31 outubro 2005




Pernambuco de A/Z
Bairros do Recife - Boa Vista



O bairro da Boa Vista está incluído entre os mais importantes sítios históricos da cidade. Teve sua ocupação iniciada por dois pontos: o Sítio das Salinas (onde no final do século XVII foi construída a Igreja de Santo Amaro); e pela área onde hoje fica a Rua Velha, nas proximidades onde hoje está a Ponte da Boa Vista (construída por Maurício de Nassau em 1643).
Depois, a ocupação se estendeu em direção ao atual Pátio de santa Cruz. Os trechos que deram origem às ruas da Aurora e do Hospício eram mangues, tendo sido realizados aterros. O bairro abriga várias igrejas, entre as quais a Igreja de Santa Cruz (1700) e a Igreja de São Gonçalo (1716). Também fica ali a Praça do Conde D'Eu (hoje denominada Praça Maciel Pinheiro), construída em 1876.












Ponte da Boa Vista

Segundo o Censo do IBGE, em 2000 o bairro da Boa Vista tinha os seguintes dados:
População: 14.033 habitantes
Área: 181,4 hectares

Densidade: 77,33 hab./ha

fonte

30 outubro 2005

imagem: IgguRed

"He aquí que el silencio fue integrado
por el total de la palabra humana,
y no hablar es morir entre los seres:
se hace lenguaje hasta la cabellera,
habla la boca sin mover los labios,
los ojos de repente son palabras...
...Yo tomo la palabra y la recorro
como si fuera sólo
forma humana,
me embelesan sus líneas
y navego
en cada resonancia del idioma..."

Pablo Neruda
(Chile, 1904 -1973)

28 outubro 2005



Vênus

vênus
nos
vê nus

Tchello

27 outubro 2005

Prematuro
Crônica de uma morte anunciada



Antes da hora
(29.03.2005)
Muito escuro. Uma agitação que não consigo compreender bem. Sinto um relativo mal estar, alguma dor. Há uma força que insiste em me empurrar para baixo, comprimindo meu corpo.
Sinto agora uma enorme falta de ar... e sem saber o motivo me vejo forçando minha cabeça como se isso fosse resultar em algum alívio. Alguma luz se aproxima, ainda tenho pouco ar nos meus pulmões e o desconforto aumenta, aumenta a luz e ouço um barulho, vozes, muitas vozes. Agitadas, ouço apitos finos, máquinas e umas mãos fortes me puxam para fora! De repente já não vejo mais nada! Adormeço.


Primeiras Horas
(29.03.2005)
Estou cheia de fios. Ainda escuto o barulho dos apitos finos. Constantes. Mas já me sinto sossegada e aquecida.
Uma mão me toca levemente. É ela! minha mãe. eu não vejo seus olhos mas sinto seu coração bater nas pontas do seus dedos sobre o meu corpo. Nos movimentos leves, ela me diz o quanto me ama. O quanto quer que eu viva. Que eu lute! Escuto o que o seu coração me diz e sei a cada minuto que passa quem ela é. Um mulher forte. Embora de mãos pequenas ela me parece grande. Decidida. E sinto, como um bálsamo que me alivia, a sua capacidade enorme de amar. Sinto este amor por mim e pelo mundo. Sinto a sua clareza, sua serenidade. Ainda sinto seu coração batendo na minha pele e os seus olhos continuam olhando ternamente pra mim. Sei que sua paz e o seu amor me fizeram adormecer. sonhei com minha mãe por algum tempo.
Novamente sinto mãos em meu corpo. Seria ela outra vez? Não! Estas mãos me tocavam de maneira diferente. Havia um coração também nas pontas dos dedos, mas batia em ritmo diferente. Não me passava segurança, parecia assustado ou confuso. inseguro? Sou tão pequena ainda não sei sentir tudo muito bem. Os olhos não me olhavam diretamente. Pareciam olhar sempre para o lado. Sentia que era alguém que me queria, que me amava e embora não soubesse claramente me dizer, eu sabia que ele também queria que eu vivesse! Mas, era como se eu não pudesse ver ao certo quem era! Tinha uma maneira diferente de sentir emoções! E me parecia ser tantos ao mesmo tempo. Seria ele?! Sim, era o meu pai! O meu pai! Saiu antes que eu tivesse tempo para me acalmar e outra vez adormecer. Voltaria?



