixo!
J� ando querendo perder as estribeiras com isso!
E mais nao digo!

24 junho 2005

Corrente do cinema
O vicktor do Oficina das id�ias me repassou.. aqui estao minhas respostas..

P1: Qual o �ltimo filme que viste no cinema?
R1: Na sessao de arte �Sylvia, amor al�m da Paixao�. O filme conta a hist�ria da complicada rela�ao entre dois dos maiores poetas do s�culo 20 - Sylvia Plath e Ted Hughes.

P2: Qual a tua sessao preferida?
R2: A �ltima sessao.

P3: Qual o primeiro filme que te fascinou?
R3: ��Dio come ti amo� nem lembro ao certo a idade que eu tinha.. mas lembro que era um romance lindo.. deve ter sido a� que comecei a ser a romantica incorrig�vel que sou! Ainda escuto a melodia do filme...

P4: Para que filme gostarias de ser transportado?
R4: Nunca pensei a s�rio nisso.. mas, penso sempre quando estou assistindo um bom filme. Portanto, o ultimo filme que vi e que senti uma enorme vontade de ser transportada foi o filme �Um sol sobre a toscana�

P5: E, j� agora, qual a personagem de filme terias gostado de conhecer um dia?
R5: Ah.. pode ser um personagem real?! Em �O carteiro e o poeta� Neruda deixou em mim ainda mais forte esse desejo.

P6: Que actor(actriz)/produtor(a)/realizador(a)/argumentista gostarias de convidar para jantar?
R6: Ator, seria o Nicolas Cage... atriz, Whoopi Goodberg e o realizador tenho quase a certeza que queria estar com o Pedro Almod�var!

P7: A quem vais passar o testemunho?
R7: Passo este testemunho ao OldMirror que penso amar o cinema...

22 junho 2005

Sao Joao - 24 de junho

Esse santo � o respons�vel pelo t�tulo de "santo festeiro", por isso, no dia 24 de junho, dia do seu nascimento, as festas sao recheadas de muita dan�a, em especial o forr�.
No Nordeste do Pa�s, existem muitas festas em homenagem a Sao Joao, que tamb�m � conhecido como protetor dos casados e enfermos, principalmente no que se refere a dores de cabe�a e de garganta.
Alguns s�mbolos sao conhecidos por remeterem ao nascimento de Sao Joao, como a fogueira, o mastro, os fogos, a capelinha, a palha e o manjericao.
Existe uma lenda que diz que os fogos de artif�cio soltados no dia 24 sao "para acordar Sao Joao". A tradi�ao acrescenta que ele adormece no seu dia, pois, se ficasse acordado vendo as fogueiras que sao acesas em sua homenagem, nao resistiria e desceria a terra.
As fogueiras dedicadas a esse santo tem forma de uma pir�mide com a base arredondada.
O levantamento do mastro de Sao Joao se d� no anoitecer da v�spera do dia 24. O mastro, composto por uma madeira resistente, roli�a, uniforme e lisa, carrega uma bandeira que pode ter dois formatos, em triangulo com a imagem dos tres santos, Sao Joao, Santo Antonio e Sao Pedro; ou em forma de caixa, com apenas a figura de Sao Joao do carneirinho. A bandeira � colocada no topo do mastro.
O respons�vel pelo mastro, que � chamado de "capitao" deve, juntamente com o "alferes da bandeira", respons�vel pela mesma, sair da v�spera do dia em dire�?o ao local onde ser� levantado o mastro.
Conta a tradi�ao que a bandeira deve ser colocada por uma crian�a que lembre as fei�oes do santo.
O levantamento � acompanhado pelos devotos e por um padre que realiza as ora�oes e benze o mastro.
Uma outra tradi�ao muito comum � a lavagem do santo, que � feita por seu padrinho, pessoa que est� pagando por alguma gra�a alcan�ada.
A lavagem geralmente � feita a meia-noite da v�spera do dia 24 em um rio, riacho, lagoa ou c�rrego. O padrinho recebe da madrinha a imagem do santo e lava-o com uma cuia, caneca ou concha. Depois da lavagem , o padrinho entrega a imagem a madrinha que a seca com uma toalha de linho.
Durante a lavagem � comum lavar os p�s, rosto e maos dos santos com o intuito de prote�ao, por�m, diz a tradi�ao que se alguma pessoa olhar a imagem de Sao Joao refletida na �gua iluminada pelas velas da procissao, nao estar� vivo para a procissao do ano seguinte.
A origem da Festa Junina no Brasil e suas influncias

