16 setembro 2004

Carta
(Toranja)

Nao falei contigo
com medo que os montes e vales que me achas
ca�ssem a teus p�s...

Acredito e entendo
que a estabilidade l�gica
de quem nao quer explodir
fa�a bem ao escudo que �s...
Saudade � o ar
que vou sugando e aceitando
como fruto de Verao
nos jardins do teu beijo...

Mas sinto que sabes que sentes tamb�m
que num dia maior ser�s trap�zio sem rede
a pairar sobre o mundo
e tudo o que vejo...

� que hoje acordei e lembrei-me
que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal � feita de papel
Nela te pinto nua, nua...
numa chama minha e tua.

Desconfio que ainda nao reparaste
que o teu destino foi inventado
por gira-discos estragados
aos quais te vais moldando...
E todo o teu planeamento estrat�gico
de sincroniza�ao do cora�ao
sao leis como paredes e tetos
cujos vidros vais pisando...

Anseio o dia em que acordares
por cima de todos os teus n�meros
ra�zes quadradas de somas subtra�das
sempre com a mesma solu�ao...
Podias deixar de fazer da vida
um ciclo vicioso harmonioso do teu gesto mimado
e a palma da tua mao...

� que hoje acordei e lembrei-me
que sou mago feiticeiro
e a minha bola de cristal � feita de papel
Nela te pinto nua
Numa chama minha e tua.

Desculpa se te fiz fogo e noites
sem pedir autoriza�ao por escrito
ao sindicato dos Deuses...
mas nao fui eu que te escolhi.
Desculpa se te usei
como ref�gio dos meus sentidos
peda�o de silencios perdidos
que voltei a encontrar em ti...

� que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro...
...nela te pinto nua, nua...
Numa chama minha e tua.

Ainda magoas algu�m
O tiro passou-me ao lado
Ainda magoas algu�m
Se nao te deste a ningu�m
magoaste algu�m
A mim... passou-me ao lado.


Agrade�o ao Passenger pela dica.. ao Antonio e ao Fernando por esta can�ao ser ouvida no blog!


Cen�rio: Quarto a luz de velas...
a olhar para uma lua que insiste outra vez em crescer.

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