Meu quadro de luzes
(30.04.2005)
Talvez tenha pouco tempo para ter a exata noção do que se passa comigo. Talvez até não saiba o que sou. Ou quem sou. Até agora sei que muitas mãos tocaram meu corpo, porém apenas duas diferentes mãos me tocaram além deste pequeno corpo frágil que pareço ter. Não sei das luzes naturais que possam existir nesse mundo. Sempre há luz forte sobre mim, sinto que essa luz me aquece. Agora, neste momento, sinto algo que nunca senti antes. Medo. Tinha medo de não consegui vencer. De não consegui lutar, como era o desejo do coração da minha mãe. Estranho era saber, que não tinha medo porque me achava fraco mas por saber que algo era mais forte que eu. E consegui, apesar de tudo, compreender que havia um lugar muito maior do que aquele que eu estava. Um lugar que tinha que está sintonizado comigo. E eu, apesar de tantos fios, apitos, mãos e luzes não me sentia ligado a este mundo. Estava solta. Desprendida, como uma folha que se vai com o vento do outono. Outono. Ouvi tantas vezes a minha mãe falar deste outono e deste vento. Foi, no minuto seguinte que senti algo forte batendo dentro de mim. Parecia um tambor. Tum Tum.. forte. Cada vez mais forte e uma dor enorme tomou conta de mim. Do meu peito. Senti frio. E um apito ensurdecedor soou como um eco. Correria. Mãos , mãos, mãos sobre mim! Mas não me tiravam a dor. Porque? Ajudem-se.. isso dói! Fui ficando assustada. Nenhuma agitação igual aquela havia acontecido dentro da minha casinha pequena e branca. Dor. dor. Já agora o apito parecia ficar mais baixo, mais baixo... e uma luzinha, que antes pulava de um canto a outro, subindo e descendo, dentro de um quadro ao meu lado, ficou como se fosse uma linha reta. Perdi os sentidos. Perdi-me de mim?!
Despertei como se estivesse caindo de um penhasco. Tinha o corpo no ar! Meu quadro tinha voltado a ter sua luzinha subindo e descendo. E os apitos pareciam todos como antes. Um cansaço enorme tomou conta de mim. Mas aquelas mãos suaves, as mãos da minha mãe estavam sobre o meu corpo outra vez e eu já não sentia medo algum.



Mergulho
(01.04.2005)
Não sei o que se esconde por trás dessa minha aparente fragilidade. Se ao mesmo tempo algo me faz sentir forte.
Então, quis me conhecer. Mergulhei em mim como quem mergulha no fundo do mar em busca de um tesouro. E aqui e ali fui recolhendo pedaços de mim que eu ia unindo como a um quebra-cabeças. No final eu estaria, seria inteira.
As primeiras imagens surgem diante de mim. E eu os vejo. Os reconheço. Eles se descobriram, se encantaram e urgentemente se entregaram. Juntaram verdades e mentiras, certezas e incertezas, coragem e medo, lágrimas e sorrisos. Esqueceram quem são e consumiram-se nessa urgente paixão. Sou essa paixão. Esse amor iniciado.
Agora compreendo a minha natureza forte, recheada de emoções e unida por um fino frio frágil, pronto a se romper. Existo. Sou uma realidade repleta de emoções e sensações. Minha fragilidade é tão real quanto a minha fortaleza. E sinto que meu desejo de ficar é tão forte quanto partir. Essa tem sido a minha luta. Manter-me inteira apesar do frágil fio com que fui tecida.


Meu momento de paz
(02.04.2005)
Não. Não é uma luta que tenho que travar. O que me mantém presa a este fio é o meu desejo de compreender a minha existência, a minha verdade. O desejo de sentir as mãos da minha criação sobre mim e ter tempo de olhá-los com ternura, de compreende-los, reconhecendo-me em cada um dos toques de suas mãos sobre o meu corpo. Sei que eles sabem que ainda estou aqui por isso. Tenho que me consumir, preciso me consumir reconhecendo-me desde o princípio. Sentindo-me. Sendo real, vivendo e consumindo-me com a mesma urgente paixão que me fez existir...
Sinto um enorme amor por mim e por eles. Dos tempos que me recordo de mim este é o meu maior momento de paz.


