Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira. Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente.
Uma parte de mim é só vertigem outra parte, linguagem.
Traduzir uma parte na outra parte - que é uma questão de vida ou morte...
será arte? (Ferreira Gullar)

29 Novembro 2005

RECADO DE BATOM (NO ESPELHO)


Que pena que você não me vê
Baby,
Que pena que não anda comigo.
Eu tenho tanta novidade...
Coisa nova que aprendi contigo!...
Rosana Delane

postado por lualil às 23:38 lualil@hotmail.com

25 Novembro 2005

Ardente(mente)



Tuas mãos quentes
Deslizam em meu corpo
Desejos de mim
E me queimam
Queimas-me
Incendeias-me

Minhas mãos ávidas
Procuram-te
Roça a tua pele
Silêncios assim
E te queimam
Queimo-te
Incendeio-te

Tua boca quente
Sugam lábios
Minha boca,
Sorve desejos
Nossos corpos
Toques, ritmos
Batimentos
Ardente(mente)
Queimamo-nos
Ardemos

postado por lualil às 19:54 lualil@hotmail.com

23 Novembro 2005

Enquanto não consigo colocar aqui o arquivo em mp3 fiquem com a letra deste poema.


Metade
Oswaldo Montenegro


Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
a outra metade é silêncio
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade
Que as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
pois metade de mim é o que ouço
a outra metade é o que calo
Que a minha vontade de ir embora
se transforme na calma e paz que mereço
que a tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
a outra metade um vulcão
Que o medo da solidão se afaste
e o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
pois metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o seu silêncio me fale cada vez mais
pois metade de mim é abrigo
a outra metade é cansaço
Que a arte me aponte uma resposta
mesmo que ela mesma não saiba
e que ninguém a tente complicar
pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
pois metade de mim é platéia
a outra metade é canção
Que a minha loucura seja perdoada
pois metade de mim é amor
e a outra metade também.

postado por lualil às 22:11 lualil@hotmail.com

21 Novembro 2005

Hoje, só me apetece ler e reler este fantástico poema...


JEITO DE CORPO


A minha língua
Na tua língua quer...
... deixemos a abstração
dos nossos sentidos,
e falemos uma linguagem
a altura dos nossos desejos.

Rosana Delane

postado por lualil às 21:57 lualil@hotmail.com

19 Novembro 2005

Espreitas-me


Quando me mostrei a ti
Não me viste, ou viste quase nada
Mesmo que eu te tenha mostrado caminhos
Agora já não quero teus olhos em mim
Mas, vejo que eles estão em toda parte

Quando me dei a ti
Não me tomaste, ou me tomaste quase nada
Mesmo que eu te tenha entregado meus sentidos
Agora já não quero que me tenhas
E me roubas pedaços sem que eu te permita

Quando a ti, dei meus sonhos...
Quando a ti, dei meu sorriso...
Quando a ti, dei minha verdade...

E mesmo assim, ainda estás aí
Olhando-me sem me ver
Espreitando-me sem entender
Há olhos teus em toda a parte
Olhos cobertos, disfarçados
Por quê?

postado por lualil às 20:28 lualil@hotmail.com

18 Novembro 2005

RED FACE
Show no Bar do Túnel

arte: Diogo Miranda

Esta é segunda vez que se apresentam em público. A primeira vez, no Bar Repertório, causaram grande impacto.
Uma banda nova que começou em março de 2005, composta por jovens entre 15 e 17 anos e que já começam a fazer sucesso. Estamos aqui torcendo, principalmente eu que sou a MÃE do baterista nota 10!!

Links:

postado por lualil às 09:49 lualil@hotmail.com

17 Novembro 2005

Trecho retirado da LAZULI. Eu aconselho a leitura completa.
Obrigada por me permitires partilhar um pouco de ti aqui no Traduzir-se com nossos amigos.

