Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira. Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente.
Uma parte de mim é só vertigem outra parte, linguagem.
Traduzir uma parte na outra parte - que é uma questão de vida ou morte...
será arte? (Ferreira Gullar)

30 Junho 2004

Fiz em mim um pa�s


� 2004 - Ant�nio Silva


Decidi nao ter fronteiras
Coloquei em poemas as palavras do meu idioma
Meu olhar verde coloriu as �rvores, a relva
E meus bra�os levaram o vento
que deu vida as folhas
Desenhei lagos, vales e montanhas
E som de p�ssaros entrou no meu ouvido
E tive sonhos... e tive sede..
Olhei o c�u sobre o meu pa�s
vi nuvens em cores suaves,
o c�u, o sol, as estrelas
Anjos em noites de luar

Fiz em mim um pa�s...
E te mostrei para decifr�-lo
Fiz um pa�s em mim...
na minha pele
na minha boca, olhos, ouvidos e sexo
nas minhas maos..
E te entreguei para fecund�-lo

Fiz em mim um pa�s
de retalhos, mem�rias, lembran�as
Sonhos, desejos e esperan�as
E fiz um pa�s livre
solto, leve
Com sonhos de mundo
Com sonhos de fogo e de ar
E fiz assim um pa�s... que de tao livre
Que de tao leve
saiu pelo tempo a flutuar...

postado por lualil às 21:43 lualil@hotmail.com

29 Junho 2004

Comidas Nordestinas...

Cuscuz


Cuscuz:prato feito com farinha de milho e cozido ao vapor


Cuscuz com charque


Charque:carne bolvina salgada e cortada em mantas (carne-seca, jab�)

... algu�m est� servido?

postado por lualil às 20:54 lualil@hotmail.com

26 Junho 2004

O presidente Lula � a pr�xima capa da revista de domingo do The New York Times.



Depois de criticar, NYT diz que Lula d� exemplo de democracia
O desenho da capa retrata o presidente Lula com a aparencia um pouco envelhecida. No t�tulo, uma pergunta: "O �ltimo her�i da esquerda na Am�rica Latina?"
A reportagem mostra o presidente dividido entre o desejo de mudar o pa�s e os limites impostos pela realidade aos governantes, um problema comum a l�deres da esquerda no mundo inteiro.
Eleito como um s�mbolo de mudan�a, Lula acabou se revelando como uma "curiosa surpresa", afirma a revista, mantendo-se dentro dos princ�pios do capitalismo global, com austeridade fiscal e corte de gastos.
O autor da reportagem escreve com admira�ao sobre a trajet�ria pessoal de Lula, dizendo que ele � uma "lenda ambulante" e sua vida, "uma cl�ssica hist�ria da democracia".

Fonte: Globo On Line

postado por lualil às 09:35 lualil@hotmail.com

25 Junho 2004

Entre o sono e o sonho

Entre o sono e o sonho,
Entre mim e o que em mim me suponho,
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais al�m,
Naquelas v�rias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.


Fernando Pessoa

postado por lualil às 21:38 lualil@hotmail.com

23 Junho 2004

FELIZ SAO JOAO!!!...



Meu Sao Joao
Hoje ser� tua festa
Saldemos a tua bandeira.

Sao Joao mandou
Cantar, dan�ar noite inteira
Para louvar a fogueira

postado por lualil às 19:32 lualil@hotmail.com

22 Junho 2004

Em visita ao No Wors, No Pain, dei com este magn�fico texto de uma sensiblidade sem medida... nao podia deixar de dividi-lo com todos tamb�m por c�.. agrade�o a permissao do poeta inspirado.