Junho � o mes de Sao Joao, Santo Antonio e Sao Pedro. Por isso, as festas que acontecem em todo o mes de junho sao chamadas de "Festa Joanina", especialmente em homenagem a Sao Joao.
O nome joanina teve origem, segundo alguns historiadores, nos pa�ses europeus cat�licos no s�culo IV. Quando chegou ao Brasil foi modificado para junina. Trazida pelos portugueses, logo foi incorporada aos costumes dos povos ind�genas e negros.
A influencia brasileira na tradi�ao da festa pode ser percebida na alimenta�ao, quando foram introduzidos o aipim (mandioca), milho, jenipapo, o leite de coco e tamb�m nos costumes, como o forr�, o boi-bumb�, a quadrilha e o tambor-de-crioula. Mas nao foi somente a influencia brasileira que permaneceu nas comemora�oes juninas. Os franceses, por exemplo, acrescentaram a quadrilha, passos e marca�oes inspirados na dan�a da nobreza europ�ia. J� os fogos de artif�cio, que tanto embelezam a festa, foram trazidos pelos chineses.
A dan�a-de-fitas, bastante comum no sul do Brasil, � origin�ria de Portugal e da Espanha.
Para os cat�licos, a fogueira, que � maior s�mbolo das comemora�oes juninas, tem suas ra�zes em um trato feito pelas primas Isabel e Maria. Para avisar Maria sobre o nascimento de Sao Joao Batista e assim ter seu aux�lio ap�s o parto, Isabel acendeu uma fogueira sobre o monte.
No Nordeste do pa�s, existe uma tradi�ao que manda que os festeiros visitem em grupos todas as casas onde sejam bem-vindos levando alegria. Os donos das casas, em contrapartida, mantem uma mesa farta de bebidas e comidas t�picas para servir os grupos. Os festeiros acreditam que o costume � uma maneira de integrar as pessoas da cidade. Essa tradi�ao tem sido substitu�da por uma grande festa que re�ne toda a comunidade em volta dos palcos onde prevalecem os estilos tradicionais e mecanicos do forr�.

Fonte: Arte-educa�ao

19 junho 2005

Suspensao da cotidianidade




Com meus p�s andei os mesmos passos
Como os passos de ontem e os de antes de ontem
E andei mais um peda�o do meu caminho
Passei pelas mesmas ruas
Vi as mesmas pra�as
As mesmas �rvores
E assim... tamb�m l� estavam
As mesmas estrelas no c�u
E certamente brilhavam como ontem,
Como antes de ontem
Como brilham todos os dias
A iluminar todos os caminhos
Por�m, meu olhos
Os mesmos de ontem e de antes de ontem
Viam todas as coisas hoje
Como se as adivinhassem amanha
Diferentes de ontem e de antes de ontem
Hoje as ruas me pareciam
Falar de outros passos, de outros p�s
As pra�as me sussurravam
As mem�rias de toda uma gente
As �rvores, estas uma a uma
Mostravam-me o seu tom
E eu... diminuindo meus passos
Percebi...
Que meus olhos estavam diferentes
Dos de ontem e dos de antes de ontem.

16 junho 2005

Revisitar sua hist�ria, seu passado e cheiros.. sua emo�ao.
Foi assim que nasceu este texto fantasticamente po�tico da minha grande amiga Rosana Delane.
Como foi bom ler isso... minha alma, tamb�m vestida de flores, sentiu-se livre!


Candonga

A sombra da mangueira, a rede no terreiro;
O meu reino de chao batido.
O cheiro, a fuma�a da castanha assando no quintal
O banco de tronco, os risos nas conversas
na visita de Maria de Urubano.
Os gritos dos meninos, dos velhos
Os dias de santo e de feira,
Os cuidados com as roupas no varal.