Os Limites do Absurdo

" ... Ele olhou-a como na primeira vez.
Consumiu-se de amor por ela, só ela, só ela..
E ela consumiu-se de amor por ele, só ele, só ele..
Só eles, só eles, só eles... "

postado por lualil às 04:03 lualil@hotmail.com

15 Novembro 2005

Silêncio Amoroso

Deixa que eu te ame em silêncio
Não pergunte, não se explique, deixe
que nossas línguas se toquem, e as bocas
e a pele falem seus líquidos desejos.

Deixa que eu te ame sem palavras
a não ser aquelas que na lembrança ficarão
pulsando para sempre
como se o amor e a vida
fosse um discurso
de impronunciáveis emoções.

Affonso Romano de Sant´anna

postado por lualil às 19:30 lualil@hotmail.com

14 Novembro 2005

Palavras Mudas




Já se foram frases e frases, parágrafos inteiros sem que eu pudesse reunir as minhas sensações, meus sentidos. Perdi minhas palavras em algum lugar. O vento levou as palavras que eram tuas. Sei que as desperdicei. Agora elas me faltam. Mas sei que não perdi meus sentidos. Então, pergunto-te: Podes ler meus olhos? Podes traduzir o que o meu coração te fala? Podes sentir minha pele, meu corpo desejando o teu?
E também sem palavras, aproximou-se de mim, olhou meus olhos, tocou meu rosto, deslizou suas mãos por entre os meus cabelos, minhas costas, meu corpo, sentiu meu perfume e me beijou a boca. Bebeu em mim e encontrou em meu corpo, silenciosamente, palavras. E assim calados, colados, ouvimos as mudas palavras, sussurradas.

Não tenho verbos no futuro,
Não sei conjugá-los
Tenho apenas
O presente, do indicativo
Sentido, desejo
Já não tarda e o sol se põe,
E vem, cúmplice, a noite
Ela sabe do meu desejo
Do meu desejo de ti,
Deixa que te ame intensamente
Uma vez, mais uma e outra vez
Agora, hoje
Que a madrugada é nossa
E já não nos resistimos
E nossos verbos
Se expressam na primeira pessoa
Plural.
Do presente do indicativo.

postado por lualil às 08:40 lualil@hotmail.com

10 Novembro 2005

DQI
Sem razão alguma...


Há coisas que não tem a menor razão de ser. Vejamos por exemplo o péssimo hábito que algumas pessoas têm em generalizar as coisas. Algumas, sem generalizar, claro!
Isso é bem comum, infelizmente. Então já não se depararam com o estigma que tem um advogado? Todos eles, para algumas pessoas que aqui passamos a chamá-los de “DQI” (Deficientes em Qualificar Individualmente), são ladrões, subornadores? E os políticos? São todos corruptos, despreparados e mal intencionados? Quanta dificuldade tem os DQIs. Se um vizinho de um DQI é mal educado e pertence à classe dos bancários, logo todo bancário é mal educado. Assim tão certo e lógico, matematicamente. Talvez você esteja dizendo que há, realmente, classes que têm de fato um grande número de pessoas com uma característica comum. Talvez seja assim, naturalmente, mas... Todos, todos?!
Então todo arquiteto é veado? Toda loura, burra? Todo publicitário, sacana? Todo artista é “porra louca” Todo adolescente, irritante? Todo jornalista, mentiroso? Todo Idoso, lento? Uma relação conflituosa faz do amor um problema? Um depravado ou desonesto, ou, ou, ou... faz de todos os homens, degenerados? Conheço um sem número de pessoas que são tão inteligentes que chegam a ser estúpidas. Então posso eu dizer que a inteligência faz das pessoas, estúpidas?! Há também os bem humorados que nem sempre nos fazem rir e os mal humorados que até têm alguma piada!
Não sei, dei pra me irritar com esse tipo de gente. E tenho até o medo de correr o risco de generalizar, me tornar uma DQI e quando esbarrar com o próximo tipo assim, pensar que ele ou todos os DQIs não têm cura! Será que tem? Ou será que já ando eu a adoecer?! Isso pega?!