Escondes-te por entre as frac�oes s�bditas do tempo, em cada segundo, em cada batida. Agarras os sons dos ponteiros dos rel�gios gigantescos do s�tio onde nao h� tempo, para que eu te possa ver para sempre. Seguras-te bela e repousas em paz nos suspiros das horas que se vao, nos minutos que partem. Nao os sentes passar na infinidade dos momentos a s�s, dos momentos marcados e gravados em ti por cada um dos segundos em que respirei a teu lado. Despes os teus preconceitos em can�oes altivas e o desespero sumarento do teu amor faz-me acordar. Num s�tio onde o tempo nao passa, tu deixas-te ser minha para sempre. Corres nas estradas feitas pelas horas cansadas de correr pelos dias da vida, pelos caminhos do mundo. Sao as marcas do tempo que j� nao existe, que nunca, de veras, devia ter existido. Rasgas o tempo, o mundo larga-se em ti, e num momento eterno deixas-te cair no sono dos passeios infinitos. Dormes descansada onde ningu�m al�m de mim te pode ver. O orgulho do deus tempo faz-se sentir nos solu�os inconstantes do vento. Um vento que sopra sem pressa, sem for�a, sem tempo para morrer. Como poderias dizer adeus a algu�m que jamais saber� o que � desaparecer no tempo, a algu�m que viver� na eternidade de duas palavras, para sempre?
Agarras-te com for�a a minha pele nua, e rasgas em mim os segundos que perdemos na infinidade do espa�o. Agarras-te na for�a do desconcerto mais profundo e arrancas-me o pulsar do sangue nas veias, para te poderes embriegar na ternura da paixao. Deixas a luz entrar na escuridao da imortalidade, e perdoas o tempo que j� te marcou. Levas nas maos, carregas nos ombros cada um dos suspiros dos minutos em que choraste por mim. Para sempre eu marquei o teu corpo, e para sempre tu levaste a minha alma. Para o s�tio onde o tempo jamais existir�. Sempre existe na imensidao temporal da existencia racional, mas nao nas largas ondas do tempo sofrido a chorar... por amar. Soltas os beijos mais profundos de ti, e gritas ao vento o choro mais profundo da incompreensao. Entao eu grito do outro lado do mar para me poderes ouvir. Gritos desgarrados por ti, que sofres al�m das barreiras de mim.
A chuva cai intensa, nos s�tios onde o tempo j� nao passa. Mant�m-se suspensa em si, e deixa-nos passar por entre as suas cortinas frias. Entao eu arrasto-me para perto de ti, e derramo em ti o meu olhar escuro. Encostas a tua cabe�a perto do meu cora�ao e sente-lo descontrolar-se no descompasso do tempo. O tempo j� nao existe. O tempo j� partiu. Tocas-me a mao, e eu estreme�o em ti, tu aqueces-me a cara fria, e eu caio para ti. Quebras as prateleiras que seguram os vasos vazios do tempo, e tiras de ti o limiar da tua existencia. Dobras-te sobre mim, e eu sucumbo ao poder do teu olhar. Tocas-me mais uma vez, e na incongruencia do tempo que passou, eu saberei que para sempre, em ti, eu existirei.

C�sar Silvestre
In "Metropolitano" (2002)

Banda Sonora: Roads - Portishead

postado por lualil às 22:34 lualil@hotmail.com

21 Junho 2004

S� me apetece neste momento ouvir m�sica...


Vibra�oes - � 2004 - Jos� Gama

Banda Sonora: Coldplay - The Scientist

postado por lualil às 19:51 lualil@hotmail.com

18 Junho 2004

Eco
Tirei do bolso algumas letras,
soltas, saltam de mim... Palavras.
E uma frase preencheu o vazio.


� 2004 - Ant�nio Silva

Do Eco ao Silencio
Vazio preenchido, palavras
Frases inteiras, profundas, sentidas, subentendidas.
Onde o eco torna-se silencio... Compreendido.

postado por lualil às 18:34 lualil@hotmail.com

17 Junho 2004

ENTREGA

Deitei-me
E ao fechar os olhos
Senti o prazer do encontro
Da entrega
Entrega diferente e forte,
Suave e Voraz
Tranq�ila e renovadora
Certeza e d�vida
Contr�rios
Perfeitos
Completos

Tu distante de mim
Eu distante de ti
Tu dentro de mim
Eu dentro de ti
Entrega

Somos sonhos
Verdades,
Sentimentos
Somos completos,
Amor?

Tu tao perto de mim,
Eu tao perto de ti
N�s tao dentro de n�s.

postado por lualil às 21:51 lualil@hotmail.com

16 Junho 2004


� 2003 - Manuel Passos

Quem nunca se sentiu doente, triste, sozinho, melanc�lico ou diferente no meio de uma multidao?

postado por lualil às 21:13 lualil@hotmail.com

15 Junho 2004


Blue Nude by Pablo Picasso


Quero-te

Quero tuas maos em meu corpo,
Tocando-me a pele e a alma.
Teus olhos nos meus vendo-nos al�m do vis�vel,
tua boca que cala a minha
e transforma palavras em melodia.
Quero a ti
Quero-te em mim
plenamente
cheiro,
sabor.
Quero teu peso sobre o meu
Tornando-nos leves.

postado por lualil às 13:21 lualil@hotmail.com

14 Junho 2004

FELIZ ANIVERS�RIO MEU QUERIDO AMIGO VICTOR!!!
Desejo-te toda a felicidade do mundo!!!
beijos especiais e um looongo abra�o !