Últimas horas
(03.04.2005)
Já algum tempo que essa paz tomou conta de mim. Cheguei a pensar que nunca a alcançaria e que minha fragilidade fosse me vencer. Mas já agora, neste momento, sou mais forte que tudo. Mas percebo uma certa inquietação das pessoas a minha volta. Muitos me tocam e me olham. Reviram-me. Será que estão procurando pela minha tranqüilidade? Mas por que gostariam de tirá-la de mim? Estou bem! Tento dizer-lhes. Mas eles não me entendem.
Tenho tido sonhos lindos. Sonhos de liberdade. Sinto que tenho asas. Que posso voar! E não raro contemplo um jardim fantasticamente colorido. Deve fazer parte dessa sensação de paz e tranqüilidade que me encontro.
Outra vez ele me tocam, ajustam os fios em meu corpo, injetam líquidos em minha veia. Eu estou bem! Mas eles não me ouvem!! Não me entendem?!
Correria e gritos! Estão loucos?
Até meus pais estão aqui. Eu os vejo. Vejo os olhos da minha mãe... tristes. Os olhos do meu pai, assustados. Como é bom vê-los. Eles tocam-me, acarinhando-me. Como é senti-los assim. Nosso momento de ternura. De amor. Só mesmo isso me faltava. E eu, não compreendo muito bem como mas, eles entendem-me. Sentem o que sinto e os olhos tristes e cheios de lágrimas da minha mãe ficam serenos. Os olhos assustados do meu pai tornam-se cheios de esperança. Talvez estivéssemos compreendendo e aceitando as nossas limitações, os nossos erros e tivéssemos prontos para nos dar uma nova oportunidade.
Que paz eu sentia! Absoluta. Só rompida por alguns segundos quando um apito estridente soou perto de nós. Como que por impulso, minha mãe retirou-me deste lugar e me tomou nos braços. Apertou-me contra o peito. Meu pai tocou meu rosto. Alguns olhares os repreenderam mas eles mantiveram-se firme. Ela tocou em meus lábios e acho que sorri. Sorrimos todos nós por entre as nossas lágrimas e nossa estranha paz.
O apito. Tão alto, estridente.
Ao lado, meu quadro de luz agora tinha de fato uma linha reta! Contínua. Sinto me invadir o cheiro das flores coloridas do meu enorme jardim!

25 outubro 2005

Quase estados, estações


Esteve frio, foi quase no inverno.
Onde deixei pedaços teus?
Já agora nada se completa,
Peças de jogos diferentes.
E o sol aquece em um quase verão.

24 outubro 2005

O fotografo e a escritora juntos já percorreram muitos caminhos... experimentaram muitos sentires ...
Este é mais um destes encontros que tão lindamente narra o Victor no blog Oficina das Idéias.

sentir o povo que vive
O Fotógrafo e a Escritora reencontram-se na calçada que percorrem tranquilamente. Ele escreve sentires com cada clique de sua câmera fotográfica. Ela, cria as mais belas imagens com um singelo movimento dos cílios

O Fotógrafo regressa ao Recife

O tempo que passa é mesmo assim. Quando olhamos o pretérito, o tempo parece espalmar-se reduzindo os acontecimentos à espessura de uma folha de papel. Parece ter sido ontem, mas há muito que o Fotógrafo se retirou das suas andanças pela calçada recifense na doce companhia da Escritora.

Regressou agora onde, no seu sentir, parece nunca se ter ausentado. O tempo pesa-lhe já nas pernas cansadas, o fogo da vida sempre vai consumindo energias na sua inexorável combustão avivada pelos sentires mais profundos.

Passa pela rua do Bom Jesus na zona mais antiga do Recife e espanta-se por ver no expositor de um dos muitos caricaturistas que por ali desenvolvem a sua arte, a sua própria caricatura. Folheia mais duas ou três gravuras e encontra a caricatura da Escritora.