postado por lualil às 22:50 lualil@hotmail.com

08 Novembro 2005


Agora não tenho palavras.. e nem quero que as palavras de ninguém possam substituir a minha necessidade de estar comigo e pensar.
Sei que de alguma maneira não estarei sozinha por completo(estás comigo), sei também que de alguma maneira tenho que buscar respostas para mim, para ti, para nós... e perdoa-me se não as encontrar.
Nem sempre as respotas vêm do céu.

postado por lualil às 22:21 lualil@hotmail.com

07 Novembro 2005

foto: lm (Calhetas/PE)

Imensidão azul

Entregas a mim a tua beleza
Profunda, misteriosa
E quando te abraças às rochas
Escuto o som dos teus sentidos
E os meus sentidos distantes, esquecidos
Correm ao encontro dos teus
Misturam-se numa fantástica melodia
Fundem-se
E na imensidão azul
Vejo-me mar, sinto-me rocha
E sou livre na tua liberdade
Ah meu mar...
És como o meu amor
E o teu sal na minha boca é doce
Como é doce os lábios do meu amor nos meus
Acaricias minha alma e aqueces meu corpo
Como o toque das mãos do meu amor em mim
E perco-me
Na tranqüila imensidão
Dos tons dos nossos azuis,
Ah meu mar
Amar-te
Amor.

postado por lualil às 20:33 lualil@hotmail.com

06 Novembro 2005

Faltas-me


Ando pela minha cidade e me dou conta que me faltas
Tinhas que ver o que meus olhos vêem
Tocar o que minhas mãos tocam
Sentir o cheiro que sinto
Saber do que sei

Ando pela minha rua e me dou conta que me faltas
Precisavas ver o pôr do sol comigo
Colher as flores e enfeitar meus cabelos
E senti o seu perfume confundido ao meu
Saber do que sei

Ando pelo meu quarto e me dou conta que me faltas
Tinhas que olhar meus olhos
Deixar-me olhar nos teus
Tocar minha alma, meu corpo
Deixar-me tocar em ti
Sentir o meu perfume e deixar em mim o teu
Deixar-me saber o que sabes.

postado por lualil às 20:50 lualil@hotmail.com

03 Novembro 2005

Que venha o bush ao Brasil!
O povo brasileiro recebe as pessoas como elas merecem.
Saberemos recebê-lo à altura do maior TERRORISTA INTERNACIONAL, o grande INIMIGO da HUMANIDADE!


postado por lualil às 22:49 lualil@hotmail.com

02 Novembro 2005

pura ousadia minha...

Yo necesito de ti


De tus manos en mi piel
De tus ojos en mi mirada
De tu voz en mi boca

Yo necesito de ti
De tus sueños en mis sueños
Y de tu realidad en mi vida

Yo necesito de ti como quien necesita del aire
Como el viento que trae a nosotros los secretos
Que preso a nuestra alma, se callan
Como un río que corre al océano
Y se entrega
y allá, se esparce
Es así que yo,
Siempre
Iré a necesitar de ti

postado por lualil às 21:39 lualil@hotmail.com

Dedico este texto à minha mãe que mesmo ausente é forte presença em mim e que aconchegada em seus braços, revivo e recrio mágicos momentos.

