31 janeiro 2010

O Mário Quintana dizia que um poema é bom quando ao invés da gente ler o poema, ele nos lê. Concordo exatamente com esta afirmação. Um poema me toca mais profundamente quando tenho a sensação de que estou sendo lida por ele. Muitas vezes isso ja me aconteceu... muitas mesmo. Hoje, mais uma vez. Na casa de uma amiga que revirava uns papeis encontramos um poema escrito em 2006 pelo irmão dela, o Paulo Veras, que escreve linda e sensivelmente. Imediatamente quis ler para ele sem que ele soubesse que se tratava de um poema seu. Ele logo reconheceu timidamente, como sempre, a maravilha que havia escrito. Não posso deixar de partilhar aqui com vocês.
Antes.. Paulo, parabéns por mais este fantástico poema e obrigada por me permitir partilhar aqui neste cantinho.

Deliciem-se.

DOR PERENE

A minha dor vive nas sombras
Mas que dor não é sombria?!
Fogem-me da dor as palavras
Mas que palavras não são fugidias?!
E tudo é saudade...
De tanto, de tão pouco,
Mas que saudade não é vadia?!
Esqueçamos a dor,
Adormeçamos a saudade
Enganemo-nos por um momento
Fingindo não ser aflição.
Mas que aflição não é infinita
Quando a claridade se furta em agonia?
E a quem meu fingimento convence
Se não a mim todo dia?

Paulo Veras
12 set 2006
8:17h

2 comentários:

Daniel Aladiah disse...

Querida Lualil
Belo poema! As minhas manias, e aqui respondo, são estas:
- Chegar sempre a horas;
- Ter uma secretária arrumada e limpa;
- Gostar de estar só quando no WC;
- Melhorar sempre o que faço;
- De jogar contra mim próprio.
No fundo, virtudes e defeitos que às vezes se confundem... rotinas que nos defendem.
Um beijo
Daniel

lualil disse...

Daniel,

Belo sim!
Opa.. "chegar sempre a horas" significa chegar no horário ou depois dele? Tenho a mania de sempre chegar antes da hora!

beijinhus