Sente um daqueles arrepios que é premonição pura. Sabe que mais tarde ou mais cedo se irá encontrar com a Escritora de quem vai tendo notícias fugazes. Sabe dos projecto que esta tem vindo a sonhar com a criançada na pintura de maravilhosos murais

O seu olhar espraia-se pelas fachadas dos edifícios de arquitectura colonial e tem ali à sua beira a rua dos Judeus onde em 1637 foi construída a sinagoga Kahal Zur Israel desactivada poucos anos depois e reaberta ao público quase três séculos e meio depois, no ano de 2001.

Bem perto situa-se o Marco Zero. O Fotógrafo sente-se atraído por esse local para onde se dirige a passos lentos. Já mais perto estuga a passada. No Marco Zero os braços abertos da Escritora esperam por ele para um afectuoso enleio.

_Sabia que voltarias!
_Sabia que me esperavas!
¡El mar, el mar!
Dentro de mí lo siento.
Ya sólo de pensar
en él, tan mío,
tiene un sabor de sal mi pensamiento.

José Gorostiza

23 outubro 2005

O povo brasileiro decidiu continuar armado...



... não tenho palavras. Só lamento.

20 outubro 2005

O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?

1- Existem armas demais neste país.
Estima-se que o número total de armas em circulação no Brasil seja de 17,5 milhões [ISER-Small Arms Survey, 2005]. Apenas 10% dessas armas pertencem ao Estado (forças armadas e polícias), o resto, ou seja, 90%, estão em mãos de civis.

2- Armas foram feitas para matar.
No Brasil, 63,9% dos homicídios são cometidos por arma de fogo, enquanto 19,8% são causados por arma branca [Datasus, 2002]. Por quê? Porque armas de fogo matam com eficácia e sem nenhum risco para o agressor. Diante de uma faca, você corre, grita, chuta. A chance de morrer em uma agressão com arma de fogo é muito maior: de cada 4 feridos nos casos de agressões por arma de fogo, 3 morrem. [Datasus, 2002]
As tentativas de suicídio com arma de fogo também são mais eficazes: 85% dos casos acabam em morte. [Annals of Emergency Medicine, 1998].


3- Ter armas em casa aumenta o risco, não a proteção.
Usar armas em legítima defesa só dá certo no cinema. Segundo o FBI [FBI, 2001], “para cada sucesso no uso defensivo de arma de fogo em homicídio justificável, houve 185 mortes com arma de fogo em homicídios, suicídios ou acidentes”. As armas em casa se voltam contra a própria família. Os pais guardam armas para defender suas famílias, mas os próprios filhos acabam por encontrá-las, provocando-se, assim, trágicos acidentes. No Brasil, duas crianças (entre 0 e 14 anos) são feridas por tiros acidentais todos os dias. [Datasus, 2002].

4- A presença de uma arma pode transformar qualquer cidadão em criminoso.
Armas de fogo transformam desavenças banais em tragédias irreversíveis. Em São Paulo, segundo a Divisão de Homicídios da Policia Civil [DHPP-SP 2004], o primeiro motivo para homicídios é “vingança” entre pessoas que se conhecem e que não possuem nenhum vínculo com o tráfico de drogas ou outras atividades criminosas. Para se ter uma idéia, em São Paulo, as vítimas de latrocínio – matar para roubar – correspondem a menos de 5% das vítimas de homicídio. [Secretaria de Segurança Pública - SP 2004]

5- Quando existe uma arma dentro de casa, a mulher corre muito mais risco de levar um tiro do que o ladrão.
Nas capitais brasileiras, 44% dos homicídios de mulheres são cometidos com arma de fogo [Datasus, 2002]. Dois terços dos casos de violência contra a mulher têm como autor o próprio marido ou companheiro. [Datasenado, 2005]. De acordo com dados do FBI, relativos a 1998, para cada vez que uma mulher usou uma arma em legítima defesa, 101 vezes esta arma foi usada contra ela.

