23 março 2005

Um conto

Digitei minhas �ltimas corre�oes. Anexei as fotos, reconhe�o sem mod�stia, ficaram �timas, amanha ter�amos uma boa mat�ria no jornal. Ainda me faltava escrever um conto que pensava em mandar para um concurso liter�rio. Daria uma pausa agora. Levantei, tomei um caf�, acendi um cigarro e fui at� a janela... esta tarde ainda nao havia chegado l� pra ver a paisagem e mesmo que contra a vontade de todos, aberto um pouco a janela pra sentir o vento. Sentia-me aliviado e em bom estado. Nenhum �protestador� de plantao nao me conseguiria chatear. O sol estava quase se pondo... fant�stica visao e o ar ainda estava morno... Quando vi Clara. Clara � linda, nunca vi um olhar tao m�gico, gostava de ouvi-la falar, contar suas hist�rias, adorava o sorriso de clara. Quis gritar! Gritei:
_ Clara! Clara!
Ela andava mais r�pido que o costume... nao olhava para os lados e para o alto como sempre, estava com pressa, estava diferente. Ela nao me ouvia... entao corri, o elevador estava dois andares acima, nao esperei, desci a escada... e quando j� estava embaixo, vi uma pontinha de clara desaparecendo... nao podia mais correr, nao ag�entava. Sa� andando, fui tentar chegar at� ela. Certamente eu nao ia conseguir, pouco me importava, mesmo assim eu tentaria.
Alguns minutos depois cheguei no ponto onde vi Clara sumir... olhei para os lados em busca dela, e nada! Pensei: Eu sabia... entao resolvi continuar andando, iria olhar o mar, ouvir suas ondas... Valia a pena mesmo sem Clara. Quando cheguei perto do p�er... havia algu�m sentado, tinha os cabelos ao vento mas, estava tao quieta, nao se movia.. Mas era ela. Continuei. Ao lado dela pude perceber que ela olhava fixamente o horizonte, estava triste... eu sentia. Sentei-me a seu lado. Ficamos assim alguns instantes at� que peguei sua mao e Clara parecia enfim sair do transe e me olhou. Tinha l�grimas nos olhos. Abra�ou-me, senti que tremia. Fiquei colado nela sem dizer uma palavra, sem ouvir nada al�m de um pequeno solu�o, que aos poucos foi ficando menor. Ela me olhou outra vez, mais uma l�grima caiu e por fim ela me disse:
_Vamos nadar?
Sorri.
_Voce sempre me surpreende, nao imaginava ouvir isso agora.
_ Mas imaginava ouvir que tenho minha alma doendo... quero faze-la parar de sofrer...
Vi agora um leve sorriso nos olhos de clara. Ela se levantou.
_ Entao... Nao vem?! Vou pular...
Pulou.
Ainda nao sabia se queria nadar... mas algo decidiu por mim. Pulei.
Cheguei perto e perguntei.
_ Que dor sente sua alma?
_Sente a dor de ter um corpo menor que ela... dor de querer voar e nao poder me levar sempre junto.
_Clara...
Ela nao me deixou continuar e disse:
_Cola teu corpo ao meu...
Abracei Clara sem falar mais nada, nem queria... nao precisava ouvir mais nada, nem queria... J� tinha uma bela can�ao que tocava dentro de mim e que ecoava sobre n�s. Havia encanto. Havia um conto.

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