O OLEIRO E O POETA

H� muito tempo, na cidade de Zahl�, ocorreu uma rixa entre um jovem poeta, de nome Fauzi, e um oleiro, chamado Nagib.

Para evitar que o tumulto se agravasse, eles foram levados a presen�a do juiz do lugarejo.

O juiz, homem �ntegro e bondoso, interrogou primeiramente o oleiro, que parecia muito exaltado.

"Disseram-me que voce foi agredido? Isso � verdade?"

"Sim, senhor juiz." - confirmou o oleiro - "fui agredido em minha pr�pria casa por este poeta. Eu estava, como de costume, trabalhando em minha oficina, quando ouvi um ru�do e a seguir um baque.

Quando fui a janela pude constatar que o poeta Fauzi havia atirado com violencia uma pedra, que partiu um dos vasos que estava a secar perto da porta.

Exijo uma indeniza�?o!" - gritava o oleiro.

O juiz voltou-se para o poeta e perguntou-lhe serenamente: "Como justifica o seu estranho proceder?"

"Senhor juiz, o caso � simples." - disse o poeta.

"H� tres dias eu passava pela frente da casa do oleiro Nagib, quando percebi que ele declamava um dos meus poemas. Notei com tristeza que os versos estavam errados. Meus poemas eram mutilados pelo oleiro.

Aproximei-me dele e ensinei-lhe a declam�-los da forma certa, o que ele fez sem grande dificuldade.

No dia seguinte, passei pelo mesmo lugar e ouvi novamente o oleiro a repetir os mesmos versos de forma errada.

Cheio de paciencia tornei a ensinar-lhe a maneira correta e pedi-lhe que nao tornasse a deturp�-los.

Hoje, finalmente, eu regressava do trabalho quando, ao passar diante da casa do oleiro, percebi que ele declamava minha poesia estropiando as rimas e mutilando vergonhosamente os versos.

Nao me contive. Apanhei uma pedra e parti com ela um de seus vasos.

Como ve, meu comportamento nada mais � do que uma repres�lia pela conduta do oleiro."

Ao ouvir as alega�oes do poeta, o juiz dirigiu-se ao oleiro e declarou: "que esse caso, Nagib, sirva de li�ao para o futuro. Procure respeitar as obras alheias a fim de que os outros artistas respeitem as suas.

Se voce equivocadamente julgava-se no direito de quebrar o verso do poeta, achou-se tamb�m o poeta egoisticamente no direito de quebrar o seu vaso."

E a senten�a foi a seguinte: "determino que o oleiro Nagib fabrique um novo vaso de linhas perfeitas e cores harmoniosas, no qual o poeta Fauzi escrever� um de seus lindos versos. Esse vaso ser� vendido em leilao e a importancia obtida pela venda dever� ser dividida em partes iguais entre ambos."

A not�cia sobre a forma inesperada como o s�bio juiz resolveu a disputa espalhou-se rapidamente.

Foram vendidos muitos vasos feitos por Nagib adornados com os versos do poeta. Em pouco tempo Nagib e Fauzi prosperaram muito. Tornaram-se amigos e cada qual passou a respeitar e a admirar o trabalho do outro.

O oleiro mostrava-se arrebatado ao ouvir os versos do poeta, enquanto o poeta encantava-se com os vasos admir�veis do oleiro.

