A Márcia Maia é uma poeta pernambucana, destas que deixa a gente sem ar.. que nos faz pensar na vida, nas pessoas, nos sentimentos.. envolve-nos com arte e vida. Tenho hoje o imenso prazer de mostrar aqui um texto feito por ela e publicado em seu blog Mudança de Ventos, que fala muito sobre a nossa cultura e o nosso sentimento de amor por esta cidade e pela nossa história.
Obrigada Márcia por me deixar traduzir aqui através das tuas palavras a emoção que traz na alma um recifense.
Um boi nos céus do Recife

Vez em quando um boi voa no Recife. E não assusta ninguém. Só encanta.Voou a primeira vez, nos idos de mil e seiscentos, no Recife holandês de Maurício de Nassau, governador da província invadida. Diz-se que amava a cidade, o conde. E que fez o boi voar sobre a ponte que hoje tem o seu nome. Um vôozito de nada. Do passeio ao ponto mais alto das ferragens da mais bela das pontes. Um vôo, uma aposta ganha e um boi incorporado ao imaginário recifense, cantado, três séculos depois, em versos por Chico.
Voou outras vezes, sempre sobre a mesma ponte, em shows no século vinte. Mas nunca um boi foi tão ousado e tão bonito como o que voou ontem, na virada do ano. Ousado o bicho! Voou de um lado ao outro do rio. Do antigo Grande Hotel ao Paço Alfândega. Sobre o Capibaribe. Vôo de ida e volta, feito avião de carreira. Tanto gostou de voar, o boi-pássaro, que diz-se enfeitará com seus vôos as noites recifenses. E que, nas noites de lua nova, como ontem, ao se olhar com cuidado, na cabeceira da ponte ver-se-á o vulto de Nassau aplaudindo o vôo e sorrindo.
Márcia Maia
Voou outras vezes, sempre sobre a mesma ponte, em shows no século vinte. Mas nunca um boi foi tão ousado e tão bonito como o que voou ontem, na virada do ano. Ousado o bicho! Voou de um lado ao outro do rio. Do antigo Grande Hotel ao Paço Alfândega. Sobre o Capibaribe. Vôo de ida e volta, feito avião de carreira. Tanto gostou de voar, o boi-pássaro, que diz-se enfeitará com seus vôos as noites recifenses. E que, nas noites de lua nova, como ontem, ao se olhar com cuidado, na cabeceira da ponte ver-se-á o vulto de Nassau aplaudindo o vôo e sorrindo.
Márcia Maia
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