Eu sempre fui livre. E tudo era milagre.
Tudo vinha com o tempo,
O mesmo vento que trazia com a chuva,
raios e trovoes.

Eu sempre tive tudo...
O cheiro de terra molhada, o banho de chuva
Com o meu vestido de florzinha � como aquelas
Que eu colhia na estrada,
quando ia l� na casa de titipedro (O tio do meu av�)
O gosto de manga escorrendo com a chuva
pelos bra�os...
Tinha tudo o que eu queria,
tudo o que eu colhia, subindo em �rvores...

O cheiro e o calor do caf� na cozinha,
A melodia da voz da minha av�,
As batidas de talheres e pratos...
Uma cantiga do tempo de menina!

A noite, perto do candeeiro, eu brincava
com os espectros das sombras nas paredes,
pressentindo as almas...
E como uma velha Xama, velava
olhando l� fora,
O escuro da mata...
� a noite que as �rvores sso encantadas!

Nesse tempo(e espa�o) o amanhecer tinha cheiro,
E as coisas o sabor do lugar.
E � �por ser de l� que a noite
Fico encantada com as �rvores
� �por ser de l� que, quando chove,
espero raios, ou�o trovoes...
E minha alma, vestida de flores,
corre l� fora...

Rosana Delane
29.05.2005

15 junho 2005

Ainda em comemora�ao...
... homenagem da Bel

14 junho 2005

Flores para o Vicktor...



Feliz anivers�rio meu querido e especial amigo...

13 junho 2005

Eternamente...
Eugenio de Andrade!


O Silencio

Quando a ternura
parece j� do seu of�cio fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,
quando azuis irrompem
os teus olhos
e procuram
nos meus navega�ao segura,
� que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silencio fascinadas

Eugenio de Andrade

OUSADIA
(repostagem)

Eugenio e eu...

A boca,

Onde o fogo
De uma verao
Muito antigo

Cintila,

(que pode uma boca
Esperar
Senao outra boca?)

Espera o ardor
Do vento
Para ser ave,

E cantar.

Eugenio de Andrade

Os olhos,

Curiosos
Que buscam Esta�oes
De todos os mundos

Os olhos esperam,

(que pode meus olhos
Desejar
Senao os teus olhos no meu olhar?)

Esperam em imenso horizonte
Desvendar os mist�rios
Das tuas palavras,

E me encontrar.

liliana miranda

12 junho 2005

H� coment�rios que sao poesias.
Em resposta ao meu �sorriso�, o meu muito querido amigo
Vicktor, me sorriu assim...


Entao...
Sempre que sorris meus olhos brilham
Nao importa o que dizes
Pois o teu sentir
Vai muito al�m das palavras
Das frases, do romance
Teu sorriso � o sonho
� a magia
Que no cruzar da vida
Do querer
Dois sorrisos num s� sao o caminho
Sorriso

10 junho 2005

Meu pr�ncipe Felipe!




Nem te chamas Felipe mas, sempre brincamos assim.. eu a te chamar de meu pr�ncipe Felipe. Deve ter sido alguma hist�ria que acompanhamos juntos.. mas lembro que fechava os olhos, como a bela adormecida, e tu vinhas me beijar para me despertar ...
e ao abrir os olhos eras tu todo sorriso!
Ainda hoje, chamo-te meu pr�ncipe Felipe... ainda hoje, tu me fazes ver em teus olhos e no teu sorriso um mundo m�gico como o mundo dos contos de fadas.
Sou, me fazes, uma rainha desde quando vieste para mim.
Trouxeste-me uma felicidade plena. Inexplic�vel.
Meu pr�ncipe, 16 anos � uma idade linda! Aproveita este teu brilho no olhar e acredite sempre na magia do nosso reino encantado!
Deixa-me ser sempre a tua rainha... meu eterno pr�ncipe Felipe!
... e j� agora ao som do baterista nota 10!
Amo-te imensamente! Feliz anivers�rio!

