Infelizmente continuo a escrever sem a maioria dos acentos gr�ficos...
Ainda nao fiz acordo com os "tils", as "crases", os "cricunflexos" h� por a� um t�mido acento agudo... e nada mais. Haja paciencia!
Obscenidade Maior
(imaginem aqui a foto de um homem sentado em uma cadeira, cabe�a baixa, bra�os apoiados nas pernas e maos sujas de sangue!)
Quando a conheci ela j� nao era mais uma menina, j� conhecia e tinha feito de tudo na vida. E eu sabia que ela gostava da vida que levava.
Nao me importava com isso. Eu tinha consciencia do que eu sentia por ela e ela por mim. Importava para mim como era quando est�vamos juntos, s� eu e ela.
A� ela desligava o celular, se desligava de tudo, e a gente namorava como dois adolescentes. Eu enxergava nela toda a pureza e inocencia de menina, a sensualidade e companheirismo da mulher e sentia a prote�ao e admira�ao que s� as maes podem dar e merecer.
Muitas vezes ela se recusava a transar comigo porque estava cansada do "trabalho". Eu compreendia e dormia agarradinho com ela. Para mim ficar junto era o mais importante.
Meus amigos... Amigos nao! "Conhecidos" (aprendi com o tempo que s� tenho conhecidos e que nem sequer conhe�o direito), eles diziam que eu era louco de viver com esta situa�ao.
Eu nem sequer respondia. Pensava comigo: pior e quem tem uma mulher s� para ele na cama porque ela nao conhece ningu�m, ou porque ela nao tem outra op�ao. E mais, as vezes o sujeito tem uma mulher exclusiva, mas ela vive sonhando e tendo paixao por qualquer ator de novela, ou outro qualquer.
O que � pior, dividir o corpo da mulher amada?... Ou ela ter o cora�ao e os sonhos com outro?... Para mim, vale mais o que a gente carrega dentro do peito. Por isso eu nao dou bola pra conversa fiada. Mas isso nao impedia de eu virar motivo de piadinha, que eu tamb�m nao dou bola.
No come�o ainda dava um sopapo ou outro e at� quebrei um taco de sinuca na cabe�a de um infeliz uma vez. Nesse dia a gente tava jogando eu j� tava com a bola sete na boca da ca�apa! O taco escorregou dentre os dedos e eu errei a jogada. O maldito falou. "At� o seu taco ta te traindo heim"! Minha outra tacada foi bem no meio da cabe�a chata dele! O coitado baixou no pronto socorro minando tanto sangue pela testa que a camiseta listada de vermelho e branco ficou �, toda vermelha. Depois me arrependi e jurei nao ligar mais pra nada que ouvisse, me distanciei tamb�m de gente intrometida que fica cuidando da vida dos outros, vendo o que um faz, o outro faz, ou deixa de fazer.
Teve uma vez que ela me ligou dizendo que tinha uma viagem a "trabalho" de um mes para outro pa�s. Nao perguntei nem pra onde e disse que eu nao queria. Ela insistiu que a grana era alta, que era uma oportunidade de ajeitar as contas. Eu senti muito mais aceitei, at� cuidei do cachorro dela enquanto ela tava fora. Quando voltou, eu fui buscar ela no aeroporto. A gente se viu de longe, ela correu ao meu encontro e me abra�ou forte! E eu percebi que ela continuava minha como sempre foi o tempo todo que estivemos juntos.
Eu nunca quis entrar em detalhe do que acontecia longe de mim, isso era besteira e s� ia fazer sofrer a toa. De vez em quando ela me contava que tinha tido um programa mais f�cil ou mais dif�cil, mas era s�.
Tamb�m vi muitas vezes ela chegar com cliente dentro de carrao importado na esquina de baixo. Eu sabia que as vezes ela jantava em restaurante fino, tomava caf� da manha com suco, queijo, presunto, frutas, desses que tem em hotel de luxo. Mas eu sabia tamb�m que ela nao trocava a sopa de cebola que tomava comigo de madrugada no Mercado Municipal do Ceasa ou o pingado com pao com manteiga no boteco da esquina por nada disso. E s� porque era comigo!
Ela tamb�m adorava quando eu pegava meu carrinho velho e descia a serra com ela pra passar o dia na praia, me dizia olhando bem dentro dos meus olhos que a Praia Grande comigo era melhor que Paris. Acho que foi pra l� que ela foi quando ficou fora um mes.
Vivemos assim juntos uns quatro ou cinco anos. At� que eu comecei a perceber ela com o olhar distante, distra�da, como se tivesse comigo e a cabe�a bem longe. Tamb�m me beijava com a boca que mal abria direito. Isso foi logo depois que o cachorro dela morreu e eu fazia for�a pra acreditar que era por causa disso. Diz que o homem � o �ltimo a acreditar que a mulher nao quer mais saber dele, e � verdade
Uma noite, j� bem tarde, eu esperava ela olhando pela janela do apartamento quando vi um carro chegar na esquina, desci imaginando encontr�-la como sempre, com um abra�o apertado e vi ela ainda dentro do carro beijando a boca do outro. Via, mas ainda nao acreditava. Na bochecha dela se via a l�ngua dele mexendo e fazendo volume por dentro! Parecia os beijos que a gente dava antes do cachorro dela morrer, ou nosso amor morrer... Mas s� que pra mim aquele beijo dela em outro era nojento, era a obscenidade maior que ela podia fazer.
�, mas como eu j� disse, eu nao queria acreditar e continuei me enganando, pensado que nao tinha visto direito. Era s� mais um cliente - continuei a me enganar para nao sofrer.
Ela desceu do carro e quando me encontrou no hall do pr�dio me deu um beijo no rosto sem olhar nos meus olhos nem me abra�ar e subimos no elevador como dois estranhos. Antes de entrar no apartamento, enquanto eu procurava as chaves perguntei quem tinha trazido ela. E ela respondeu que nao interessava. E chamou o elevador de novo apertando o botao. Perguntei aonde ela ia. E ela falou que tamb�m nao interessava.
Enquanto ela falava virada pra mim, a campainha do elevador tocou anunciando a porta abrir e eu ainda pude ver o buraco escuro porque o elevador nao estava l�! Tentei segur�-la pelo bra�o para ela nao ir e cair no buraco que ela nao tinha visto. E ela ainda sem ver soltou-se de mim com for�a, virou-se e foi de encontro ao po�o escuro. Quase cai junto tentando pegar ela Doutor. Eu juro fiz o que pude Doutor, fiz o que pude.
O delegado com a voz forte e em tom ir�nico falou.
- "Bela est�ria! Estou at� com l�grimas nos olhos de tanta emo�ao! S� falta voce explicar porque o corpo estava sem o cora�ao?"
- Ora Doutor, o cora�ao � meu! Peguei o cora�ao porque o cora�ao � meu!
Madeu St�Ore em Frenesi e Lucidez ... vale a pena conferir este blog!
Fundo Musical: Oh Mo Dhuthaich - Capercaillie
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