Dedicado a um excelente e sens�vel fot�grafo que sabe a importancia e o valor de todas as obras de arte, que sabe o valor da vida e da solidariedade! Sinto-me presenteada com esta po�tica amizade!
muitos beijos

postado por lualil às 18:11 lualil@hotmail.com

13 Junho 2004


� 2004 - Jos� Fagundes

Cortina de Vidro

Daqui vejo as folhas das �rvores
Ao balan�o do vento
At� posso ouvir
Diria que at� sinto seu cheiro
Pessoas vao e vem
Pelas ruas
Apressadas, ocupadas
Daqui vejo
Atrav�s do vidro que me separa da vida
Que me mant�m deste lado
Que me impede de toc�-la
Que percebo sem que
Ningu�m perceba a mim
A nao ser tu,
Que de longe me olhas
E me desejas
Al�m da cortina de vidro
Mas as pessoas se distraem
O som da vida te distrai
E tu...
Tu segues sem mim.

postado por lualil às 23:09 lualil@hotmail.com

12 Junho 2004

Dia dos Namorados


Diferentemente de quase todo o resto do mundo, que no dia 14 de fevereiro comemora o dia de S. Valentim - dia dos namorados, o Brasil celebra hoje, dia 12 de junho, os apaixonados... j� que tamb�m hoje comemorarmos o dia de Santo Antonio, o santo casamenteiro.
Entao de repente, no bar, na festa, na praia, na fila do banco - nao importa -, os olhos se encontram. Primeiro uma ansiedade, um calor no peito que logo se espalha em calafrios que procuramos disfar�ar. Um leve suor nas maos. No primeiro encontro, os l�bios ressecam um pouco antes do primeiro beijo, as palavras tremem embara�adas em pensamentos confusos. Joelhos que mal sustentam o peso do corpo. Esquecemos do mundo l� fora em eternas horas de silenciosa saudade ao telefone, perfumadas com aquela inquietude pr�pria dos amantes...
Quem nunca sentiu coisa parecida?
Aos eternos amantes um poema...

Soneto do Amor Total
Amo-te tanto, meu amor... nao cante
O humano cora�ao com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo al�m, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mist�rio e sem virtude
Com um desejo maci�o e permanente.

E de te amar assim, muito e ami�de
� que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinicius de Moraes

E ainda como dizia o poeta..

Eu possa (me) dizer do amor (que tive):
Que nao seja imortal, posto que � chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Banda Sonora: Angel - Dave Matthews Band

postado por lualil às 23:30 lualil@hotmail.com

09 Junho 2004

Mesmo assim...

� 2002 - Rui Vale de Sousa

Sempre haver� saudades,
Mesmo quando entre n�s, s� existirem alguns minutos
Quando tuas maos, rec�m tiradas do meu corpo, ainda me fa�a sentir o calor do teu carinho
Quando teus olhos, sa�dos dos meus, ainda guarde em mim a imagem de n�s dois
Quando meu cora�ao, voltando ao ritmo normal de suas batidas, ainda sinta o impacto do ritmo alucinado
Quando minha boca, afastada da tua, ainda traga nela o teu sabor
Quando meus ouvidos, sem mais te ouvir, j� tenha tatuado na minha alma todas as palavras ditas por ti
Mesmo assim...
Ainda haver� em n�s a saudade de n�s dois
A espera de tudo, outra vez.