6 - Em caso de assalto à mão armada, quem reage com arma de fogo corre mais risco de morrer.
É um mito considerar que com uma arma o cidadão está mais protegido. Na maioria dos assaltos, mesmo pessoas treinadas não têm tempo de reagir e sacar sua arma. Quando o cidadão reage, ele corre mais risco de se ferir ou ser morto. Uma pesquisa realizada no estado do Rio de Janeiro mostra que: “a chance de morrer numa reação armada a roubo é 180 vezes maior de que morrer quando não há reação. A chance de ficar ferido é 57 vezes maior do que quando não há reação.” [Iser, 1999]

7- Controlar as armas legais ajuda na luta contra o crime.
A - O mercado legal abastece o ilegal.Para se ter uma idéia, 80% das armas apreendidas pela policia do Rio de Janeiro (de 1993 a 2003) são armas curtas (revólveres e pistolas) e 76% são brasileiras. A pesquisa mais recente divulgada pelo governo do RJ mostra que das armas usadas em crimes entre 1999 e 2005, 61% pertenciam a “cidadãos de bem” (civis) e foram desviadas para o crime. Ou seja: as armas que mais matam no Brasil são brasileiras, principalmente os revólveres 38 produzidos pela TAURUS, e um dia foram compradas em loja!

B - As armas compradas legalmente correm o risco de cair nas mãos erradas, através de roubo, revenda ou perda. Só no Estado de São Paulo, segundo a Secretaria de Segurança Pública, entre 1993 e 2000, foram roubadas, furtadas ou perdidas 100.146 armas (14.306 por ano). Ou seja: bandidos não compram armas em lojas, mas são as armas compradas em lojas que vão parar nas mãos dos criminosos.

8- O Estatuto do Desarmamento é uma lei que desarma o bandido.
A maioria dos artigos do Estatuto do Desarmamento (lei n° 10.826, 22/12/2003) dá meios à polícia para aprimorar o combate ao tráfico ilícito de armas e para desarmar os bandidos. Ele estabelece a integração entre a base de dados da Policia Federal, sobre armas apreendidas, e a do Exército, sobre produção e exportação. Agora as armas encontradas nas mãos de bandidos podem ser rastreadas e as rotas do tráfico desmontadas. Pela nova lei, todas as novas armas serão marcadas na fábrica, o que ajudará a elucidar crimes e investigar as fontes do contrabando. Para evitar e reprimir desvios dos arsenais das forças de segurança pública, todas as munições vendidas para elas também vão ser marcadas. A implementação do Estatuto em sua totalidade é um dos principais instrumentos de que dispõe hoje a sociedade brasileira para desarmar os bandidos.

9 - Controlar as armas salva vidas
As leis de controle de armas ajudam a diminuir os riscos para todos. Na Austrália, 5 anos depois de uma lei que praticamente proibiu a venda de armas de fogo, a taxa de homicídios por arma de fogo caiu 50%. Entre as mulheres, a diminuição foi de 57% [Australian Institute of Criminology, 2003].
Um estudo da Unesco, publicado em 2005, mostra que Austrália, Inglaterra e Japão, onde as armas são proibidas, estão entre os países do mundo onde MENOS se mata com arma de fogo, enquanto os Estados Unidos, um dos países mais liberais com as armas, aparecem em 8º lugar, entre os países mais violentos do mundo.
Entre 2003 e 2004, primeiro ano de vigência do Estatuto do Desarmamento, o número de mortes por arma de fogo caiu pela primeira vez em treze anos. De acordo com dados da Unesco, em números absolutos, 3.234 vidas foram salvas. [Vidas Poupadas, Impacto do desarmamento no Brasil – 2004 – MS/ UNESCO/MJ].

10 - Desarmamento é o primeiro passo
A proibição do comércio de armas de fogo e munição, isoladamente, não é capaz de solucionar o problema da criminalidade. Mas é um passo fundamental em direção a uma sociedade mais segura. Temos que continuar trabalhando por pactos internacionais pelo desarmamento, por melhorias no sistema de justiça e nas polícias e claro, pela redução da desigualdade social em nosso país. Mas para isso é preciso dar o primeiro passo.

