27 maio 2008

Distância


Não gritar?!
Não grito, não grito, não grito...
Acho que perdi a voz,
Não balbucio meu nome, nem o teu
Nem sei se conto palavras
Ou canto canções

Abrir-me?
Não abro. Fechei-me
E doem-me calos
De manter a distância de mim
Até meus olhos, meu peito
Meus ouvidos

liliana miranda
2008

23 maio 2008

Processo Criativo


Um recipiente
Ao poucos armazena
Umas sobre as outras, palavras
Amontoam-se sentimentos
Criam-se elos
Emitem sons
Enfatizam-se, somam-se
Completam-se
Outras, enfrentam-se
Debatem-se, opõem-se
Todas circulam livres, soltas
Dia após dia
Até que de repleto,
Escorrem, escapam, fogem

liliana miranda
2008

12 maio 2008


Silêncio das janelas

Minhas lágrimas inverteram seu caminho,
Lágrimas correm dentro de mim
Tenho a pele seca.

Tuas mãos não se molham em mim
Minha alma se fecha tal qual a janela
Com trancas, com medo,
Em silêncio.

liliana miranda

02 maio 2008

Para ti Fernando Bizarro

sei que minhas palavras não alcançarão teu mundo, nem este,
nem aquele, nem mundo para lado algum...
... apenas sentirás em ti o significados delas... sempre!
(lembras-te?)

Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei.
Ainda assim, escrevo.

Mia Couto