postado por lualil às 20:45 lualil@hotmail.com

08 Junho 2004

Clara

Digitei minhas �ltimas corre�oes. Anexei as fotos, reconhe�o, ficaram �timas, amanha ter�amos uma boa mat�ria no jornal. Ainda me faltava escrever um conto que intencionava mandar para um concurso liter�rio. Daria uma pausa agora. Levantei, tomei um caf�, acendi um cigarro e fui at� a janela... Esta tarde nao havia ainda chegado l� pra ver a paisagem e mesmo que contra a vontade de todos, aberto um pouco a janela pra sentir o vento. Sentia-me aliviado e em bom estado. Nenhum �protestador� de plantao nao me conseguiria chatear. O sol estava quase se pondo... Fant�stica visao e o ar ainda estava morno... Quando vi Clara. Clara � linda, nunca vi um olhar tao m�gico, gostava de ouvi-la falar... Contar suas hist�rias, adorava o sorriso de clara. Quis gritar! Gritei:
_ Clara! Clara!
Ela andava mais r�pido que o costume... Nao olhava para os lados e para o alto como sempre, estava com pressa, estava diferente. Ela nao me ouvia... Entao corri, o elevador estava dois andares acima, nao esperei, desci a escada... E quando j� estava embaixo, vi uma pontinha de clara desaparecendo... Nao podia mais correr, nao ag�entava. Sa� andando, fui tentar chegar at� ela. Certamente eu nao conseguiria, pouco me importava, mesmo assim eu tentaria.
Alguns minutos depois cheguei no ponto onde vi Clara sumir... Olhei para os lados em busca dela, e nada! Pensei: Eu sabia... Entao resolvi continuar andando, iria olhar o mar, ouvir suas ondas... Valia a pena mesmo sem Clara. Quando cheguei perto do p�er... Havia algu�m sentado, tinha os cabelos ao vento mas, estava tao quieta, nao se movia.. Mas era ela. Continuei. Ao seu lado pude perceber que olhava fixamente o horizonte, estava triste... Eu sentia. Sentei-me a seu lado. Ficamos assim alguns instantes at� que peguei sua mao e Clara parecia enfim sair do transe. Olhou-me. Tinha l�grimas nos olhos. Abra�ou-me, senti que tremia. Fiquei colado nela sem dizer nenhuma palavra, sem ouvir nada alem de um pequeno solu�o, que aos poucos foi ficando menor. Ela olhou-me outra vez, mais uma l�grima caiu e por fim...disse-me:
_Vamos nadar?
Sorri.
_Sempre me surpreendes, nao imaginava ouvir isso agora.
_ Mas imaginava ouvir que tenho minha alma doendo?! Quero faze-la parar de sofrer...
Vi agora um leve sorriso nos olhos de clara. Ela se levantou.
_ Entao... Nao vens?! Vou pular...
Pulou.
Ainda nao sabia se queria nadar... Mas algo decidiu por mim. Pulei.
Cheguei perto e perguntei.
_ Que dor sente a tua alma?
_Sente a dor de ter um corpo menor que ela... Dor de querer voar e nao poder levar-me sempre junto
_Clara...
Ela nao me deixou continuar e disse:
_Cola teu corpo ao meu...
Abracei Clara sem falar mais nada, nem queria... Nao precisava ouvir mais nada, nem queria... J� tinha uma bela can�ao que tocava dentro de mim e que ecoava sobre n�s. Havia encanto. Havia um conto.

(escrevo sem "til", "crase", "acento circunflexo".. talvez sem mais outras coisas.. apenas sinto. perdao)

postado por lualil às 22:14 lualil@hotmail.com

05 Junho 2004

"Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
mas apenas um homem amou a tua alma peregrina,
e amou as m�goas do teu rosto que mudava."
Yeats


� 2004 - Jose Luis Mendes

ouvindo: M�rio Cesariny e Rodrigo Leao
- (queria de ti um pa�s...)

postado por lualil às 13:22 lualil@hotmail.com

04 Junho 2004

Di�logo


Blues-Dagoberto Nogueira



Olhei nos meus olhos e perguntei:
_ O que voce sente?
_ � dif�cil de explicar...� dif�cil explicar sentimentos.
_ Mas, se voce sente consegue ao menos explicar para voce mesma?
_ Nao... Nem a mim mesma.
_� bom o que sente? Deixa-te feliz?
_ Sim, me faz muito feliz... Mas, sinto tamb�m um pouco de tristeza, e � a� que come�o a nao entender...O que pode nos fazer feliz e triste ao mesmo tempo?
_ Tudo! Tudo nos faz feliz e triste.. A vida � assim. H� sempre duas formas de ver, de perceber, de analisar.
_ A vida � mesmo assim... Voce tem razao! Quando me sinto feliz... Quando alguma coisa me faz feliz, quando algu�m me faz feliz, vejo o mundo de uma cor... Da minha cor, tudo azul...Quando me sinto triste, olho ao meu redor e nao vejo o azul ser refletido ... S� a falta do azul.
_ Engra�ado voce utilizar cor para definir o que sente.. � interessante isso. Voce sabia que a expressao: I�m blue significa estar triste? Como voce mesmo diz, � dif�cil definir sentimentos, h� in�meras formas pra falar da mesma sensa�ao e formas iguais para sensa�oes diferentes...
_Mas, se com palavras � dif�cil definir Amor, Paixao, Raiva, �dio, Carinho, Compreensao...H� uma maneira eficaz de mostrar isso...Com gestos. Os gestos sao absolutamente eficazes... � por isso que sinto essa necessidade de mostrar, de tocar... Todos sentirao o que sinto, mesmo que nao saibam definir o que sentem, mas irao me entender assim como entenderao a si pr�prios.
_Sim! Eles entenderao.
Voce j� falou com voce mesmo??? Nao?!!!

postado por lualil às 19:16 lualil@hotmail.com

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