Tristeza

Hoje quero falar de tristeza. Não me perguntem por que, pois mesmo eu não sei. A tristeza não pede licença, não se explica. Vai chegando de mansinho e espalhando seu perfume de jasmim pelas coisas, até que todas ficam encantadas pela beleza que nela mora. Ficam belas-tristes as nuvens do céu, tristes-belos os bem-ti-vis nos galhos das árvores, belos-tristes os objetos silenciosos do meu escritório, e até mesmo o café da manhã fica triste-belo... A tristeza é sempre bela, pois ela nada mais é que o sentimento que se tem ante uma beleza que se perdeu...
Não sei o que a chamou. Teria sido a visão das florestas ardendo, com seus prenúncios de desertos quentes e fins do mundo, os pássaros fugindo para nunca mais voltar? Ou a visita a lugares antigos amados... Ah! Quem ama nunca deveria voltar... Lembro-me dos versos que decorei no Grupo, o poeta visitando paisagens de outros tempos e cadenciando a sua tristeza com um refrão que se repete. “São estes os sítios? São estes... Mas eu o mesmo não sou. Marília, tu chamas? Espera que eu vou...” Até a bem-amada fica à espera quando o corpo tenta recuperar os espaços perdidos. Pois é. Visitei lugares de minha infância lá em Minas, e vi que a casa velha onde morei já não existe e nem a jabuticabeira que reguei e as três paineiras a cuja sombra me assentei. Fiquei ali, diante dessas ausências. E percebo que a tristeza é isto: estar diante de um espaço onde um dia houve o encontro. Saber, que cedo ou tarde, tudo o que está presente ficará ausente. E tristeza testemunha que o mistério da despedida está gravado em nossa própria carne. “Quem nos desviou assim”, perguntava Rilke, “para que tivéssemos um ar de despedida em tudo o que fazemos?” Não é esta ou aquela despedida. As pequenas despedidas apenas acordam em nós a consciência de que a vida é uma despedida. O que Cecília Meireles dizia de sua avó morta podemos dizer da vida inteira: “ Tudo em ti era uma ausência que se demorava, uma despedida pronta a cumprir-se...” Tristeza é isto, quando o belo e a despedida coincidem. O que revela o nosso próprio segredo, dilacerado entre o belo, que nos tornaria eternamente felizes, e os nossos braços, curtos demais para segurá-lo.
“E quando nos sentimos mais seguros algo inesperado acontece: um pôr do sol.. E estamos perdidos de novo...” (E. Browning). Mas, que será aquilo que nos põe a perder? A beleza do crepúsculo? Não. Mas a percepção de que a beleza é crepúsculo. Goethe dizia do pôr do sol: “tudo o que está próximo se distancia”. Ao que Borges comente: “Goethe se referia ao crepúsculo, mas também a vida. Aos poucos as coisas vão nos abandonando”. O pôr do sol é triste porque nos conta que somos como ele: infinitamente belos em nossas cores, infinitamente nostálgicos em nosso adeus.
A tristeza é o espaço entre o belo e o efêmero, de onde nasce a poesia. Não é por acaso que os poetas repetem sempre o mesmo tema. “As nuvens à volta do sol que se põe”, dizia Wordsworth, “ganham suas cores tristes de um olho que contempla a mortalidade dos homens...” E assim, os poetas vão colocando suas palavras sobre o vazio. Não um vazio qualquer, vazio “pedaço arrancado de mim”, mutilação no meu corpo. Exercício de saudade; tornar de novo presente um passado que já se foi. “Saudade é o revés de um parto, é arrumar o quarto para o filho que já morreu...”
Lembro-me de Álvaro de Campos dizendo da dor que sentia ao ver os navios que se afastavam do cais. “Ah! Todo cais é uma saudade de pedra... Todo atracar, todo largar de navio é – sinto-o em mim como meu sangue – inconscientemente simbólico, terrivelmente ameaçador de significações metafísicas. E, quando o navio larga o cais e se repara de repente que se abriu um espaço entre o cais e o navio, vem-me uma névoa de sentimentos de tristeza que me envolve com uma recordação de uma outra pessoa que fosse misteriosamente minha...”
E é só agora, Drummond, que compreendo o que você diz no seu poema “Ausência”, onde você afirma não lastimar o vazio. Não deveria ser assim... Acontece que, depois da partida, só fica a ferida que não deseja curar, pois ela traz de novo à memória o belo que uma vez foi. “Por muito tempo achei que ausência é falta. E lastimava ignorante, a falta. Hoje não lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim...” Não é estranho isto, que na tristeza more a beleza, e que se encontre aí mesmo um pouco de alegria? É mais bonita a dor de quem arruma o quarto para o filho que já morreu, que o vazio de quem não tem nenhum quarto para arrumar.
Brinco com minha tristeza com quem cuida de uma amiga fiel...

Tempus Fugit – Rubem Alves

postado por lualil às 20:03 lualil@hotmail.com

01 Novembro 2005

Aqui se faz arte...


fotos: lm

... e o Capibaribe poeticamente observa

postado por lualil às 23:21 lualil@hotmail.com

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