18 outubro 2005

Todo o sentimento
Chico Buarque/1987















Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo
Da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar
E urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo o sentimento
E bota no corpo uma outra vez

Prometo te querer
Até o amor cair
Doente
Doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro, com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei, como encantado
Ao lado teu

17 outubro 2005


... e é pouco!!

16 outubro 2005

Outras traduções...

Uma fantástica inspiração do L Schneider (Anoitecendo...) a partir do poema anterior do Ferreira Gullar que eu tenho um enorme prazer em partilhar com todos.
beijo e obrigada.



O incêndio na boca,
O sonho na cama,
A poesia na noite,
O apelo é o presente.

O apelo na boca,
A poesia na cama,
O sonho na noite,
O incêndio é o presente.

A poesia na boca,
O apelo na cama,
O incêndio na noite,
O sonho é o presente.

Sonhos e poesia...

L Schneider

15 outubro 2005

No corpo

De que vale tentar reconstruir com palavras
o que o verão levou
entre nuvens e risos
junto com o jornal velho pelos ares?

O sonho na boca, o incêndio na cama.
o apelo na noite
agora são apenas esta
contração (este clarão)
de maxilar dentro do rosto.

A poesia é o presente.

Ferreira Gullar

13 outubro 2005

.. usei o teu barco, tuas velas e segui com o vento.


Que diríamos nós?


Mãos presas à corrente da âncora
Mãos que me mantém em terra firme
Apesar do desejo de partir
Havia em mim o teu cheiro, o teu gosto
O desejo de ti
Um sonho contigo, meu sonho contigo
Partindo sempre
Buscando-nos eternamente

Meu barco agita suas velas
Em meu peito agitado estou
Entre o que conheço, o que sei
E o que busco, o que descobrirei

Virias comigo?
Ou me dirias que os barcos podem ficar em terra
Iria sem ti?
Ou dir-te-ia que os barcos devem seguir ao mar.

12 outubro 2005

Releio-te.
E enquanto não te encontro em novos lugares, revisito os lugares onde sei que estás. E nestes mesmos lugares, as paisagens são renovadas e a minha proximidade e identidade delas é tanta que por vezes reclamo a elas a minha autoria.. ou, é a autoria do que sinto que a elas reclamo.


As condições do tempo


Como perceber
onde a frágil sedução por uma flauta
na planície
soa como uma flor à beira dum vulcão?


Como entender o sonho que trouxe a madrugada
antes do dia claro
duma imensa espera?


Não há voz antiga que extinga
a essência do fruto imaginado,
um olhar tranquilo aberto para o amor.


Não há condições de tempo
para uma espera
sob a chuva,
como pétalas caindo soando como uma flauta.

José Vieira Calado

in "Poemas Soltos & Dispersos"

11 outubro 2005

Indios


Quem me dera, ao menos uma vez,
Ter de volta todo o ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante,
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês -
É só maldade então, deixar um Deus tão triste.
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta para mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do começo ao fim
E é só você que tem a cura para o meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta para mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do começo ao fim
E é só você que tem a cura para o meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Nos deram espelhos e vimos um mundo doente -
Tentei chorar e não consegui.

Renato Russo

09 outubro 2005

Hasta la vitória... siempre!



“O verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de generosidade; é impossível imaginar um revolucionário autêntico sem esta qualidade".

"No momento em que for necessário, estarei disposto a entregar a minha vida pela liberdade de qualquer um dos países da América Latina, sem pedir nada a ninguém..."

Ernesto Che Guevara
* 14 de maio de 1928
+ 09 de outubro de 1967

08 outubro 2005


si tú me miras

... te enseñaré a decir te quiero, sin hablar
mientras tengamos un secreto que ocultar
cuando decidas aprenderlo, no habrá silencio
no te hará falta usar la voa para romperlo
si tú mi miras me hablarás ...

06 outubro 2005

Aqui se faz arte...




02 outubro 2005

© 2005 - Céu Guitart
Deixar-se ao vento

Há em mim um cansaço
Dói meu corpo
Atravessa minha alma
Acomoda-se além do que conheço

Quero estar quieta, olhar o tempo
Tocar suavemente meus pensamentos
E ordená-los. Talvez soltá-los ao vento
Para que livres, não mais a mim pertençam.