08 junho 2005

Sorriso


Entao...
Sempre que me olhas me sorris
Que dizes?!
Que sentes?!
Que estranha magia � esta
Que fazes em mim?
Que me levas a sorrir junto e...
Assim nao precisar saber o que dizes e sentes
Magia que me envolve no mesmo sorriso
Sorriso duplo, �nico
Que digo?!
Que sinto?!
Sorriso.

07 junho 2005

AO LEITOR
(aquele de Baudelaire)


seus olhos buscando
brincando no meu poema .
nu
poema
.

meu dia buscando
(no ar)
sua leitura minha
do seu meu poema
.

meus olhos buscando
nos seus

um outro poema

Frederico Barbosa

06 junho 2005

Domingo de pura magia....


Eu, Vander Lee, e.. quem mais?! havia mais algu�m por l�? nem reparei!

05 junho 2005

Meio Ambiente Saud�vel...



... fa�a a sua parte!
Clique!

03 junho 2005

� preciso estar distante



Enquanto a chuva cai...
Meus dedos retomam o caminho que me levam at� a ti
E desenham no teu corpo, palavras
as que um dia, nossas bocas sussurraram

Enquanto a m�sica toca...
Meus ouvidos te ouvem em melodia
E minha pele colada a tua,
Dan�a

Enquanto a noite existe...
Meu amor persiste em mim
E te relembro os gestos,
Os risos

Enquanto a chuva cai...
E os pingos escorrem na janela,
meu corpo arde tremendo de frio
Porque existes em mim,
Enquanto permaneces assim... distante!

02 junho 2005

Abres um vinho?...



... tinto, por favor!

01 junho 2005

A Arte do Amor
Poemas de Amaru

A bailarina indiana Madhavi Mudgal dan�ando n�mero baseado em poema de Amaru

�NDIA, C. S�C. 7

Acredita-se que o autor tenha vivido em cortes indianas requintadas na passagem do sexto para o s�timo s�culo. Alguns lhe atribuem filia�ao shiva�ta, por�m nos poemas os deuses sao raramente citados e quando o autor o faz � em compara�ao negativa, para enaltecer a rela�ao amorosa e a for�a dos sentidos.
A tradi�ao liter�ria separou esses poemas escritos em s�nscrito em dois blocos: "Amor em Uniao" (Sambogha) e "Amor em Separa�ao" (Vipralambha). Com enorme poder de s�ntese, e ao mesmo tempo com detalhes preciosos, descrevem encontros amorosos e cenas de ci�mes, bem como a dor da separa�ao do ser amado.
O extase e o ex�lio amorosos sao, por outro lado, evidentes met�foras da uniao m�stica com o Divino.

Pranayamana - Querelas entre amantes

na voz da atriz Fernando Montenegro

"Deixa-me ver o que ela faz", (pensei)
e quieto espreitei, sem esbo�ar movimento.
"Por que nao diz nada, esse manhoso?",
pensou ela, e um azedume ensaiou.
Furtivamente nos olhamos, fingindo distra�ao,
e entao, nesse instante de distanciamento,
ri inesperadamente, por uma razao qualquer.
Ela desesperou-se, e seu pranto toda a razao apagou.

Irsyamana
Orgulho ferido por infidelidade ou inconstancia I

na voz da atriz Fernando Montenegro

Uma sobrancelha arcada abrigava pura ira,
o singelo silencio, uma cadeia.
Um sorriso se traduzia em s�plica,
Um olhar era entrega e vassalagem.
Esse foi, ontem, o nosso amor.
Contempla hoje as ru�nas em que jaz.
Tu continuas a meus p�s, buscando perdao,
e eu nao me desenredo de minha indigna�ao. "

Irsyamana
Orgulho ferido por infidelidade ou inconstancia II

na voz da atriz Fernando Montenegro

O amor al�m de n�s passou...
Romperam-se os la�os de nossa afei�ao.
Esgotou-se a aten�ao com que nos nutrimos,
e como perfeitos estranhos, nos saudamos.
E aindaque eu recorde os dias passados,
nao sei por que razao
meu cora�ao nao se parte
em centenas de peda�os.